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Projeto
Arara Azul– Dez Anos de Pesquisa e Conservação
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Embora seja o país mais rico do mundo em aves da família Psitacidae (araras, periquitos, papagaios e caturritas) o Brasil tem perdido algumas espécies por extinção e muitas encontram-se ameaçadas. Não se sabe qual era o tamanho da população e a distribuição original de araras-azuis Anodorhynchus hyacinthinus na natureza, mas até a década de 80 estima-se que mais de dez mil indivíduos foram capturados para o tráfico. Soma-se a isto, a descaracterização do habitat pelo desmatamento e queimada, bem como a matança de araras em várias tribos indígenas para venda de cocares e colares. Por isso, em 1990 iniciamos o Projeto Arara Azul com o objetivo de conhecer a biologia básica, alimentação, reprodução, comportamento, ecologia, etc. No total cadastramos 284 ninhos naturais em 41 fazendas de cinco sub-regiões do Pantanal Sul. A maioria dos ninhos foram localizados no Pantanal da Nhecolândia 49,6% (N=131), seguido pelo Pantanal de Miranda e Abobral com 28,8% (N=76) e 17% (N=45), respectivamente. Instalamos cerca de 154 ninhos artificiais com o intuito de aumentar o número de cavidades disponíveis para a reprodução. Porém, a perda de ninhos naturais é grande e poucas espécies arbóreas tem o cerne macio que permitam a confecção de grandes cavidades no seu interior. Por isso, é necessário plantar, recrutar e/ou manejar e conservar manduvis (Sterculia apetala), árvore onde são encontrado 90% dos ninhos naturais. Também realizamos manejo como cobertura, drenagem, nova abertura ou troca de cama para recuperar e aumentar a vida útil daqueles ninhos que estejam se perdendo. Para citar um exemplo, dos 61 ninhos manejados na última estação reprodutiva, 15 foram reutilizados com suscesso pelas araras-azuis. No Pantanal de Miranda 33 casais de araras-azuis fizeram a postura de 70 ovos incluíndo 5 que tiveram 2 posturas. Destes, 13 ovos foram predados, 9 foram interrompidos porque goraram ou tiveram proliferação bacteriana e 7 eram inférteis. Logo, 24 casais tiveram 37 filhotes, sendo 13 deles com 2 filhotes cada um. Por predação ou mortalidade, 13 filhotes foram perdidos e 24 filhotes sobreviveram e voaram. A incubação de três ovos foi concluída em laboratório. Os filhotes recém-nascidos foram reintroduzidos ou translocados para ninhos naturais, onde foram bem aceitos pelos pais. Nas demais regiões do Pantanal Sul foram encontrados 26 ninhos ativos pelas araras-azuis e 11 pelas araras-vermelhas Ara chloroptera. Para conhecer sobrevivência, área de vida e dispersão dos jovens que deixaram os ninhos foram instalados rádio colar em 9 indivíduos que passaram a ser monitorados freqüentemente. Atividades de turismo ecológico foram desenvolvidas com os hóspedes do Refúgio Ecológico Caiman, grupos especiais e acadêmicos. Educação ambiental informal foi realizada com a comunidade pantaneira, escolas rurais e a população em geral. Por ser um espécie atraente e carismática a arara-azul esta se destacando como um simbolo para a conservação do Pantanal como um todo. O desenvolvimento de técnicas de manejo de filhotes, poderá aumentar não só as araras-azuis, mas também outras espécies que se encontrem ameaçadas de extinção, como a arararinha-azul e a arara-azul-de-lear. Em 2000, foram completados dez anos de estudos dedicados a conservação da arara-azul e os resultados mais positivos foram a diminuição do tráfico da espécie e aumento da população de araras-azuis no Mato Grosso do Sul. Em 2001 estes estudos começarão a ser expandidos para o Pantanal do Mato Grosso e Bolívia. Este trabalho é realizado pela UNIDERP e FMB, com o patrocínio da WWF-Brasil, Hyacinth Macaw Fund, Caiman, Toyota e apoio do CI. O que você pode fazer para colaborar: não comprar animais silvestres, principalmente ameaçados de extinção como a arara-azul, não comprar artesanato feito com penas de araras, pagagaios, tucanos, etc, e se for proprietário rural, ajudar na conservação do ambiente, principalmente com as plantas que são imprescindíveis para a arara-azul como o manduvi, a bocaiúva e o acuri. NOME
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