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O Liberal Tráfico de animais livre na rede

on setembro 21 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Rio de Janeiro (Agência Estado) – A compra e venda ilegal de animais silvestres da fauna brasileira estão sendo feitas abertamente pela Internet e movimenta, anualmente, US$ 40 milhões. Répteis, anfíbios, primatas, peixes ornamentais e mamíferos, incluindo espécies em extinção, como a ararajuba, são negociados diariamente em 4.892 anúncios na rede. A denúncia foi feita ontem ao Ministério Público Federal (MPF) pela ONG Rede Nacional contra o Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), que trabalha em parceria com o Ibama na repressão ao tráfico e fez o levantamento nos últimos três meses.

Os anúncios de compra e venda são veiculados preferencialmente em sites sobre animais silvestres. “Alguns sites apóiam e até incentivam esses anúncios”, afirmou ontem o coordenador-geral da Renctas, Dener Giovanini. No site Exotic World, conforme a denúncia, há um anúncio conclamando os internautas: “Aqui, você pode trocar e vender animais (legalizados ou não).” O site Curioso.com é acusado pela Renctas de vender “jibóias e outras espécies de forma ilegal” e é investigado pelo Ibama, segundo o chefe-interino do Departamento de Vida Silvestre da instituição, Francisco Neo.

Em outros casos, os internautas aproveitam os sites para a troca de informações com o objetivo de veicular anúncios de compra e venda ilegal. É o caso do Bioterium, também citado na denúncia, que tem apoio do Ibama e vende animais nascidos em cativeiro.

“Há quarenta dias, recebemos um comunicado do Ibama, segundo o qual anúncios de compra e venda ilegal estavam sendo veiculados em nosso fórum de troca de informações”, afirmou o responsável pelo site, o biólogo Marcus Buononato. Segundo ele, desde que o problema foi constatado, os anúncios estão passando por uma avaliação prévia.

De maneira geral, os animais adquiridos ilegalmente via Internet são enviados aos compradores por Sedex, sem o conhecimento dos Correios.

A gravação de uma conversa com um homem que anunciou animais no site Répteis e Cia, que também está anexada à denúncia, mostra como são enviadas cobras: “A gente bota a cobra numa caixa cheia de jornal que é para ela não bater, o cara não abre.” A procuradora Anaiva Oberst Cordovil, que recebeu a denúncia, informou que irá conversar ainda com a Coordenadoria Criminal do Ministério Público para definir uma linha de atuação.

“Enquanto o Ibama está tentando fiscalizar os caras que vão vender animais nas feiras, os traficantes estão seguros na Internet”, afirmou Giovanini. Segundo Neo, o Ibama tem conhecimento do tráfico pela Internet, está em entendimentos com a Interpol para investigar o assunto, mas tem limitações orçamentárias e de pessoal. A compra ou venda ilegal de animais é crime, cuja pena é detenção de seis meses a um ano. Giovanini alertou ainda para o risco que representa à saúde pública a compra ilegal de um animal da fauna brasileira. “As florestas são reservatórios de vírus, muitas vezes desconhecidos do homem”, afirmou. “Ao levar para casa um animal que não tenha passado por triagem e quarentena, a pessoa pode estar levando também um vírus poderoso.”

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