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Amazonia.com.br – Tráfico de animais movimenta US$ 1,5 bi por ano

on novembro 6 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Local: Belém – PA
Fonte: O Liberal

O tráfico de animais silvestres no Brasil movimenta mais de US$ 1,5 bilhão por ano. Um mercado que só movimenta menos dinheiro que o comércio ilegal de drogas e armas. Pela primeira vez no Brasil uma publicação reúne a opinião de especialistas de diversos segmentos da sociedade sobre esse comércio criminoso. O livro “Animais Silvestres – vidas à venda”, organizado pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), foi lançado ontem em Brasília.

Na ocasião foi anunciado convênio entre a Renctas e o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), que operará o projeto Sivam. A parceria é voltada para monitorar de perto o comércio ilegal, facilitando a integração entre os parceiros governamentais e da sociedade civil e permitindo o intercâmbio de informações sobre o tráfico. “A Renctas será a primeira parceira não governamental do Sipam. Esse trabalho conjunto permitirá aprimorar nosso banco de dados e elaborar políticas públicas de combate à atividade ilegal”, explicou o coordenador geral da Renctas, Dener Giovanini.

O livro traz dez capítulos assinados por juristas, biólogos, gestores de fauna, delegados, investigadores, especialistas em legislação ambiental ligada à fauna e jornalistas. Todos diretamente envolvidos com a questão do combate ao tráfico. Eles analisam as implicações do comércio ilegal de animais silvestres quanto ao combate, à legislação, aos procedimentos jurídicos, à perícia, à logística do funcionamento, à informação e ao manejo de animais silvestres vítimas de coleta e comércio ilegal.

As rotas, os procedimentos e o mapa do tráfico de animais silvestres no País foram apresentados ao público no 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre publicado pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) no ano passado. Agora, como o novo livro, a intenção é mostrar como as instituições governamentais brasileiras lidam com o complexo universo do tráfico.

O Brasil possui uma das maiores diversidades de fauna do mundo. Ocupa o primeiro lugar em número de espécies, com cerca de três mil variedades de vertebrados terrestres e três mil de peixes de água doce. O país possui ainda 483 espécies de mamíferos continentais e 41 marinhas. Ocupa ainda a terceira posição em relação às aves, com 1677 espécies. Os répteis somam 468 espécies e os anfíbios chegam a 517.

A retirada e o comércio ilegais de animais selvagens das florestas, rios e mares, segundo a Renctas, é de aproximadamente 38 milhões anuais. Em escala mundial, estima-se que o tráfico de animais silvestres movimenta entre 10 e 20 bilhões de dólares. O Brasil participa com cerca de 5% a 15 % desse crime, com números que podem chegar a 4 milhões de animais traficados. Depois da perda de habitat, o tráfico de animais é o maior responsável pelo desaparecimento de espécies da natureza. Estima-se que de cada dez animais traficados, apenas um sobrevive devido ao estresse emocional e aos maus tratos sofridos durante a captura e o transporte.

O tráfico abastece casas de venda de animais, artesãos, colecionadores particulares e laboratórios farmacêuticos. O crescimento do comércio de animais levou a Polícia Federal a montar uma coordenação especializada no assunto. “O tráfico de animais é organizado, departamentalizado e gira em torno de um grande lucro. E ele descamba para outros crimes, como corrupção, falsificação de documentos e de dinheiro”, observa o delegado Jorge Pontes, coordenador da área de meio ambiente da Polícia Federal. A idéia da PF é instalar um escritório da coordenadoria em cada Unidade da Federação.

O delegado da Polícia Federal Ricardo Bechara afirmou que a rota do tráfico de animais silvestres inclui Belém, Manaus (AM), Recife (PE), Corumbá (MS), Uberaba (MG), Itabaiana (SE), Rio de Janeiro. As espécies mais procuradas pelos traficantes internacionais são o papagaio-de-cara-roxa e o papagaio-charão.

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