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Caça muda estrutura familiar de elefantes

on julho 19 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

Julho 15, 2016
Por Amy Yee – The New York Times International Weekly

 

Pesquisadores estudam como elefantes se desenvolvem depois de mães serem mortas por caçadores. Foto: Tyler Hicks/The New York Times

Pesquisadores estudam como elefantes se desenvolvem depois de mães serem mortas por caçadores.
Foto: Tyler Hicks/The New York Times

 

Crânio de elefantes. Foto: Tyler Hicks/The New York Times

Crânio de elefantes.
Foto: Tyler Hicks/The New York Times

 

RESERVA NACIONAL SAMBURU, Quênia — O jipe percorreu sacolejando a savana fértil e dourada, pontilhada de acácias. George Wittermyer, diretor científico do grupo Save the Elephants, conduziu o veículo em direção a um movimento vislumbrado num grupo de árvores.

Várias famílias de elefantes estavam reunidas atrás de uma curva na trilha, totalizando cerca de 50 animais. Os filhotes aconchegados junto aos mais velhos aparentavam ser maleáveis como massinha de modelar e aconchegantes como pelúcia, apesar de um elefante recém-nascido pesar em torno de 90 quilos.

Os filhotes e os adolescentes eram liderados por jovens fêmeas — filhas que assumiram precocemente o papel de matriarcas depois de suas mães terem sido mortas por caçadores ilegais de marfim. Uma mãe elefante geralmente se torna chefe de família por volta dos 35 anos de idade. As fêmeas mais jovens do grupo visto aqui tinham entre 15 e 28 anos.

Professor de biologia da conservação na Colorado State University, Wittemyer estuda os elefantes da reserva nacional de Samburu desde 1997. Ele os conhece por nome, como se fossem seus velhos amigos, e nos apontou Habiba, Cinnamon e Pilipili, identificados por suas marcações nas orelhas.

A caça ilegal já eliminou dezenas de paquidermes e matriarcas, levando pesquisadores a estudar os animais mais detalhadamente para monitorar os órfãos e os complexos laços sociais existentes nas redes familiares dos elefantes. Apenas entre 2010 e 2012, cerca de um quinto da população de elefantes da África — por volta de 100 mil animais — foi massacrado por caçadores ilegais, segundo a Save the Elephants.

Os pesquisadores receiam que a perda dos animais mais velhos, especialmente das matriarcas, prejudique a capacidade de sobrevivência saudável dos filhotes. As matriarcas carregam um enorme manancial de conhecimentos sobre o ambiente em que vivem.

“Habiba e todos seus irmãos e primos formam um grupinho. As mães de todos eles foram mortas”, disse Wittermyer. “Eles ficaram juntos, mas sem supervisão, por assim dizer. Tivemos medo do que pudesse lhes acontecer.”

No entanto, os cientistas perceberam que a situação fez com que jovens fêmeas assumissem papel maior nos cuidados com os filhotes. Mesmo elefantas de apenas 15 anos “tendem a emular o padrão de contato social de suas mães”, disse Wittermyer.

“A história dos órfãos de Samburu é um dos exemplos mais comoventes que eu já vi da importância da colaboração e amizade em um sistema não humano. O que vemos aqui são exemplos maravilhosos desses órfãos levando suas vidas adiante e reconstruindo seu mundo social.”

Em 2014, as penas por caça ilegal e tráfico de animais silvestres foram aumentadas no Quênia, chegando a multas de US$ 200 mil e penas de prisão vitalícia. Até então, a multa máxima não passava de US$ 400.

A Save the Elephants usa coleiras com GPS e rádio para estudar as migrações dos elefantes. À medida que o país vai construindo mais rodovias, ferrovias e infraestrutura e que suas cidades crescem, pesquisadores estudam padrões migratórios dos elefantes em uma terra que eles dividem com cada vez mais humanos.

A colisão entre a fauna silvestre e os humanos na região se agravou neste ano. Os elefantes passaram a não poder se deslocar entre as duas metades do parque nacional de Tsavo, o maior do país, devido à construção de uma estrada de ferro elevada de mais de 600 quilômetros de extensão. Metade dos 25 mil elefantes do país vivem no parque.

Munidos de informações sobre as migrações dos elefantes, planejadores de obras, construtores e políticos podem regular a expansão humana e modificar projetos para levar em conta as rotas dos animais. “Isso é fundamental para o planejamento do uso das terras: saber quais áreas precisam ser conservadas como estão, onde precisamos facilitar a movimentação e quais regiões não são essenciais para os elefantes”, falou Wittemyer.

A doutoranda Jenna Parker passou duas horas numa tarde observando um grupinho de elefantes órfãos. Finalmente, o rebanho começou a se mexer, com os elefantes Dill e Celery soltando grande quantidade de fezes.

Quando os elefantes começaram a andar, Parker saltou de seu veículo, usando luvas de plástico e carregando frascos. Ela colheu as fezes verdes (devido ao capim) e ainda quentes para incluir na coleção de amostras com as quais fará exames para verificar a presença de parasitas, cortisol, o hormônio do estresse, e bactérias *E. coli*.

Parker quer determinar se os órfãos manifestam estresse fisiológico depois de suas mães serem mortas. O objetivo, disse ela, é determinar como os humanos, por meio da caça ilegal, “modificaram o bem-estar de outra espécie altamente social e cognitivamente adiantada”.

Sua pesquisa levará vários anos para render resultados. “A ciência é um processo demorado”, disse.

CLIQUE AQUI  para notícia original.

 

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