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Centro de recuperação de animais em SP cuida de filhote de veado e falcão mais veloz do mundo

on abril 7 | em Fauna na Mídia | by | with No Comments

Veado catingueiro de no máximo 15 dias se recupera no CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) do Parque Ecológico Tietê, na Zona Leste de São Paulo — Foto: Deslange Paiva/G1

Veado catingueiro de no máximo 15 dias se recupera no CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) do Parque Ecológico Tietê, na Zona Leste de São Paulo — Foto: Deslange Paiva/G1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CRAS do Parque Ecológico do Tietê mantém atualmente 1200 animais. Maioria foi resgatada por polícia após denúncias de tráfico e comércio ilegal.

Um veado catingueiro orfão de 15 dias que mama na mamadeira é a sensação do CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) que fica dentro do Parque Ecológico do Tietê, Zona Leste de São Paulo.

Ele foi resgatado e entregue ao centro por um fazendeiro no Alto do Tietê, na região de Mogi das Cruzes, e será criado no núcleo até se tornar independente para se alimentar, de acordo com a médica veterinária e diretora do CRAS, Liliane Milanelo, 46 anos.

“Essa espécie é muito comum naquela área, onde há muitas fazendas. Essa espécie fica órfã geralmente por ação trópica (caçador, atropelamento ou morte por cachorro). Acreditamos que a mãe tenha sido vítima e ele sobreviveu”, diz ela.

Atualmente, o filhote mama leite de cabra a cada duas horas e logo vai aprender a comer pequenas folhas, flores e frutas, coisas que ele encontrará na natureza. Ele será solto no mesmo local de origem quando aprender a comer sozinho.

Falcão mais veloz

Falcão peregrino, espécie rara de se encontrar no Brasil e considerada a ave mais veloz do mundo, se recupera no CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) — Foto: Deslange Paiva/G1

Falcão peregrino, espécie rara de se encontrar no Brasil e considerada a ave mais veloz do mundo, se recupera no CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) — Foto: Deslange Paiva/G1

O CRAS recebe em média 30 animais machucados por dia e os recupera antes de reinseri-los no meio ambiente em áreas de soltura cadastradas pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente e pelo Ibama. Os mais comuns são araras, papagaios, gavião, macacos, cobras, tartarugas e jabutis, jaguatiricas, além de muitos pássaros, entre outros.

Atualmente o centro também recupera um falcão peregrino, espécie rara de se encontrar no Brasil e considerada a ave mais veloz do mundo, podendo atingir até 440Km/h em vôos predatórios dependendo da distância e ângulo de ataque, mas estudos dizem que geralmente fica entre 250 a 380Km/h. Ele foi encontrado na região da Cantareira, Zona Norte de São Paulo.

“É um animal raro de se aparecer em cativeiro, eles só passam pelo Brasil fazendo migrações intercontinentais. Provavelmente ele saiu dos Estados Unidos em direção à Patagônia. No Oriente Médio essa espécie é muito usada para falcoaria, [esporte que treina falcões e outras aves de rapina para caça], que, para mim, é mais uma dominação animal”, diz Liliane.

O falcão se recupera de uma cirurgia de osteossíntese devido a uma fratura no úmero (osso longo e o maior do membro superior que se localiza no braço da ave) e será solto em breve.

Sagui em recuperação no CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) do Parque Ecológico Tietê, na Zona Leste de São Paulo — Foto: Deslange Paiva/G1

Sagui em recuperação no CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) do Parque Ecológico Tietê, na Zona Leste de São Paulo — Foto: Deslange Paiva/G1

Atualmente o CRAS mantém 1200 animais, mas sua capacidade máxima é de 1800. O núcleo é o único Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres), órgão gerenciado pelo Ibama, do governo do estado. Ele foi inaugurado em 1986 e é administrado e mantido pelo DAEE ( Departamento de Águas e Energia Elétrica).

Cuidados e tratamento

A maioria dos animais recebidos pelo CRAS do Parque Tietê são oriundos de resgates da polícia após denúncias de tráfico, comércio ilegal ou maus tratos. Além disso, qualquer munícipe pode levar até o parque animais machucados.

Na quarta-feira (27), por exemplo, uma operação da Polícia Civil de Guarulhos levou 63 aves ao parque.

Espécie conhecida como trinca-ferro ou picharro chegou ao centro de recuperação com asa quebrada e fronte ferida — Foto: Deslange Paiva/G1

Espécie conhecida como trinca-ferro ou picharro chegou ao centro de recuperação com asa quebrada e fronte ferida — Foto: Deslange Paiva/G1

De acordo com Liliane, geralmente as aves que chegam ao CRAS são animais bonitos, mais visados pelo comércio ilegal. Na última leva recebida pelo centro, foram recebidos canário da terra, sanhaço, tico-tico, azulão e sábia.

Chegando ao CRAS, os animais são examinados, anilhados e têm material coletado (sangue, fezes, pena) para análise clinica e laboratorial. Mamíferos recebem um microchip com suas informações, de origem do animal, condições de chegada, espécie, peso, comprimento, idades, exames, evolução, data de saída e onde foi solto.

Periquito chegou sem os dois olhos ao Centro de Recuperação de Animais Silvestres — Foto: Deslange Paiva/ G1

Periquito chegou sem os dois olhos ao Centro de Recuperação de Animais Silvestres — Foto: Deslange Paiva/ G1

“Geralmente ele chegam aqui machucados por ficarem se debatendo na gaiola. Depois que estão bem sanitariamente, nutricionalmente e comportadamente, iniciamos o processo de reinserção. Se o animal vive em grupo, tem de estar inserido em um grupo, se voa, tem de saber voar. As aves primeiro se acostumam em um recinto menor e depois passam para um maior para irem se acostumando”, explica Liliane.

O CRAS conta com um banco de penas, retiradas de animais que morrem, para implante em outros.

“A troca de penas, que chamamos muda, é demorada. Quando o animal chega com a pena quebrada ou amassada por linha de pipa, que é muito frequente, a gente reinsere como se fosse um implante”, explica Liliane.

Esquilo brinca em gaiola; ele se recupera antes de ser reinserido no meio ambiente — Foto: Deslange Paiva/G1

Esquilo brinca em gaiola; ele se recupera antes de ser reinserido no meio ambiente — Foto: Deslange Paiva/G1

Segundo a médica veterinária, as pipas são grandes vilãs, inclusive.

“A gente abomina pipa. Não tem nada de bom nisso: motoqueiros sofrem, é ruim para as árvores e péssimo para aves. Mesmo linha que não tem cortante, os bichos acabam se enrolando nelas, quebrando a asa, muitos caem na água e se afogam. Às vezes chegam aqui sem asas. Os animais já são sobreviventes por viver em São Paulo, e ainda têm de lidar com essas variáveis “, diz Liliane.

Outro comportamento humano que só faz mal a animais é manter aves em gaiolas.

Ave se recupera no CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) do Parque Tietê, Zona Leste de São Paulo — Foto: Deslange Paiva/G1

Ave se recupera no CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) do Parque Tietê, Zona Leste de São Paulo — Foto: Deslange Paiva/G1

“Se você pensar que esses animais vivem em bando, voando a grandes distâncias, comendo o que querem em total liberdade… Aí ficam condenados a ficar em uma gaiola dentro de uma cozinha falando ‘louro’, aprendendo palavrão e cantando hino de time. É deprimente para a espécie”, desabafa.

Alguns animais, segundo Liliane, chegam ao centro de recuperação deprimidos e com problemas psicológicos.

“A gente tinha um macaco prego fêmea que não saía do lugar. Ela foi achada em uma casa de família abandonada na gaiola. Ficou meses sendo alimentada por um vizinho até a polícia resgatar. Há papagaios que chegam aqui extremamente agressivos, alguns se mutilam. Então eles desenvolvem problemas psicológicos. Alguns tomam remédios psiquiátricos e conseguem reverter, outros não. Ficarão sujeitos a cativeiro para sempre.”

Sagui em recuperação no CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) do Parque Ecológico Tietê, na Zona Leste de São Paulo — Foto: Deslange Paiva/G1

Sagui em recuperação no CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) do Parque Ecológico Tietê, na Zona Leste de São Paulo — Foto: Deslange Paiva/G1

Como denunciar?

• IBAMA: (11) 3066-2633 ou linhaverde.sede@ibama.gov.br

• Polícia Ambiental: 0800-55-51-90 ou cpamb@polmil.sp.gov.br

Veado catingueiro de no máximo 15 dias se recupera no CRAS  (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) do Parque Ecológico Tietê, na Zona Leste de São Paulo — Foto: Deslange Paiva/G1

Veado catingueiro de no máximo 15 dias se recupera no CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) do Parque Ecológico Tietê, na Zona Leste de São Paulo — Foto: Deslange Paiva/G1

Jabutis no no centro de recuperação: é comum o abandono desse animais — Foto: Deslange Paiva/G1

Jabutis no no centro de recuperação: é comum o abandono desse animais — Foto: Deslange Paiva/G1

Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/04/07/centro-de-recuperacao-de-animais-em-sp-cuida-de-filhote-de-veado-e-falcao-mais-veloz-do-mundo.ghtml

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