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Correio Braziliense – Papagaios, jóias cobiçadas

on novembro 15 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Cristina Ávila

Da equipe do Correio

Fiscais do Ibama vigiam ninhos no norte de Minas e evitam que pelo menos duas mil aves se transformem em mercadorias de feirantes nas cidades próximas a Brasília. De cada dez animais capturados pelos traficantes, apenas um consegue sobreviver

As feiras populares do Distrito Federal, especialmente a de Ceilândia e do Pedregal, vão deixar de receber até o final do ano pelo menos dois mil papagaios, periquitos e araras. Desde setembro, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) faz rondas constantes no norte de Minas para combater o tráfico de animais silvestres. É de lá que os ‘‘comerciantes’’ retiram do ninho 20 mil aves todos os anos.

O agente de Fiscalização do Ibama Enio Cardoso explica que nessa época os papagaios recém-saídos dos ovos não têm penas. São presas fáceis para os caçadores. No início do verão, em dezembro, crescem as penas, e os pássaros escapam dos traficantes.

O relatório divulgado nesta semana pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) destaca que anualmente o comércio irregular no país movimenta US$ 1 bilhão, em vendas no mercado interno e externo. As aves representam 82% do contrabando. Os peixes abrem espaço no mercado, embora ainda representarem um percentual ainda insignificante nos 38 milhões de animais que saem do Brasil todos os anos (leia reportagem abaixo).

Além do prejuízo à natureza, a atividade é cruel. De cada dez animais capturados, apenas um sobrevive, diz o coordenador da Renctas, Dener Giovanini. ‘‘O trabalho de prevenção ao tráfico no norte de Minas Gerais é um projeto-piloto. E estamos conseguindo ótimo resultado’’, afirma Enio Cardoso, do Ibama.

‘‘A fiscalização vem pegando pesado’’, constata o motorista de lotação José Maria Lopes dos Reis, 49 anos, que conhece bem o fluxo de animais silvestres na Ceilândia. ‘‘Os últimos papagaios deixam o ninho neste mês, e a feira está sem filhotes’’, diz.

O Ibama mapeou 600 pontos de ninhais ao norte de Minas Gerais, acima do rio São Francisco, onde existe uma das maiores concentrações do país de arara canindé e do chamado papagaio verdadeiro. Cada um desses pontos pode ter um como pode ter 40 ou 50 ninhos. O mapeamento é feito seguindo as árvores que têm ninhos, identificadas por marcas dos próprios traficantes. Os caçadores pintam as árvores onde estão as aves, para voltar em outubro e novembro, quando os filhotes já estão maiores mais ainda são incapazes de voar.

São a partir dos pontos mapeados e do rastreamento dos traficantes nas comunidades dos 20 municípios da região que os técnicos do Ibama chegaram à estimativa sobre os números do tráfico.

É crime

Transportar e vender animais silvestres sem autorização é crime ambiental. A pena é de três a seis anos e multa entre R$ 500 e R$ 5.000 por animal. A punições variam de acordo com o nível de risco de extinção da espécie. A Lei 9.605, publicada em 1998, descreve quais são os crimes ambientais e o Decreto 3.179, de 1999, regulamenta os valores das multas.

Aquários valiosos

Da Redação
Um dos peixes mais exóticos e cobiçados do mundo é do tamanho de um polegar. É conhecido como zebrinha ou acari. O animal vale o seu próprio peso em ouro no mercado clandestino internacional. Um grupo de 400 mergulhadores atraído pela perspectiva de enriquecimento fácil se aventura todos os dias em profundidades cada vez mais perigosas do rio Xingu, no coração da floresta Amazônica. Voltam à superfície ofegantes, quase sem ar. Tudo para capturar a maior quantidade possível dos peixinhos ‘‘de ouro’’ para vendê-los a donos de aquários ultra sofisticados. Cada mergulho bem sucedido, no entanto, diminui as chances de obter novas capturas. A grande procura pelo Acari originou uma reportagem no jornal americano The New York Times.

José Luiz Freitas da Silva, de 26 anos, está entre os mergulhadores. Ele vive em uma cabana às margens do rio e cultiva uma pequena horta para alimentar a família. Mas depende do peixinho para garantir a maior parte dos rendimentos. O animal pertence à da família dos bagres, listrado de preto e branco ou dotado de manchas brilhantes.

‘‘Todas as semanas, um comerciante de Altamira envia alguém de barco para coletar os peixes que eu capturo’’, disse José Luiz ao New York Times. Ainda molhado dos mergulhos, ele seleciona os peixes, sentado na beira do rio. ‘‘Esta semana peguei várias zebrinhas e devo faturar uns R$ 313’’, calcula satisfeito. O governo brasileiro tem procurado controlar esse comércio para evitar a extinção do peixinho. As medidas de repressão acabaram ajudando na formação de um mercado negro. Os comerciantes clandestinos atendem à demanda crescente pelos peixes nos Estados Unidos, na Europa e no Japão.

‘‘A margem de lucro nesse negócio é obcena e compara-se aos ganhos conseguidos no tráfico de cocaína’’, afirma Horácio Higuchi, especialista em peixes tropicais do Museu Emílio Goeldi, em Belém, ao New York Times. Higuchi conta que enquanto os mergulhadores recebem no máximo R$ 13 por peixe, alguns colecionadores japoneses chegam a comprar um único animal por R$ 1.570.

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