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Cresce a quantidade de animais silvestres resgatados em casas e ruas do DF

on fevereiro 16 | em Fauna na Mídia | by | with No Comments

A aposentada Maria de Fátima encontrou um saruê no pé de acerola de sua casa na região do Tororó

A aposentada Maria de Fátima encontrou um saruê no pé de acerola de sua casa na região do Tororó

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Batalhão Ambiental da Polícia Militar resgatou 2.346 bichos em casas e ruas da capital, no ano passado. A maioria, ofídios e mamíferos, como cobras e saruês. Em 2017, houve 2.183 animais resgatados

A ocupação desordenada de áreas silvestres por condomínios se transformou num cenário favorável para o aumento dos registros de aparecimento de animais em áreas urbanas do Distrito Federal. O Batalhão Ambiental da Polícia Militar resgatou 2.346 bichos em casas e ruas da capital, no ano passado. A maioria, ofídios e mamíferos, como cobras e saruês. Em 2017, houve 2.183 animais resgatados.
Imagina só qual não foi a surpresa da família da Jamile Reis, 34 anos, ao se deparar com um macaco sagui na sala de estar. Na semana passada, Valdetina Antunes, 64, que trabalha na casa dela, estava limpando a residência quando notou algo no cantinho perto do sofá. “Ela achou que era um urso de pelúcia da minha filha. Quando estendeu a mão para pegar, de repente, ele se mexeu, Valdetina quase morreu de susto!”, conta a moradora de Arniqueiras.
A aparição do bicho virou uma novela. Os moradores deixaram todas as janelas abertas para o caso de ele querer sair, além de colocar água em uma vasilha no chão. Em seguida, ligaram para o Batalhão Ambiental e comunicaram o caso. Os integrantes da corporação chegaram para fazer o resgate, mas quem disse que eles conseguiam pegar o macaco? Ele acabou se escondendo num vão entre o rack e a parede. “Os militares, que foram muitos atenciosos e nos deram várias orientações, acabaram indo embora e nos deixando de sobreaviso. Quando meu marido chegou do trabalho, o bichinho estava correndo pela moradia. Só depois de muitas tentativas, a gente conseguiu atraí-lo com comida até uma área verde próxima”, comenta, sorrindo, Jamile, ao se lembrar da situação.
 Abordagem
Quando casos assim acontecem e o animal aparece em casa, a recomendação é isolá-lo no ambiente em que ele foi encontrado e ligar para o Batalhão Ambiental. Crianças, cães e gatos deve ser afastados,  pois a curiosidade pode levá-los a encurralar o bicho e ele reagir. “Ao chegar ao local, a equipe militar avalia a situação e decide a melhor abordagem para o resgate. Podem ser usados equipamentos como pinça, cambão, rede ou pulsar, a depender do porte do animal”, explica Fernanda Echamende, servidora do Instituto Brasília Ambiental (Ibram).
A bicharada parece ter mesmo tomado gosto pelas casas dos brasilienses. A servidora pública aposentada Maria de Fatima Augusto, 65, encontrou dois animais silvestres nos últimos meses no lote da casa dela. Primeiro teve o caso de uma cobra anfisbena, popularmente chamada de cobra-cega ou cobra-de-duas-cabeças, que apareceu no corredor que dá para o quintal da residência. Dessa primeira vez, ela se adiantou: pegou o bicho com uma pá de lixo e levou até um terreno baldio nas redondezas.
No segundo caso, quando achou um saruê em um pé de acerola do lote, dona Maria logo tratou de ligar para o Batalhão Ambiental. “Os latidos insistentes da minha cadela me alertaram. Assim que eu vi o animal em cima da árvore, acionei a polícia, porque esse bicho é muito agressivo. Ele ficou lá a tarde toda até os agentes chegarem. Acho que o bichinho deve ter descido pela minha churrasqueira para entrar lá em casa”, acredita a mulher que mora em uma área arborizada na região do Tororó há sete anos.
Protocolo
Embora grande parte dos animais que ocupam o espaço urbano não seja venenosa, a abordagem inadequada pode deixar o bicho estressado, o que resulta em acidentes. Mesmo o animal não sendo venenoso, acontece de eles transmitirem vírus ou bactérias nas mordidas. “O protocolo é o Batalhão Ambiental ir ao local e realizar uma remoção para colocá-lo numa área de mata ou num centro de tratamento”, reforça Fernanda Echamende.
Em novembro do ano passado, um filhote de jacaré-açu também foi resgatado pelo Batalhão Ambiental do DF. O animal, de 90cm de comprimento, surpreendeu um morador da QL 10, no Lago Sul, que fazia obras em casa. Ele contou aos policiais que seus cachorros acuaram o réptil, que acabou caindo em um buraco no quintal da casa. O bicho, considerado de idade jovem, foi capturado sem se ferir, mas os agentes ambientais encontraram uma lesão antiga em uma das patas. Depois do resgate, o jacaré foi encaminhado ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas), na Floresta Nacional de Brasília.
Quem não teve tanta sorte e se feriu foi um filhote de onça-parda, resgatado na primeira semana deste ano, às margens da BR-251, em São Sebastião. Após ter sido atropelado na pista próximo à ponte do Rio Bartolomeu, ele foi encontrado com vários ferimentos, sendo um mais grave na cabeça. O major José Gabriel de Souza Júnior informou que a onça fêmea, que tem cerca de 1 ano de vida, mede 40cm de altura e pesa 20kg, deve ter se separado do grupo. Durante o resgate, a polícia usou uma haste de metal com uma coleira de couro na ponta. O filhote foi medicado no Cetas e, após se recuperar, encaminhado ao Zoológico de Brasília.
 Alerta
“A ocupação desordenada das cidades é o principal motivo para o problema”, confirma Fernanda Echamende, servidora do Ibram. Isso significa que o aparecimento desses animais em residências e ruas está relacionado, sobretudo, à aproximação da região urbana das áreas de preservação. Quando esse local é ocupado, ele (animal) procura por abrigo e comida.
O diretor de fauna do Instituto Brasília Ambiental, João Bosco Teixeira Sampaio, explica que, além do crescimento excessivo das áreas urbanas, os dias de calor do verão estimulam a reprodução e os deslocamentos. “Os meses quentes são épocas em que os bichos estão circulando atrás de parceiros para reproduzirem, então é muito comum que eles acabem no quintal de alguém. Além disso, lixo orgânico, resto de entulhos podem acabar os atraindo.”
É importante sempre manter a calma na hora de uma aparição inusitada. Na maioria das vezes, a desinformação faz com que a pessoa acabe procedendo de maneira errada, segundo o ambientalista. Por isso, ele reforça que a indicação é de sempre buscar ajuda com o Batalhão Ambiental, para que façam a remoção do animal silvestre e transferência para local adequado.
Para o especialista, não é certo pensar que bichos estão invadindo o DF. Afinal, eles já estavam aqui. “É uma missão quase impossível os órgãos competentes tomarem conta de todos os animais silvestres da região. Sendo assim, a população precisa fazer sua parte. O ideal é que, agora, a gente aprenda a dividir espaço com a bicharada, se adeque à situação. Fomos nós que invadimos a área deles”. João Bosco aponta que um caminho é buscar informações sobre a fauna da capital federal, os hábitos costumeiros dos animais.

SERVIÇO

No caso de qualquer registro de animais silvestres, o proprietário da residência deve acionar o Batalhão Ambiental para fazer a remoção do bicho e a transferência para local adequado. Os números de atendimentos são: Central 190 ou 61-993515736.
Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2019/02/15/interna_cidadesdf,737639/cresce-quantidade-animais-silvestres-resgatados-em-casas-ruas-do-df.shtml
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