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Crescimento desordenado e lixo em excesso afetam saúde de jacarés em Manaus, AM

on setembro 6 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

De acordo com pesquisador, já foram encontrados sacos de lixo de até 100 litros em estômagos de jacarés, além de camisinha, vidro e seixo.

04/09/2016 às 10:17 – Atualizado às 11:01
Luana Carvalho -“A Crítica” de Manaus, AM

 

Pesquisador explica que animais sentem cheiro de lixo e comem qualquer coisa, principalmente o que for mais abundante. Foto: Euzivaldo Queiroz

Pesquisador explica que animais sentem cheiro de lixo e comem qualquer coisa, principalmente o que for mais abundante.
Foto: Euzivaldo Queiroz

 

Divulgação. Foto: Euzivaldo Queiroz

Divulgação.
Foto: Euzivaldo Queiroz

 

Manaus é uma das poucas cidades no mundo, além do Rio de Janeiro e da Flórida – nos Estados Unidos – onde é possível observar jacarés na área urbana.

Cortada por centenas de igarapés, a capital amazonense abriga aproximadamente de um a dois crocodilianos por quilômetro e chamam a atenção da população, mesmo que tais aparições sejam completamente normais, uma vez que eles estão em seu habitat natural.

Porém, apesar de visualmente serem saudáveis e bem alimentados por conta do volume abdominal, os animais sofrem com o crescimento urbano desordenado e com o lixo nos igarapés. O volume no estômago, por exemplo, muitas vezes é lixo acumulado, conforme explica o professor e doutor em crocodilianos Ronis Da Silveira, da Universidade Federal, do Amazonas (Ufam).

“Eles parecem animais gordos, mas aquilo geralmente é saco plástico, porque como eles tem um olfato muito desenvolvido e em termos de dieta são animais generalistas e oportunistas, sentem o cheiro no lixo e comem qualquer coisa e o que for mais abundante”, afirma.

De acordo com o especialista, os pesquisadores observam muitos sacos plásticos boiando na água com algum tipo de alimento. “São restos de frango, peixe ou carne. O animal sente esse cheiro e engole toda o saco de lixo. Este plástico não sai mais porque não é digerido pelo instestino do animal e vai se acumulando. Temos uma técnica de retirar o alimento do animal sem matá-lo e já encontramos sacos de até 100 litros”, conta Ronis Da Silveira.

Além de saco plástico, camisinha, vidro e seixo de construção civil são comuns de serem encontrados nos estômagos dos jacarés.

O especialista explica, ainda, que as interferências humanas também causam problemas hormonais e reprodutivos aos animais. “Como estão em um ambiente modificado, passam a ter problemas hormonais causados por estresse, que acaba afetando negativamente a reprodução dos animais”, conta.

Controle de pragas

Além do resto de comidas encontradas no lixo jogado nos igarapés, os roedores também são a principal fonte de alimento dos jacarés urbanos. “Como vivem em locais muito sujos e poluídos, existe um acúmulo grande de ratos, principal fonte de alimento. Isso é uma coisa boa, porque de uma certa forma eles devem estar controlando as populações de ratos”, explica Ronis.

Recentemente os pesquisadores descobriram também que o jacaré é o único predador do caramujo africano, vetor de doenças infectocontagiosas.

Duas espécies vivem em meio urbano

Existem quatro espécies de jacarés na Amazônia, no entanto, apenas duas espécies são encontradas na área urbana. Temos duas espécies de jacarés no município de Manaus, “A principal das espécies é o jacarétinga, mais amarelado, bicho de áreas abertas.

Também tem um que chamamos de jacaré-pedra, ou jacaré-coroa, originário da floresta, do igarapé de terra firme e que com a urbanização, vão se tornando visíveis”, explicou Ronis Da Silveira.

Segundo o doutor em crocodilianos, estas espécies não oferecem riscos por serem de porte pequeno. “O que causa mais espanto e medo é o jacaré-açu, mas este quase não é encontrado em área urbana. Eles dificilmente saem para atacar, mas é claro que é preciso ter cuidado com cachorros e crianças abandonadas, que podem ser atacadas por um animal com um porte de dois metros. Porém, com um adulto, se manter uma certa distância, não é arriscado”.

Matar o animal é crime ambiental

Os animais também são vítimas de maus tratos, principalmente em épocas de chuva, onde os igarapés costumam transbordar e os animais, algumas vezes, vão para a pista. Além disso, também são vítimas de famílias que constroem suas casas nas margens dos igarapés. Neste caso, Ronis alerta para os procedimentos a serem tomados.

“Tem que tomar muito cuidado porque matar um bicho deste é um crime ambiental. Se o animal estiver num local onde ele não oferece nenhum risco à população, melhor coisa é deixar ele lá. Quando acharem que ele está oferecendo algum risco, seja na pista ou em uma calçada, a melhor coisa a fazer é acionar as autoridades ambientais”, diz

 

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