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Desmatamento e doenças ameaçam pandas vermelhos

on agosto 29 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

29/08/2015
Folha de São Paulo
Por JAMES GORMAN, para o The New York Times

 

Um filhote de panda vermelho está sendo pesado no Instituto Smithsonian Conservation Biology em Front Royal, Va. Foto: Drew Angerer para The New York Times

Um filhote de panda vermelho está sendo pesado no Instituto Smithsonian Conservation Biology em Front Royal, Va.
Foto: Drew Angerer para The New York Times

 

Rusty, um panda vermelho que escapou de um zoológico de Washington e hoje está no Instituto Smithsoniano de Biologia da Conservação. Foto: Drew Angerer para The New York Times

Rusty, um panda vermelho que escapou de um zoológico de Washington e hoje está no Instituto Smithsoniano de Biologia da Conservação.
Foto: Drew Angerer para The New York Times

 

Um panda vermelho atinge 60 cm de altura, sem contar a cauda peluda e listrada. Foto: Drew Angerer para The New York Times

Um panda vermelho atinge 60 cm de altura, sem contar a cauda peluda e listrada.
Foto: Drew Angerer para The New York Times

 

O Instituto de Conservação da Smithsonian Biologia faz um grande esforço para brecar o declínio da espécie.  Foto: Drew Angerer para The New York Times

O Instituto de Conservação da Smithsonian Biologia faz um grande esforço para brecar o declínio da espécie.
Foto: Drew Angerer para The New York Times

 

FRONT ROYAL, Virgínia – Os cinco filhotes de panda vermelho do Smithsonian Conservation Biology Institute (Instituto Smithsonian de Biologia da Conservação) são alimentados com mamadeira e, quando em pé, se mostram sonolentos e vacilantes. Com máscaras no rosto e pelagem macia, eles emitem discretos guinchos.

A literatura científica reflete o charme do panda vermelho. Em 1825, Frédéric Cuvier considerou-o “o mamífero mais bonito que existe”. Uma das especialistas na espécie, Angela Glatston, descreveu o animal como “uma criatura de grande beleza”, apesar de “extravagantemente vestida de marrom, chocolate e creme”. Os pandas vermelhos já foram caracterizados como uma mistura de raposa, guaxinim, urso, cão e gato.

No entanto, por mais adoráveis que sejam, os pandas vermelhos estão em apuros.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avalia o estado de populações selvagens de animais, estima que cerca de 10 mil espécimes vivam na natureza, em duas subespécies, ambas em montanhas numa estreita faixa que vai do oeste da China ao Nepal. Hoje, esses animais estão ameaçados principalmente pelo desmatamento e por doenças.

Glatston dirige o programa global de gestão dessa espécie, mantido pela Associação Mundial de Zoológicos e Aquários. Ela disse que zoos do mundo todo, fora da China, mantêm cerca de 500 pandas vermelhos, que são reproduzidos na tentativa de manter uma população “reserva” diante da ameaça aos pandas vermelhos selvagens. Pandas criados em cativeiro poderiam, teoricamente, ser introduzidas na natureza se for necessário. São esses pandas, basicamente, que são estudados, já que é muito difícil observá-los na natureza. “São animais misteriosos”, disse Elizabeth Freeman, bióloga da Universidade George Mason, na Virgínia.

Os pandas vermelhos têm menos de um metro de comprimento quando adultos, sem contar sua espessa cauda listrada. Eles são feitos para o clima frio e até as solas de suas patas são felpudas.

A IUCN os considera uma espécie vulnerável.

Eles vivem em florestas mistas, com vegetação rasteira de bambu, a uma altitude de 1.400 a 4.500 metros, segundo Freeman. Trata-se de um nicho ecológico limitado e, a exemplo dos pandas gigantes, eles se alimentam basicamente de bambu, embora aparentemente complementem a dieta com ovos, pequenas aves e insetos.

Apesar de às vezes serem chamados de “pandas menores”, eles foram relatados pela primeira vez por ocidentais décadas antes da descoberta do panda gigante, em 1869. “Na verdade, o panda gigante é um urso, e este é o único panda”, diz Glatston.

O Smithsonian abriga a maior colônia de pandas vermelhos da América do Norte, com 17 espécimes. Os pesquisadores fazem estudos sobre saúde e comportamento dos animais em colaboração com uma instituição de Chengdu, na China, que tem cerca de cem exemplares.

Um dos problemas na manutenção das populações é a reprodução em cativeiro. Apenas cerca de metade dos filhotes sobrevive, e pesquisadores dizem que isso provavelmente ocorre porque as mães não fornecem leite suficiente ou não cuidam corretamente da prole nessas condições.

Freeman e seu colega Copper Aitken-Palmer estão na China para fazer um levantamento da saúde do panda e estudar seu comportamento. Aitken-Palmer disse que resultados preliminares mostram que doenças dentais são um problema, bem como as caudas fraturadas e algumas alterações inexplicáveis nos níveis de vitaminas e minerais. “É difícil dizer o que é normal”, disse ela.

Os pandas vermelhos em estado selvagem enfrentam ameaças decorrentes da expansão das populações humanas, o que inclui perda de habitat e doenças, principalmente a cinomose, transmitida por cães domésticos.

Há algumas iniciativas de conservação na China, mas a única organização ocidental dedicada especificamente ao animal é a pequena ONG Red Panda Network, com sede em Katmandu e San Francisco, que trabalha para proteger a espécie no Nepal.

Nancy Whelan, integrante da ONG, disse que o grupo criou um programa de vigilância florestal que emprega 54 nativos na tarefa de monitorar a população de pandas vermelhos e as potenciais ameaças. Eles se aliaram a comitês de aldeões que administram as chamadas florestas comunitárias.

Junto a organizações locais, a rede está apoiando a criação de uma área de preservação florestal num corredor de fauna no leste do Nepal. Segundo Whelan, “25% da população de pandas vermelhos do Nepal está se deslocando por esse corredor”.

Parte da perda de habitat pode estar além da capacidade de controle local. “Acho que, lá na frente, o que pode acabar com eles é a mudança climática”, disse Freeman.

“Como eles estão num nicho muito pequeno no Himalaia, e como a mudança climática aquece essa área e empurra essa população para altitudes mais elevadas, eles provavelmente vão perder habitat mais rápido do que sua capacidade de adaptação.”

 

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