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Diário de Pernambuco – Comércio ilegal de animais usa aeroporto como rota

on novembro 13 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Guararapes é apontado em relatório entregue ontem a ministério

Relatório entregue ontem ao Ministério do Meio Ambiente pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) coloca Pernambuco em lugar de destaque nas atividades ilegais de captura e exportação de espécimes nativos. De acordo com o levantamento da Renctas, o Aeroporto dos Guararapes faria parte de uma das principais rotas de escoamento de animais para o Exterior. O estudo não faz um ranking dos Estados que mais contribuem para o tráfico, mas estima que em todo o País cerca de 38 milhões de animais sejam retirados na natureza a cada ano – número três vezes maior do que se pensava anteriormente.

A bióloga Flávia Murad, que acompanhou o levantamento, explica que é difícil quantificar a participação de cada Estado neste tipo de crime. “Isso porque é muito comum que os animais sejam capturados em um lugar e vendidos ou exportados em outro”, afirma. A bióloga fala de um exemplo que deixa bem demonstrada a mobilidade dos traficantes. “O sagüi do Nordeste já foi tão traficado que já virou umaespécie comum também no Sudeste”.

Pernambuco participa do tráfico com a captura principalmente de pequenos pássaros e primatas, a exemplo dos sagüis, que são enviados para outros estados ou exportados diretamente pelo Aeroporto dos Guararapes. Outra forma de participação nesse mercado negro é como escoadouro de espécies típicas da região Norte, servindo de entreposto para o eixo Sul/Sudeste ou mesmo para o Exterior. Lá fora, os animais são vendidos principalmente para colecionadores particulares, lojas de animais e laboratórios científicos.

Fama – Tanto que o Recife aparece no relatório da Renctas como uma das cidades brasileiras que ganharam fama no Exterior como fornecedoras da fauna silvestre para o mercado ilegal – uma das únicas duas capitais da lista, junto com Cuiabá, no Mato Grosso. As outras cidades citadas são Milagres, Feira de Santana Cipó e Vitória da Conquista, na Bahia; Almenara, em Minas Gerais; Belém e Santarém no Pará. Existem cerca de 400 quadrilhas especializadas na atividade em todo oPaís, sendo que 40% delas também têm ligação com o tráfico de drogas.

Os dados utilizados neste levantamento foram coletados junto aos batalhões de polícia florestal, órgãos governamentais, Polícia Federal e até com os próprios traficantes, que passaram algumas informações sobre as rotas mais utilizadas. Estima-se que o comércio ilegal de animais brasileiros movimente até US$ 1 bilhão por ano, cifra para a qual o mercado de exportação é o principal contribuinte. Enquanto um mico leão dourado pode ser vendido por até R$ 500,00 dentro do País, na Europa o seu preço alcança facilmente os US$ 20 mil. A superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Pernambuco, Maria do Carmo Silva, preferiu não comentar o assunto por ainda não ter tomado conhecimento sobre os dados do relatório.

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