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A Crítica – Tráfico de 38 milhões de animais

on November 13 | in FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

SÃO PAULO (AE) – Todos os anos são capturados 38 milhões de animais silvestres no Brasil, número bem acima da estimativa oficial de 2 milhões, mostra levantamento da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), entregue ontem ao ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e ao presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), Hamilton Casara, em Brasília. A informação estám no 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre, trabalho que envolveu uma equipe de 16 pessoas, durante um ano e meio, e mostrou que esse comércio ilegal movimenta no País US$ 1 bilhão por ano (cerca de R$ 2,5 bilhões).

O trabalho, coordenado pela bióloga Flávia Murad, traz as principais rotas e os métodos utilizados pelos traficantes, os principais pontos de coleta e de venda, além dos motivos e as espécies mais traficadas. “Pela primeira vez temos um documento concreto para começar a resolver um problema que existe há 500 anos no Brasil”, disse Dener Giovanini, coordenador geral da Renctas.

Segundo Giovanini, 60% dos animais capturados são comercializados no mercado interno e 40% vão para o exterior. Pelo levantamento da Renctas, as espécies traficadas vão para quatro tipos de destinatários: colecionadores particulares, indústrias químicas e farmacêuticas (biopirataria), artesanato e pet shops. “É difícil dizer qual é a mais danosa, pois se os pet shops representam os maiores volumes, os colecionadores compram espécies que estão acabando”, explica.

Quanto mais rara a espécie, maior o valor de comercialização. “Um filhote de jibóia é vendido por algo entre US$ 800 e US$ 1 mil nos Estados Unidos”, diz o coordenador da Renctas. Para a biopirataria, são destinados principalmente animais venenosos, como aranhas, cobras, escorpiões e sapos amazônicos, enquanto o artesanato utiliza partes de animais, como penas, ossos, garras, dentes e peles. Nos pet shops, são vendidos araras, papagaios, tucanos, pássaros de canto e peixes ornamentais, que chegam a custar US$ 1,5 mil.

“É o terceiro comércio ilegal do mundo – atrás somente das drogas e das armas –, com a agravante que, de cada dez animais nove morrem durante a captura e transporte”.

As principais rotas de tráfico partem do Norte (Amazonas e Pará), Nordeste (Maranhão, Piauí, Pernambuco e Bahia) e Centro-Oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). De lá, os animais são levados para o Sudeste (São Paulo e Rio de Janeiro) e Sul (Paraná e Rio Grande do Sul), onde são vendidos em feiras livres ou exportados por meio de portos e aeroportos.

Os destinos internacionais, segundo Giovanini, são Estados Unidos, Europa (Portugal, Espanha, Alemanha, Holanda, Suíça, Itália e França) e Ásia (Japão e Cingapura). Existe ainda uma rota importante de retirada de animais silvestres brasileiros pelas fronteiras dos Estados da Amazônia com países como Guiana, Venezuela, Colômbia, Suriname e Guiana Francesa, onde recebem documentação falsa.

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