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Diário de Cuiabá – Pintor é preso carregando pássaros

on April 24 | in FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Vinte e oito exemplares da fauna mato-grossenses estavam sendo carregados em bagagem sem ventilação

RODRIGO VARGAS

Da Reportagem

O pintor desempregado Antônio Czorni Joaquim Filho foi preso ontem quando tentava sair do Estado com 28 pássaros da fauna silvestre mato-grossense. Ele viajava em um ônibus que seguia para Ribeirão Preto (interior de São Paulo), quando foi descoberto por uma blitz conjunta das polícias Militar, Federal e Rodoviária Federal, na BR-364 – próximo ao Posto Fiscal Flávio Gomes.

Todas as circunstâncias levam a Polícia a acreditar que se trata de mais um emissário da indústria do tráfico de animais silvestres – que somente no ano passado faturou US$ 1 bilhão com a depredação da biodiversidade brasileira.

Os animais – curiós, pintassilgos e uma patativa – estavam acondicionados na bagagem de mão do passageiro, em pequenas gaiolas, sem qualquer ventilação. “Eles costumam transportar muitos, porque a mortalidade neste tipo de transporte é alta”, comentou o conciliador do Juizado Volante Ambiental (Juvam), Anderson de Figueiredo. “Se chegasse intacta ao destino, esta carga renderia entre R$ 10 e 20 mil”.

Joaquim Filho será indiciado por crime contra a fauna, conforme o artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais (nº9605/98). Mas responderá a processo em liberdade. “Ele não paga nem multa”, lamentou o conciliador, que gostaria de ver punições mais severas para este tipo de crime. “A pena não se equipara à gravidade do crime”.

Em depoimento à Delegacia de Defesa da Natureza, Joaquim Filho se defendeu alegando que pretendia apenas criar os animais. “Sou criador e gosto de pássaros. Me ofereceram e eu paguei R$ 100 para levar todos. Não pretendia vender de jeito nenhum”.

Ele disse ter feito a viagem de Ribeirão Preto a Mato Grosso há dois meses. Mas sua intenção seria apenas fazer turismo. “Peguei o ônibus até Pontes e Lacerda e me mandei para aqueles matos. Não conhecia nada por lá”, relatou.

Uma fita K7 encontrada em sua bagagem, no entanto, poderá desmentir esta versão. Ela contém a reprodução do canto das espécies mais valorizadas e é usada (juntamente com um sistema de som movido à pilha) para atraí-las para a captura. “Comprei essa fita porque gosto de ouvir o canto”, rebateu.

ALVO – De acordo com relatório da ong Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), o tráfico de animais retira anualmente 12 milhões de animais da fauna silvestre brasileira. Os animais mais visados são as aves, os primatas e os insetos.

Ainda segundo a ong, de cada 10 animais retirados de seu habitat, apenas um chega nas mãos do comprador final. O restante morre a caminho.

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