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Eco Viagem – Renctas e Fundação SOS Mata Atlântica criam "União pela fauna da Mata Atlântica"

on November 9 | in FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Uma visão do paraíso! Assim definiram a Mata Atlântica os viajantes portugueses que por aqui estiveram no século XVI.

Um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo, onde vivem de 15% a 20% de todas as espécies animais e vegetais do planeta, a Mata Atlântica ocupava, originalmente, 1.360.000 km2, o equivalente a 15% do território brasileiro.

Embora reduzida a menos de 10% de sua cobertura original, a Mata Atlântica é considerada um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo, ou seja, nela vivem inúmeras e variadas espécies de animais e vegetais. A gigantesca biodiversidade é uma significativa contribuição à medicina, agricultura, indústria e ao equilíbrio ecológico do planeta.

Apesar de sua importância, a Mata Atlântica e sua fauna vêm sendo constantemente assaltadas, o que traz graves conseqüências ao equilíbrio ambiental no planeta.

Com a finalidade de desenvolver um amplo programa de conservacão dos animais silvestres da Mata Atlântica, a Fundação SOS Mata Atlântica e a Renctas estabelecem a parceria, visando o desenvolvimento conjunto de projetos e atividades em benefício da conservação da fauna existente no bioma.

Para Dener Giovanini, coordenador-geral da Renctas, “uma casa vazia é muito triste, assim como não ter onde morar. Essa parceria será um marco, pois une duas instituições com os mesmos objetivos, mas com ações que se complementam. Vamos aliar a questão da fauna e da flora, numa visão holística, abrangendo a totalidade da biodiversidade”.

Para Márcia Hirota, diretora de projetos especiais da Fundação SOS Mata Atlântica, “a parceria abre um novo campo de atuação para a SOS. Apesar de ser um tema prioritário para a entidade, ela nunca havia atuado mais diretamente na questão da fauna.

Vemos na Renctas, que atua exclusivamente com o tema, a parceira ideal para uma atuação de conservação da fauna, através de atividades de educação ambiental e sensibilização das pessoas quanto a conservação das espécies”.

“União pela Fauna da Mata Atlântica” – Programa Nacional para Conservação da Fauna da Mata Atlântica

Para a conservação da diversidade da fauna da Mata Atlântica, a RENCTAS e a SOS Mata Atlântica, duas importantes organizações não governamentais brasileiras, criaram a “União pela Fauna da Mata Atlântica”, com a finalidade de implementar um Programa Nacional para Conservação da Fauna da Mata Atlântica, visando o desenvolvimento de um conjunto de projetos e atividades em benefício da conservação e contra o tráfico de animais silvestres.

Essa iniciativa também pretende incentivar o estabelecimento de novas parcerias, somando esforços e potencializando as estratégias de ação em favor da proteção da biodiversidade do bioma.

Um dos grandes problemas da Mata Atlântica é o tráfico de animais silvestres. A grande diversidade de animais silvestres constitui um atrativo econômico, uma fonte fácil de dinheiro, sem que se perceba o impacto social causado pelo tráfico.

A comunidade científica acredita que, atualmente, o comércio de animais silvestres é a segunda principal causa de redução populacional de várias espécies, ficando atrás apenas da redução de seu habitat.

O tráfico de animais silvestres, considerada a 2a. maior atividade ilícita e lucrativa do mundo, perdendo somente para o tráfico de armas e drogas, consideradas como única atividade, vem ganhando uma dimensão maior, a medida que estudos apontam para o impacto ambiental causado pelo extermínio de espécies, devido ao comércio ilegal. Apesar disso, o Brasil não possui um banco de informações sistematizada ou estatística por parte dos órgãos governamentais responsáveis pela fiscalizacão desse comércio.

A “União pela Fauna da Mata Atlântica” irá implementar o Programa Nacional para Conservação da Fauna da Mata Atlântica com objetivos de:

– implantar um banco de dados e sistema de monitoramento dos animais silvestres e os ameaçados pelo tráfico na Mata Atlântica;

– produzir mapas, listas, relatórios e materiais didáticos e informativos;

– desenvolver programas de educação ambiental, voluntariado e campanhas de mobilização;

– desenvolver programas para políticas públicas.

Dados sobre a Fauna da Mata Atlântica

Em conjunto, os mamíferos, aves, répteis e anfíbios que ocorrem na Mata Atlântica somam 1.807 espécies, sendo 389 endêmicas, o que significa que o bioma abriga 7% das espécies conhecidas no mundo nesses grupos de vertebrados. Por outro lado, apresenta elevado número de espécies ameaçadas de extinção.

Entre as 1050 espécies de aves, 10% das espécies encontradas no bioma se enquadram em alguma categoria de ameaça, chegando a 104 espécies em vias de extinção; no caso de mamíferos, em número de 250, as espécies ameaçadas de extinção atingem aproximadamente 14%.

Os ecossitemas aquáticos da Mata Atlântica possuem fauna de peixes rica e variada, associada, de forma íntima, à floresta que lhe proporciona proteção e alimento, num total de 350 espécies. O traço marcante dessa fauna é seu grau de endemismo, resultante do processo de evolução histórica das espécies em área geomorfologicamente isolada das demais bacias hidrográficas brasileiras.

A Mata Atlântica concentra 340 espécies de anfíbios, o que corresponde a cerca de 65% das espécies brasileiras conhecidas. No caso dos répteis, das 470 espécies encontradas no Brasil, 197 estão representadas na Mata Atlântica, o que equivale a 42% de todas as espécies conhecidas no país.

O que mais impressiona é a enorme quantidade de espécies endêmicas, aquelas que só ocorrem numa determinada região. É o caso de 55 espécies de mamíferos, 188 de aves, 60 de répteis, 90 de anfíbios e 133 de peixes. Apesar dessa riqueza , a situação é extremamente grave, pois das 202 espécies animais ameaçadas de extinção no Brasil, 171 são encontradas na Mata Atlântica.

Apesar da fauna permanecer rica em espécies, as populações encontram-se atualmente representadas por um número reduzido de indivíduos. Algumas espécies já foram completamente extintas em locais onde abundavam há pouco tempo atrás devido à destruição do habitat e à caça/retirada para o comércio.

Entidades

A Renctas- Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres – é uma organização sem fins lucrativos, que tem como meta unir esforços dos setores público, privado e da sociedade, através de organizações do terceiro setor, para combater o tráfico ilícito da fauna silvestre.

Criado em 1999, tem como principal objetivo combater o tráfico de animais silvestres, através do desenvolvimento de diversas ações de combate ao tráfico, entre elas a realização de campanhas nacionais e internacionais de conscientização, cursos, treinamentos e workshops para a capacitação e qualificação de agentes responsáveis pela fiscalização ambiental, apoio e desenvolvimento de projetos de pesquisa e conservação da fauna, elaboração de bancos de dados, programas de controle e suporte às operações de fiscalização e elaboração de relatórios sobre essa atividade criminosa.

A Renctas formalizou diversas parcerias com o setor público e privado, como o Termo de Coorperação Técnica com o IBAMA, que visou o estabelecimento de canais permanentes para a troca de informações e apoio mútuo.

As atividades da Renctas são realizadas por profissionais que atuam nas áreas de conservação da natureza, informação, treinamento e capacitação, educação ambiental, divulgação e desenvolvimento institucional.

Atualmente, a Renctas recebe aproximadamente 30 denúncias por dia, o que permite um mapeamento de novas rotas de tráfico, pontos de comércio e levantamento dos envolvidos nessa prática criminosa.

Entre suas atividades, em 2001 lançou o I Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre. Realizou 16 workshops em 16 estados brasileiros, onde foram capacitados 2845 agentes, entre policiais federais, civis, militares e dirigentes de ong´s, além de técnicos do Ibama.

Com quatro anos de funcionamento, possui mais de 588 instituições filiadas e quase 31.000 membros pessoas físicas, além de um quadro de 300 profissionais das áreas de ciências ambientais, que se colocam como voluntários para atuar em campanhas e operações contra o tráfico de animais.

A Fundação SOS Mata Atlântica é uma entidade privada, sem vínculos partidários ou religiosos e sem fins lucrativos. Sua missão é promover a conservação da diversidade biológica e cultural da Mata Atlântica para as presentes e futuras gerações, estimulando ações para o desenvolvimento sustentável.

Criada em 1986 por ambientalistas, cientistas, empresários e jornalistas, tem como principais objetivos defender os remanescentes da Mata Atlântica, valorizar a identidade física e cultural das comunidades humanas que os habitam e conservar os riquíssimos patrimônios natural, histórico e cultural dessas regiões, buscando o seu desenvolvimento sustentado.

O desenvolvimento de seus trabalhos ao longo de quinze anos de existência vem sendo realizado por um corpo de profissionais atuando em seis linhas estratégicas: áreas de políticas públicas; campanhas; documentação, informação e comunicação para conservação; educação ambiental e cidadania; desenvolvimento institucional; e desenvolvimento sustentável, proteção e manejo de ecossistemas.

A SOS Mata Atlântica desenvolve projetos de educação ambiental, recursos hídricos, monitoramento da cobertura florestal vegetal da Mata Atlântica por imagens de satélite, ecoturismo, produção de mudas de espécies nativas, políticas públicas, aprimoramento da legislação ambiental, denúncia contra agressões ao meio ambiente, apoio à gestão de unidades de conservação, banco de dados da Mata Atlântica, entre outros.

A SOS Mata Atlântica conta com quase 70 mil sócios. Além de seu principal trabalho, o Atlas dos remanescentes florestais e ecossistemas associados da Mata Atlântica, desenvolvido em conjunto com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a Fundação dispõe de Banco de Dados da Mata Atlântica, promoveu encontros, workshops e seminários, publicou livros, vídeos, mapas e relatórios.

Realiza projetos que visam incentivar a formação de grupos para desenvolvimento de trabalhos e ações no meio ambiente urbano, tais como “Observando o Tietê”, “Observando o Ribeira” e o “Plantando Cidadania”, através de seus grupos de voluntários. Tendo o região do Lagamar – Complexo estuarino lagunar de Iguape-Cananéia-Paranaguá, localizada no Vale do Ribeira, como prioridade, a SOS possui uma Base Urbana no município de Iguape, que conta com um Centro de Interpretação Ambiental e Informações Turísticas.

Recentemente, concluiu o trabalho de elaboração do Plano de Gestão Ambiental da Área de Proteção Ambiental (APA) do Cairuçu e da Reserva Ecológica de Juatinga, em parceria com IBAMA, IEF-RJ e Prefeitura Municipal de Paraty. Também desenvolve atividades com as comunidades tradicionais da região de Guararu (Guarujá-SP), onde está implantando a segunda Estrada Parque do país.

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