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Estadão – Tráfico de animais rende R$ 2,5 bi ao ano

on November 13 | in FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

DEMÉTRIO WEBER

Estudo mostra que, anualmente, 38 milhões de bichos são retirados das matas do País.

BRASÍLIA – O tráfico de animais silvestres no Brasil retira anualmente da natureza 38 milhões de seres vivos, num comércio ilegal que movimenta R$ 2,5 bilhões ao ano, estima o 1.º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre, divulgado ontem. A atividade envolve traficantes de drogas, utiliza a Internet e é beneficiada pela falta de estrutura da fiscalização pública.

“Existem no País entre 350 e 400 quadrilhas de traficantes de animais, sendo 40% delas ligadas ao narcotráfico”, disse Dener Giovanini, coordenador-geral da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), entidade responsável pelo estudo. Segundo ele, os dois tipos de traficantes compartilham esquemas de segurança e rotas de distribuição.

Ele critica a falta de articulação entre os órgãos governamentais de fiscalização, a carência financeira para fazer frente ao tráfico e a polícia. “Os crimes contra a fauna são considerados um mal menor por autoridades policiais e juristas”, disse ele, defendendo programas de educação ambiental.

Rota – Divulgado na sede do Ministério do Meio Ambiente, o relatório mostra que os animais são retirados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, daí seguindo para o Sul e o Sudeste, de onde são enviados para a América do Norte, a Europa e a Ásia.
Quem faz a captura são garimpeiros, índios, pequenos agricultores e peões que complementam sua renda com a venda dos espécimes em feiras ou na beira de estradas. Os animais são transportados para centros urbanos por caminhoneiros, motoristas de ônibus e barqueiros, até chegar a traficantes que se encarregam da conexão com o mercado internacional. “Alguns zoológicos e criadouros possivelmente participam dessa etapa”, afirma o relatório.

A organização não-governamental Renctas identificou 4.892 anúncios de compra, venda e troca ilegal de animais silvestres, a maioria aves e répteis, na Internet em 1999. No mundo, o tráfico gera US$ 15 bilhões por ano.
Mercado – Na outra ponta dessa indústria de devastação da fauna, estão os compradores – pessoas em busca de bichos de estimação, colecionadores, estilistas de moda e até laboratórios farmacêuticos em busca de princípios ativos para novos remédios, a chamada biopirataria. Por causa da precariedade de apreensão e transporte, a maioria morre antes da venda: apenas 4 milhões dos 38 milhões de animais são comercializados.

Além de contribuir para a extinção de espécies, o comércio ilegal apresenta o risco de transmissão de doenças. Afinal, os animais vendidos não passam por controle sanitário. O tráfico de animais é punido com prisão de 6 meses a 1 ano, além de multas de até R$ 5.500 por exemplar apreendido. O relatório foi preparado a partir de questionários enviados a todos os órgãos ambientais do País.

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