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Folha do Meio Ambiente Arara-azul-de-lear na lista de extinção

on May 1 | in FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Andréa Amorim

Araras azuis baianas estão desaparecendo do raso da Catarina

As cento e cinqüenta araras azul de lear que ainda restam no Raso da Catarina na Bahia, estão com tempo de vida contado. Se o governo não reagir e combater o tráfico desta espécie, a previsão é de que nos próximos dois anos a arara azul de lear entre de vez para lista de animais já extintos. A informação é da Rede de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (RENCTAS), a mesma que na Semana Santa entrou com uma ação no Ministério Público Federal, exigindo do IBAMA uma atitude mais séria diante do assunto. Nesta época, costuma acontecer a reprodução das araras e é quando jovens e adultos desocupados aproveitam a oportunidade para capturar exemplares da espécie ainda no ninho.

A arara-azul-de-lear está ameaçada em função das atividades de comércio ilegal de indivíduos da sua espécie. Ao contrário de outros animais, que dependem do meio ambiente e morrem por que não conseguem sobreviver quando o seu habitat natural é transformado, a arara tão cedo não será ameaçada por estes motivos. O Raso da Catarina é um dos poucos locais onde o homem ainda não se atreveu a urbanizar. Lá falta água e o solo é pobre em nutrientes, além de ser uma região acidentada, de difícil acesso.

Mesmo com tanta dificuldade imposta pela natureza, a arara continua alvo da cobiça dos sertanejos. Uma prova disso é a redução em 95% do número de araras na região, em menos de dez anos. Dos 4 mil indivíduos, segundo a última estatística realizada em 90, sobraram apenas 5%. De agora em diante, o desaparecimento tende a acelerar. Mais rara na natureza, mais valorizada no mercado, a arara-azul-de-lear é um produto como outro qualquer, segue a mesma lógica mercadológica, conhecida como a lei da oferta e procura.

A busca

A corrida atrás de exemplares da espécie chega a ser cruel. Pendurados em cordas, em penhascos de até dez metros de altura, os predadores arriscam suas vidas para obter dois a três indivíduos e garantir um trocado até cem vezes mais barato do que o valor deles no mercado internacional. Localizada na base da rota, estas pessoas ocupam um lugar insignificante na pirâmide, do mesmo nível do conhecido “vapor” do tráfico de drogas. São explorados socialmente e mais visados pela polícia. Não escondem da comunidade onde vivem, a natureza da atividade que exercem. Seus instrumentos de trabalho, como corda e pregos, ficam depositados nas fendas dos penhascos e qualquer pessoa que passe pelo Raso da Catarina pode observá-los. Foi dessa forma que um grupo de biólogos e veterinários em visita ao local, conheceu o modo como traficantes operam na região e denunciou no site da Renctas. Este mesmo grupo também foi ameaçado de morte pelos traficantes. Segundo os biólogos, eles conhecem a lei de crimes ambiental e as penalidades impostas por ela às pessoas que se aventuram comercializar animais silvestres.

Despreparo

Duas semanas antes da ação no Ministério Público, a Rede já havia alertado ao Departamento de Fiscalização do Ibama (DEFIS) sobre a situação das araras no Raso da Catarina. A falta de recursos para mobilizar uma equipe de técnicos ao local adiou o projeto do Ibama. Insatisfeitos com a demora, ambientalistas da Renctas utilizaram os meios legais para evitar mais um desastre ecológico. A ação obrigou o Ibama providenciar uma equipe de técnicos e enviá-la ao local.

A equipe prendeu oito traficantes que por falta de condições financeiras não pagaram as multas de quinhentos reais relativa cada exemplar de arara capturado. Para compensar, os técnicos do Ibama agiram de forma cruel com os traficantes ao obrigá-los a andar descalço na areia quente no local da apreensão. Os cachorros de caça que acompanhavam os traficantes também foram assassinados e a atitude dos fiscais revoltou ambientalistas da Renctas. Os últimos noticiários sobre o assunto focou as atenções em cima do despreparo da equipe do Ibama e enquanto isso, as araras continuam presa fácil de traficantes e os chefes das quadrilhas soltos.

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