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Folha Online – Brasil teme invasão por riquezas naturais

on May 6 | in FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Pesquisa do Ibope diz que 75% dos entrevistados temem que país seja invadido e 57% não confiam nas ONGs

SILVIO NAVARRO da Agência Folha, em Brasília

THIAGO GUIMARÃES da Agência Folha

Um levantamento divulgado ontem pela Renctas (Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres), em parceria com o Ibope, aponta que, para 75% dos brasileiros, o país corre o risco de ser invadido por outros devido às suas riquezas naturais.

A pesquisa mostra que 19% descartam a possibilidade de uma invasão estrangeira e 6% não souberam responder ou não opinaram.

O objetivo da pesquisa, segundo o instituto, era “levantar opiniões relacionadas ao tráfico de animais silvestres e a questões ambientais”.

O Ibope entrevistou 2.002 pessoas maiores de 16 anos, entre os dias 8 e 13 de abril. Foram selecionados 143 municípios em todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança estimado é de 95% (se a pesquisa fosse repetida cem vezes, 95 delas dariam o mesmo resultado).

O temor de uma intervenção estrangeira nas florestas é maior entre os mais jovens, aqueles que possuem ensino médio, e com renda familiar variável de cinco a dez salários mínimos. Os mais velhos e com baixo poder aquisitivo formam a maioria dos que não opinaram. A parcela dos que rechaçam essa hipótese é distribuída homogeneamente.

A mesma sondagem questionou os entrevistados sobre a forma como o país age em relação às questões ambientais. Para 71%, o Brasil é um país que não respeita o ambiente. Outros 29% responderam o contrário.

A pesquisa foi divulgada ontem, em Brasília, pelo coordenador-geral da Renctas, Dener Giovanini. Para ele, o dado mais relevante diz respeito à posse de animais silvestres, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Segundo o levantamento, 30% dos entrevistados admitiram que têm ou já tiveram um animal silvestre, contra 70% que disseram o inverso. No Nordeste, o índice de pessoas que afirmaram ter um animal desse tipo atinge 39%.

“Esse número aponta para um universo de 60 milhões de pessoas. E essas pessoas estão sempre repondo o pássaro quando ele morre”, afirma Giovanini.

A sondagem também analisou o conhecimento dos entrevistados sobre a legislação que trata da posse (sem registro no Ibama) de animais silvestres. Para 72%, ter uma espécie dessas é errado, contra 25% que não vêem problema.

Além disso, 84% disseram saber que possuir esses animais é crime. Outros 11% disseram não considerar crime, e 5% não responderam ou não souberam responder.

“Não precisa mais dizer para a sociedade que se trata de um crime ambiental porque a maioria já sabe. É hora de mudar o foco das campanhas; afinal, mesmo sabendo que é crime as pessoas seguem comprando”, afirma Giovanini.
Os dados da pesquisa foram considerados “surpreendentes” pelo presidente da CPI da Biopirataria, instalada no Congresso Nacional, deputado Mendes Thame (PSDB-SP).

Ele afirmou que os números “são reflexos de uma legislação ambiental branda e leniente” e que o fato de “somente 30% acreditar nas políticas ambientais sinaliza que a maioria está esperando mais do governo federal”.

O coordenador da Renctas ressaltou ainda o descrédito da população em relação ao trabalho das organizações não-governamentais ambientais. Do total, 57% disseram que a atuação das ONGs é “pouco ou nada confiável”. Do outro lado, 29% afirmaram confiar, e 14% não souberam ou se recusaram a avaliar.

Na lista dos animais mais visados pelo tráfico estão espécies de diversos tamanhos e habitats, como o tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), a preguiça (Bradypus variegatus), a jibóia (Boa constrictor constrictor) e o papagaio verdadeiro (Amazona aestiva), além de uma variedade de pássaros e tartarugas.

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