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Jornal de Brasília – Tráfico de pássaros rola solto na Ceilândia

on July 15 | in FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Na mais popular feira da cidade, é fácil encontrar animais silvestres para comprar, mesmo sendo ilegal

Rodrigo Oliveira

Enquanto o Ministério do Meio Ambiente se prepara para lançar, no final do mês, a segunda etapa da Campanha Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres, a 30 quilômetros da Esplanada dos Ministérios várias pessoas vendem pássaros de comercialização proibida ao ar livre.

Na Feira do Rolo, localizada em Ceilândia, cerca de 30 vendedores exibem as gaiolas com espécies de pássaros como o coleirinho, o sofreu e o pássaro-preto. Todos são vendidos de maneira ilegal, por serem silvestres, e em condições condenadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

No entanto, os vendedores da feira não parecem muito intimidados pela presença dos três policiais militares que dão segurança ao local. “Só quem pode fazer alguma coisa aqui é o Ibama ou a Polícia Florestal”, afirma um deles exibindo um coleirinho.

Segundo o administrador da Feira do Rolo, Ivaldo Pereira da Silva, o comércio de animais silvestres no local é antigo. “Isto existe desde que a feira foi criada há cerca de 20 anos”, afirma.

Ivaldo diz que a falta de fiscalização torna a atividade descomplicada e lucrativa para os vendedores. “A última vez que a Polícia Florestal esteve aqui faz mais de dois meses. Eles apreenderam alguns animais e vão embora. Dez minutos depois, os vendedores estão de volta”, conta o administrador da feira. “Há alguns anos eram vendidos papagaios e até mesmo micos além de outros tipos de animais raros”, completa.

O preço dos pássaros varia de R$ 20 a R$ 60 dependendo do animal escolhido. Enquanto aguardam um comprador, a maioria dos pássaros fica em uma caixa de, aproximadamente, 15 centímetros de altura por 15 de largura, sem água ou comida. Segundo o administrador da feira, embora todos saibam que este tipo de comércio é proibido não se pode fazer nada sem o apoio da polícia. “Se formos lá para tentar tirá-los eles nos agridem”, reclama Ivaldo.

De acordo com os vendedores, os pássaros são trazidos de alguns estados da Região Nordeste, como Bahia e Paraíba. E se o pássaro pretendido não estiver disponível pode se fazer uma encomenda. Eles também dão dicas de como evitar problemas com a fiscalização.

“Você tem de ficar de olho no vizinho para ver se ele não é destas pessoas que vão te dedurar porque você comprou um pássaro desses”, diz um dos vendedores, que tentava vender um pássaro-preto quase imóvel na gaiola devido ao pouco espaço. “Ou então podemos tentar arranjar registro”, completa.

Mais de 400 quadrilhas envolvidas

A campanha do Ministério do Meio Ambiente será feita em parceria com a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas). Segundo o coordenador-geral da rede, Dener Giovanini, o tráfico de animais só perde para o tráfico de drogas e armas em volume de dinheiro.

“Hoje, no Brasil, existem 400 quadrilhas especializadas que usam as mesmas rotas das drogas, movimentando com o tráfico internacional entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões”, disse.

Já o ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, disse que o governo brasileiro vai propor a criação de uma rede internacional de combate ao tráfico de animais silvestres. O objetivo é atacar o tráfico na sua ponta principal, a do consumo, conseguindo a cooperação dos compradores.

Entre os países que mais compram espécimes da fauna silvestre estão os Estados Unidos, Canadá, Japão, Inglaterra e França. Para Carvalho, a maior dificuldade em combater esse tipo de tráfico está em suas características de crime organizado, com formação de redes que se espalham por diversos setores.

O ministro disse que está articulando um grande esforço de fiscalização com as polícias ambientais dos estados de maneira a formar uma rede de fiscalização da fauna e do tráfico de fauna com mais de cinco mil fiscais.

A campanha prevê a produção de folhetos educativos, vídeos e cartazes para serem distribuídos em escolas, universidades, centros de pesquisa e Organizações Não-Governamentais.

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