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Jornal do Brasil Venda ilegal de animais

on November 30 | in FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

ALESSANDRA MELLO

ONG faz raio X do tráfico que movimenta bilhões

BELO HORIZONTE – Um relatório inédito sobre o comércio de animais silvestre no país será lançado em janeiro como resultado de uma parceria entre a organização não-governamental Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O documento, baseado em dados das polícias militar, florestal e federal e das secretarias de Meio Ambiente de todo o Brasil, faz uma radiografia desse comércio ilegal que, segundo a Organização das Nações Unidas, movimenta no mundo aproximadamente US$ 20 bilhões por ano, só perdendo para o tráfico de drogas e armas.

De acordo com dados preliminares do relatório, o Brasil participa com cerca de 15% do mercado ilegal e é considerado um dos maiores exportadores de animais silvestres do mundo, principalmente araras, papagaios e jandaias, por causa de sua diversidade biológica. Além da exportação, o país comercializa ilegalmente cerca de 12 milhões de animais por ano. Alguns deles, como a arara azul de Lear, espécie encontrada na Mata Atlântica nordestina, chega a ser vendida no exterior por até R$ 200 mil, por causa de uma lógica cruel: quanto mais rara a espécie, mais valiosa. No Brasil existem somente cerca de 150 araras azuis.

O relatório, em fase final de conclusão, será o primeiro e o mais completo do país, diz o diretor-geral da Renctas, Dener Giovani. Além dos números sistematizados sobre o comércio ilegal de animais, o documento também vai detalhar as principais rotas nacionais e internacionais do tráfico, com a relação das rodovias, portos e aeroportos mais utilizados. Incluirá ainda a relação dos animais mais visados por essa atividade ilegal. ‘Estamos concluindo um documento completo que vai auxiliar as ONGs e as autoridades no combate a esse comércio que vem dizimando a nossa fauna’, diz.

Giovani diz que um grande empecilho para o combate ao tráfico é a falta de informações sistematizadas, como acontece, por exemplo, no caso do tráfico de drogas e armas. ‘Esses dados são estratégicos e precisam ser levantados, para que se possa ter informações mais concretas sobre o comércio que movimento bilhões em todo mundo’, sustenta.

Além do relatório, em março de 2001, a Renctas vai lançar também uma campanha em parceria com o Itamaraty a ser desenvolvida nos Estados Unidos, Canadá, França, Portugal, Itália, Espanha, Suíça, Japão e Cingapura, os maiores consumidores de animais silvestres brasileiros.

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