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O Estado de S. Paulo – Sobreviventes do tráfico, em busca de um lar

on April 15 | in FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

A repressão ao comércio ilegal de animais vive um drama: onde acomodar os rejeitados?

Rio de Janeiro – A falta de locais adequados para abrigar animais silvestres apreendidos com contrabandistas está paralisando a repressão a esse crime ambiental, considerado a terceira fonte de renda ilícita no mundo, atrás só do tráfico de drogas e de armas. Como o Jardim Zoológico não recebe animais desde junho de 2001, exceto em casos especiais, a fiscalização tem feito poucas operações em feiras e depósitos ilegais, por não ter como tratar nem para onde levar aves, primatas e outras espécies vendidas no Rio, vindas da Amazônia, Nordeste e Centro-Oeste em péssimas condições.

“Tornou-se inviável correr feiras, porque a gente pega muito animal e não tem o que fazer com eles”, diz o delegado-titular do Núcleo de Prevenção e Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente da Polícia Federal, Ricardo Bechara, que trabalha com uma equipe de oito pessoas, encarregadas de reprimir não só o tráfico de animais selvagens, mas todos os crimes ambientais. “Nas feiras só pegamos a ponta do contrabando. O fornecedor principal fica livre.”

A questão preocupa a regional fluminense do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que sofre com a falta de pessoal (tem 54 fiscais para todo o Estado) e verbas (só agora saiu o dinheiro para ser gasto em 2002). O órgão registrou 17 apreensões em março e abril, embora os animais silvestres sejam vendidos em pelo menos oito feiras da região metropolitana do Rio.

“Não dá para saber qual a grandeza desses números no universo do contrabando. Mas os animais são pegos em condições tão precárias, depois de longas viagens sem alimentos e em espaços exíguos, que de cada dez apreendidos só um sobrevive”, diz a gerente-executiva do Ibama-Rio, Thais Salmito. “Pegar o traficante na feira é só uma pequena parte da repressão. É preciso fazer um trabalho de inteligência, para evitar que o animal saia de seu hábitat, e de conscientização, para que ninguém compre um espécime não legalizado.”
Solução?
Essa situação deve mudar no segundo semestre, quando o Ibama inaugura o Centro de Reintegração de Animais Silvestres (Ceras), no município de Seropédica. Para isso, foi assinado um convênio com a Universidade Rural, que cuidará da parte técnica, e com a Petrobrás, que entra com R$ 800 mil, para equipar e manter o centro em funcionamento até o fim de 2003, com possibilidade de revonação do contrato.

Por enquanto, há espaço para abrigar pássaros (os mais apreendidos no Estado do Rio) e primatas, mas há planos para ampliação que permite receber outras espécies.

Não há estatísticas oficiais sobre o tráfico de animais silvestres, só projeções. Segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), por ano, 38 milhões de espécimes da fauna brasileira são retirados da natureza ilegalmente. Desses, 82% são aves, preferidas por causa da beleza da plumagem e do canto. Uma arara pode chegar a custar US$ 20 mil (R$ 46 mil).

Calcula-se que o tráfico movimente entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões por ano e o Brasil, apesar de fornecer 95% das espécies vendidas ilegalmente, concentre entre 5% e 15% desse dinheiro. Boa parte do comércio atende a colecionadores, mas a pirataria ganha espaço a cada dia. Segundo a Renctas, há entre 350 e 400 quadrilhas internacionais especializadas em animais silvestres. (Colaborou Carolina Iskandarian, especial para o Estado)

Beatriz Coelho Silva

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