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O Estado de S. Paulo – Tráfico de animais movimenta até US$ 20 bi por ano

on April 12 | in FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Rio de Janeiro – Não há estatísticas oficiais sobre o tráfico de animais silvestres, só projeções. Segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), por ano, 38 milhões de espécimes da fauna brasileira são retirados da natureza ilegalmente. Desses, 82% são aves, preferidas devido à beleza da plumagem e do canto. Os animais vêm das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste para o Rio e São Paulo, de onde são exportados para a Europa e os Estados Unidos. Uma arara pode chegar a US$ 20 mil (R$ 46 mil).

Calcula-se que o tráfico movimente entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões por ano e que o Brasil, apesar de fornecer 95% das espécies vendidas ilegalmente, concentre entre 5% e 15% desse dinheiro. Boa parte desse comércio atende a colecionadores, mas a biopirataria ganha mais espaço a cada dia, segundo a gerente-executiva do Ibama, Thais Selmito. “Tráfico de animais e plantas é crime organizado e deve ser combatido como tal”, ressalta ela.

Segundo a Renctas, há entre 350 e 400 quadrilhas internacionais especializadas em animais silvestres. A situação se agrava porque 40% delas também traficam drogas e combinam os dois crimes. São comuns apreensões de animais empalhados recheados de cocaína ou pedras preciosas. Em geral, para cada espécime que chega ao comércio, três morrem. É o caso dos primatas (sagüis, micos-leões etc), cuja mãe é eliminada para não impedir que o filhote seja levado.

O delegado-titular do Núcleo de Prevenção, Ricardo Bechara, divide o tráfico em quatro tipos: o de subsistência, em que o animal é vendido no local onde é caçado, por ser a fonte de renda do traficante; o de encomenda, em que os animais só aparecem quando há um interessado; o de animais raros, comprados por colecionadores de alto poder aquisitivo, e o de ovos, levados em chocadeiras portáteis (semelhantes a pastas de executivos ou coletes térmicos).

“Há dois anos, prendemos um austríaco que trazia vários ovos de aves e répteis presos ao corpo”, conta Bechara. “É uma prática comum porque a nossa temperatura é a ideal para chocá-los.”

Receptividade

O que você faria se encontrasse um animal silvestre ? A universitária Maria de Lourdes M. da Silva levou dez dias para saber. Em 26 de março, uma clínica veterinária lhe passou uma fêmea de mico-leão dourado machucada e estressada. Ciente de que não poderia, por lei e por falta de condições, tratar do animal, procurou o Ibama, mas não teve receptividade.

“Falei com várias pessoas e ninguém resolveu meu problema. Disseram que não tinham como ficar com ela. Eles indicaram um criadouro, que também não se interessou”, conta Lourdes, indignada. “Se o próprio Ibama, que é a autoridade, não tem a solução, sou eu que vou ter?”

A história teve final feliz no dia 5 de abril, quando Maria de Lourdes conseguiu, por intermédio de amigos, o acolhimento no Zoológico do Rio, que não aceita doações desde o início do ano. Fez uma exceção porque o mico-leão corria risco de vida. “Finalmente ela recebeu o tratamento adequado e está salva”, comemora.

Beatriz Coelho Silva e Carolina Iskandarian

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