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O Liberal – PA – Agentes discutem soluções para combater tráfico de animais silvestres

on June 27 | in FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Agentes de controle e fiscalização ambiental debatem soluções para o combate ao tráfico de animais silvestres na Amazônia no XIV Workshop Nacional – Animais Silvestres – Normatização e Controle, que se realiza hoje e amanhã no Salão Verde da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (FCAP). O evento é uma realização da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), direcionado à capacitação dos agentes e também para propiciar troca de experiências entre eles.

Segundo dados da Renctas, o tráfico de animais silvestres é a terceira maior atividade ilegal no mundo, perdendo apenas para o tráfico de armas e de drogas e movimenta cerca de US$ 20 bilhões ao ano. No Brasil, chega a movimentar por ano, cerca de US$ 1,5 bilhão, onde uma média de 38 milhões de animais são levados ilegalmente do País para o exterior. De cada dez animais retirados de seu habitat, apenas um chega às mãos do comprador final e nove morrem durante a captura ou no transporte inadequado, demonstrando a crueldade da atividade.

Amazônia – O tráfico de animais silvestres no Brasil começou na época do descobrimento. No Brasil, a maioria dos animais comercializados ilegalmente é proveniente das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste com destino às regiões Sul e Sudeste pelas rodovias federais. Os principais destinos são os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. O destino internacional dos animais silvestres brasileiros é a Europa, Estados Unidos e Ásia.

Dados do Ibama mostram que, de 1999 a 2000, foram apreendidos 263.972 animais silvestres em todo o País, sendo que 81.901 provenientes da Amazônia.

O tráfico de animais silvestres é responsável pela retirada de cerca de 38 milhões de espécies da natureza. Estima-se que para cada produto animal comercializado, pelo menos três animais são sacrificados. Já em relação ao comércio de animais, esse número sobe para dez. Os defensores dos animais prevêem que com o ritmo acelerado do contrabando de animais e a ganância dos traficantes, muitas espécies silvestres, em menos de uma década só serão conhecidas em arquivos fotográficos.

Relatório – Quem imagina o traficante de animais silvestres apenas como um mateiro que vende passarinhos na beira de estradas ou feiras na periferia vai ter de rever seus conceitos.

O Relatório Comércio Internacional de Vida Selvagem e o Crime Organizado, divulgado pela organização britânica Traffic, afiliada da World Wildlife Fund (WWF), indica que 50% dos traficantes de animais detidos na Grã-Bretanha têm condenações na Justiça também por tráfico de drogas, violência, roubo e crimes com arma de fogo. As conclusões batem com os dados do primeiro Relatório Nacional sobre o Comércio Ilegal de Fauna Silvestre, produzido no fim do ano passado pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas).

Uma coral-verdadeira rende mais de US$ 30 mil e um mico-leão-dourado US$ 20 mil. Algumas espécies de aranhas valem até US$ 5 mil e de besouros, US$ 8 mil.

Só no Brasil existem cerca de 400 quadrilhas especializadas no tráfico de animais, segundo o relatório da Renctas. E cerca de 40% delas estão envolvidas também em outras atividades criminosas. “Em troca de uma parte nos lucros, os traficantes de drogas usam suas rotas já estabelecidas para tirar os animais do País. Ou oferecem seu esquema de segurança armada para os traficantes de fauna”, afirma Dener Giovanini, coordenador da Renctas.

Nos casos mais extremos, os traficantes escondem as drogas dentro dos animais. Embalagens com cocaína e outras drogas já foram encontradas dentro de cobras, araras e até peixes ornamentais. “Os traficantes de animais passam para outras atividades criminosas com muita facilidade”, diz José Carlos Araújo Lopes, da Coordenação Geral de Fiscalização Ambiental do Ibama.

Na cidade do Rio, onde funcionam mais de cem feiras livres de fauna ilegal, é comum os animais serem escondidos junto com as drogas e “protegidos” por narcotraficantes, segundo o delegado Ricardo Bechara, do Núcleo de Meio Ambiente da Polícia Federal do Rio. Ele aponta uma falha na legislação que vem beneficiando os traficantes ambientais e dificultando o trabalho das autoridades há quase um ano.

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