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O Rio Branco Acre também faz parte da rota de tráfico de animais silvestres

on September 30 | in FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Negócio movimenta mais de 30 milhões de dólares e envolve máfias russa e chinesa no tráfico de mais de 38 milhões de animais anualmente

Flávia Domingues

O comércio ilegal de animais silvestres no Brasil e no mundo perde somente para o tráfico de drogas e armas. De acordo com relatórios da ONU, o tráfico de animais movimenta entre 20 e 30 milhões de dólares anualmente no mundo, sendo o Brasil responsável por 10% desse mercado ilegal entre dois a três milhões de dólares. Calcula-se que 38 milhões de espécimes são retiradas da natureza ao ano, sendo no Brasil os alvos preferidos as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Há estimativas que, para cada 10 animais vivos comercializados, apenas um sobreviva e nove morram na captura ou durante o transporte.

E os números não param aí. Para cada produto animal comercializado, são mortos pelo menos três espécimes. O Acre, por ter uma imensa reserva biológica, e ser um Estado fronteiriço com a Bolívia e o Peru, também sofre com a caça ilegal, captura e tráfico de animais silvestres. 60% desses animais são exportados pelas fronteiras do Peru e Bolívia para os EUA ilegalmente. Para tentar estancar esta carnificina com os animais silvestres da fauna brasileira a “Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres – RENCTAS – esteve ministrando um workshop entre quinta e sexta-feira desta semana (26 e 27) para instituições responsáveis e ligadas ao meio ambiente no anfiteatro Garibald Brasil da Ufac.

Polícia Federal, Ibama, Secretaria do Meio Ambiente Estadual e Municipal, Pelotão Florestal, Ufac, entre outras instituições governamentais e não-governamentais participaram do encontro com a RENCTAS, que pretende fazer um giro por todo o país para alertar as instituições e criar uma rede de cooperação entre os órgãos responsáveis para coibir a ampliação do tráfico da fauna silvestre no Brasil. “Estamos formando uma acordo de cooperação técnica com o Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), Ministério do Meio Ambiente, Polícia Federal, Ibama e Pelotões Florestais, além da embaixada dos EUA, Inglaterra e Países Baixos. Temos esperanças que como uma vigilância mais cerrada possamos coibir de forma mais eficiente o tráfico de animais”, diz o coordenador executivo do RENCTAS Ralff Lima.

De acordo com levantamentos da PF e Pelotão Florestal dos estados a rede e estrutura usada pelo tráfico de drogas é a mesma usada para o tráfico de animais. “O comércio ilegal feito em Rio Branco e em outras fronteiras é feito através de pequenas aeronaves, na maior parte das vezes as mesmas usadas para o transportes de armas e drogas”, diz o coordenador da Renctas.

Dentro da escala de preferência do mercado de animais o alvo principal são os das aves, seguido dos macacos, felinos e por último os répteis. Aves como a harpias (espécie de águia Sul Americana), papagaios e a popular araras vermelha, são as preferidas, além dos pequenos pássaros exóticos. Uma arara azul lear pode alcançar no mercado internacional até UU$ 60 mil dólares. Devido sua beleza e majestade, a harpia já se encontra na lista dos animais em extinção do Ibama há muito tempo e quem se encontra em vias de fazer parte da listagem é a arara vermelha. Por sua exuberância, tem sido muito comercializada nos últimos tempos.

Clientes internacionais

Levantamentos apontam que o principal consumidor de animais silvestres e exóticos são os Estados Unidos, seguido da Espanha, Suíça, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Holanda e Rússia. De acordo com dados levantados pela Polícia Federal, existem cerca de 400 quadrilhas organizadas no país especializadas no tráfico de animais. “As quadrilhas têm ligações com a máfia Russa que domina toda a Europa Oriental e a máfia chinesa com ligações em Pequim, Singapura e Japão. Os animais preferidos dos clientes são as aves e os macacos que são usados como animais de companhia”, explica Ralff.

Entre os clientes preferenciais, Ralff aponta os grandes colecionadores que possuem zoológicos particulares que apreciam animais de preferência raros, pet shops internacionais que gostam de comercializar animais exóticos como iguanas e jibóias e o comércio ilegal da biopirataria para laboratórios de bioquímica internacionais.

A Justiça não é “verde”

Um fato que é lamentado pelo coordenador da RENCTAS, é que, na maioria das vezes, a Justiça brasileira quando se depara com casos de crimes ambientais, ou por despreparo ou por não dimensionar o grau da gravidade, apesar de uma legislação rígida (lei de crimes ambientais 9.605) que prevê prisão, em alguns casos de até cinco anos e pesadas multas, não executam a lei em todo o seu rigor, aplicando multas leves ou penas alternativas de menor peso. “Nenhuma pessoa até hoje foi presa por tráfico de animais no Brasil”, reclama Ralff que tem inúmeros casos a relatar de abusos contra os animais que nunca foram devidamente punidos.

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