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Portal Globo.com – G1 – Ave 'camaleão' desperta curiosidade em comunidade do RS

on January 15 | in Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

Casal de urutaus escolheu propriedade rural de Porto Mauá para reproduzir.
Raramente avistadas, aves se confundem com tocos ou galhos de árvores.

Do G1 RS

Urutau Porto Mauá Nossa Terra (Fot José Carlos Parada/Arquivo Pessoal)
Urutau colocou os ovos em tocos ou galhos de árvores.
Foto: José Carlos Parada/Arquivo Pessoal

Urutau Porto Mauá Nossa Terra (Fot José Carlos Parada/Arquivo Pessoal)
Camuflada, ave permanece imóvel durante o dia.
Foto: José Carlos Parada/Arquivo Pessoal

Uma espécie de ave conhecida como “camaleão dos céus” chamou a atenção durante sua passagem por Porto Mauá, no noroeste do Rio Grande do Sul. Um casal de urutaus que escolheu a região para se reproduzir encantou a comunidade e encontrou proteção em uma propriedade na localidade de Itajubá, a cerca de oito quilômetros do centro da cidade.

Por causa do seu alto poder de camuflagem, as aves quase passaram despercebidas na propriedade do agricultor Telmo Dall Alva. E quando foram notadas, deram um tremendo susto no produtor. “Eu estava caminhando quando notei algo se mexendo na árvore. Levei um susto. Só quando cheguei perto vi que era um pássaro”, conta o produtor rural, que recebeu a visita de moradores de comunidade curiosos com a novidade.

Conhecido também como mãe-da-lua ou emenda-toco em outras regiões do país, o urutau usa a plumagem para se proteger dos predadores. De coloração marrom, acinzentada ou branca, dependendo da espécie, a ave costuma se confundir com pedaços de madeira, galhos de árvore ou tocos, locais onde costuma fazer os seus ninhos. Fica imóvel e não se assusta facilmente com a presença de pessoas próximas.

De acordo com o ornitólogo da Fundação de Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Glayson Bencke, a camuflagem e os hábitos noturnos são as principais características da ave. “O urutau tem a plumagem de coloração críptica, que simula cascas de árvores. Ele se mimetiza como uma continuação de um galho quebrado. Durante o dia, fica assim, imóvel. À noite, ela sai para capturar insetos em pleno voo”, explica Glayson.

Embora seja dificilmente avistada, espécies da ave estão distribuídas por todas as regiões do Brasil e elas não se encontram ameaçadas de extinção, diz o biólogo. No Rio Grande do Sul, a única que ocorre é o urutau-comum (Nyctibius griseus), que habita a Metade Norte e a Serra do Sudeste. Acredita-se que o urutau seja uma ave migratória, pois não há registros dela no estado durante os meses de inverno.

Muitas lendas e superstições cercam essa ave misteriosa e pouco conhecida do grande público. O nome urutau tem origem indígena e significa “ave fantasma”. A lenda mais repetida em torno do pássaro envolve uma índia que, após sofrer por causa de um amor impossível, transformou-se em um urutau, condenado a cantar sua tristezas para a lua.

O canto arrepiante e poderoso do urutau, que ecoa como um grito de desespero pela noite, também faz com que a ave seja considerada sinal de maus presságios. “Ela é considerada uma ave de mau agouro por causa do canto triste. É realmente um canto muito plangente, muito triste, um pouco soturno até”, diz Glayson.

Em Porto Mauá, o canto triste do urutau não perturbou Telmo. Nada supersticioso, o agricultor ficou tão encantado pela ave que resolveu garantir uma estadia tranquila do casal e do filhote em sua propriedade. Manteve em segredo o local do ninho e “supervisionou” as visitas dos interessados em conhecer a família de pássaros.
“Eles ficaram alguns meses aqui e foram embora nos primeiros dias do ano. São aves muito bonitas”, garante.
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