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Engenheira ambiental mantém 65 animais silvestres em casa, na capital amazonense

on junho 5 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

Lenita com sua ‘primogênita’ entre os animais resgatados que vivem na Reserva Cariuá: a primata da espécie quatá, Priscila. Foto: Márcio Silva

Lenita com sua ‘primogênita’ entre os animais resgatados que vivem na Reserva Cariuá: a primata da espécie quatá, Priscila. Foto: Márcio Silva

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lenita Alves de Toledo recebe silvestres no Mantenedor da Fauna Silvestre Cariuá, no coração da Zona Centro-Sul

O muro alto e os portões de ferro escondem um verdadeiro paraíso da fauna silvestre bem no meio da Zona Centro-Sul da cidade. Do lado de fora, o barulho das buzinas e do vaivém de pessoas. Do lado de dentro dos muros, esses ruídos, comuns às grandes metrópoles, são abafados pelo grito das araras e macacos e até mesmo pelo rugido da onça-pintada.

Estamos no Mantenedor da Fauna Silvestre Cariuá (que significa homem branco entre os índios, em tupi), o maior do Amazonas, que abriga atualmente 65 animais silvestres, mas por onde já passaram centenas deles desde 1982, quando a dona do espaço, a engenheira ambiental paulista Lenita Alves de Toledo, começou a receber silvestres para tratar e abrigar provisoriamente, até que sejam transferidos para zoológicos ou estejam aptos a serem devolvidos à natureza.

Essa paixão, que fez com que ela dedicasse uma vida inteira à fauna silvestre, começou ainda na infância, no interior de São Paulo. Nascida em Guarulhos e neta de fazendeiros, Lenita conta que sua primeira paixão foram os felinos, mas não os grandes: os gatos. “Eu nasci com um gato. Nasci num quarto e o gatinho foi jogado no terraço no mesmo dia. Minha avó me criou junto com ele, ela dizia que eu miava e o gato chorava. Cresci com ele no berço e os gatos se tornaram minha primeira paixão: cheguei a ter 38”, revelou.

Ainda criança, Lenita passou a ter contato também com animais de criação, como porcos e bezerros, além de passarinhos e outras espécies com as quais conviveu nos anos em que morou na fazenda dos avós, no interior paulista. “Depois que voltamos para morar em São Paulo, já aos 11 anos, certa vez meu tio foi pescar no Araguaia e voltou com um filhote de macaco. Lembro que acordei, corri para a oficina do meu tio e o macaquinho estava lá, amarrado. Peguei ele no colo e meu tio disse que eu poderia ficar com ele. Levei para casa e minha mãe queria me matar, mas deixou que ele ficasse. O Quico morou conosco até morrer, 11 anos depois”, contou.

Relação com Manaus
Depois da morte do primeiro companheiro silvestre, já casada, mãe de quatro filhos e criadora de cães, Lenita se mudou para Manaus, em 1982, por conta da transferência do marido, um empresário do Distrito Industrial. Como ela já criava cães, procurou um terreno amplo em um bairro da Zona Centro-Sul, na época ainda tranquilo, cercado por áreas verdes e nas proximidades do igarapé do Mindu, que ainda não era poluído.

A casa ainda é a mesma até hoje, mas a vizinhança mudou e muito, lembra a engenheira ambiental. “A área aqui era bem melhor, não tinha todas essas casas e empresas ao redor, a mata tinha ligação com o Mindu, que era limpo. Era um ambiente que foi totalmente modificado ao longo desses 35 anos”, relatou.

Aliás, a cidade toda mudou bastante ao longo dos últimos 35 anos, conta ela, que resgatou o primeiro silvestre em Manaus menos de cinco meses após se mudar para cá, na extinta escadaria dos Remédios, no Centro, onde hoje existe a Manaus Moderna. “Era dia 6 de junho de 1982 e nós fomos comprar arroz na Escadaria dos Remédios. Chegando lá, a vi deste tamanhinho, completamente nua, e ela gritava. O vendedor gritou: leva! E eu trouxe. Era um quatá: a Priscila”, lembrou.

Sem saber o que fazer com o animal, Lenita procurou um consultório veterinário e saiu de lá sem as respostas que procurava, mas com um incentivo a mais para se tornar uma militante da área. “Eu fiquei com pena na hora, mas quando cheguei em casa fiquei desesperada: como vou criar esse negócio? Eu não sabia nem o que era, não tinha cara de macaco, eu nunca tinha visto aquele bicho. Fomos no veterinário e ele pegou o macaquinho e jogou na lata de lixo, antes de me dizer que fosse cuidar da casa e da família, que aquele tipo de bicho não se criava. Fiquei possessa. Peguei meu bichinho e levei pra casa, então liguei pra um amigo veterinário de São Paulo em busca de orientação, mas ele não tinha a menor ideia de como fazer e me disse: você não criou quatro filhos? Faz tudo igual, ele é um primata”, contou.

Novo integrante
E foi o que ela fez, ao pé da letra: Priscila cresceu junto com o filho mais novo de Lenita, que na época em que o filhote de quatá foi resgatado tinha apenas oito meses. “Meu filho dormia no berço e a Priscila num cesto ao lado, no mesmo quarto. Assim como ele, ela tinha suquinho às 9h30, leitinho, vitamina para recém-nascido, sopinha quando chegou aos três meses, tudo que você pode imaginar que fazemos para um bebê, eu dei pra ela. E assim ela cresceu, dentro de casa, brincando com meus filhos, interagindo com a gente”, contou a engenheira.

Um dia Lenita decidiu levar Priscila até o zoológico do Centro Integrado de Guerra na Selva (Cigs) para ela ter contato com outros animais da mesma espécie. “Ela estranhou o bando e tapou os olhinhos com as mãos, se recusando a interagir. Foi quando eu me dei conta de que ela não poderia nunca mais voltar para a natureza e que ela tinha passado a ser mais um membro da nossa família, diz Lenita, enquanto acaricia as mãos de Priscila, que hoje dá as “boas vindas” a quem entra na Reserva Cariuá: o recinto dela é um dos primeiros da casa.

No plantel do Mantenedor da Fauna Silvestre Reserva Cariuá, de Lenita Alves de Toledo, existem 122 animais. Dentre eles há 65 silvestres, sendo 25 araras e papagaios, quatro aves, nove quelônios e três felinos – uma jaguatirica, uma onça parda e uma pintada – além de duas pacas, duas antas e três quatis-da-cauda-anelada.

Fonte: http://www.acritica.com/channels/governo/news/engenheira-ambiental-mantem-65-animais-silvestres-em-casa

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