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Estudo utiliza aves para superar satélites na coleta de dados

on agosto 20 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

Com a ajuda de pássaros, um estudo coletou informações precisas sobre velocidade e direção dos ventos no mar.
Foram utilizados dados de satélites e de GPS para validação das medições feitas com o auxílio dos animais.

15/08/2016 – 02h00
Ricardo Bonalume Neto – Folha de São Paulo

 

Albatroz-errante voa sobre regiões marítimas. Foto: Ed Dunens/Flickr 

Albatroz-errante voa sobre regiões marítimas.
Foto: Ed Dunens/Flickr

 

Cagarra-riscada, pássaro estudado no Japão, durante voo. Foto: Patrick Coin

Cagarra-riscada, pássaro estudado no Japão, durante voo.
Foto: Patrick Coin

 

Aves marinhas que planam suavemente sobre águas costeiras se revelaram mais precisas em coletar dados do que instrumentos científicos a bordo de caros satélites artificiais de meteorologia e oceanografia. Mas a indústria aeroespacial não precisa temer. Os pássaros são complementares, não substitutos, dos custosos aparelhos.

“Ventos de superfície no oceano são um fator essencial para a compreensão das interações físicas entre a atmosfera e o oceano”, dizem os autores do estudo, publicado em edição recente da revista científica americana “PNAS”. Estimar a velocidade e a direção dos ventos na superfície do mar é algo essencial para previsões meteorológicas precisas.

O estudo foi liderado por Yoshinari Yonehara, do Instituto de Pesquisa da Atmosfera e Oceano, da Universidade de Tóquio. Entre os colaboradores também estão cientistas da França e EUA.

Pois as “aves marinhas cientistas” foram estudadas em três locais geograficamente distantes no mundo.

A cagarra-riscada (Calonectris leucomelas), com peso corporal em torno de 0,6 kg, foi estudada na colônia da ilha Funakoshi-Ohshima, Japão, oceano Pacífico.

O albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis), com peso corporal em torno de 3,1 kg, estudado em Ka’ena Point, ilha Oahu, Havaí, EUA, oceano Pacífico.

E o albatroz-errante ou albatroz-gigante (Diomedea exulans), com peso corporal em torno de 9,7 kg, na ilha Possession, arquipélago Crozet, oceano Índico.

Yonehara e colegas usaram pequenos e leves aparelhos de GPS para rastrear a movimentação das aves marinhas. Os instrumentos instalados nas aves descobriram que a velocidade delas dependia da direção e velocidade dos ventos. Os pássaros voavam mais rápido com ventos vindos de trás, e menos com ventos vindos diretamente de frente.

As mudanças na velocidade no voo permitiram aos pesquisadores estimar a velocidade e a direção do vento e os resultados foram praticamente os mesmos que os obtidos via satélite. Mas satélites tendem a ficar pouco tempo sobre determinada área, já que sua cobertura deve ser de quase todo o planeta.

Seus instrumentos, chamados “difusômetros”, também não conseguem medidas precisas em certas situações, como perto da costa, já que as ondas e a topografia afetam as medições.

Trata-se de um instrumento que mede o retorno de um feixe de luz ou de ondas de radar “difundidas”, espalhadas pelo ar. No caso de satélites, como o americano QuikSCAT ou o europeu EUMETSAT MetOp-A, o objetivo é produzir informações de velocidade e direção do vento nos oceanos.

E como foi que a equipe liderada por Yonehara achou que seria possível transformar aves marinhas em “anemômetros vivos”, os instrumentos que medem a velocidade do vento?

Segundo Yonehara declarou à Folha, “há um estudo que avalia a corrente na superfície oceânica a partir de aves marinhas que estão boiando, e cujos dados foram assimilados em modelos dos oceanos que previram com maior precisão os movimentos dessas correntes”.

Isso serviu de inspiração para o trabalho com os ventos. “Eu fiquei fascinado com o voo planado especificamente chamado ‘planar dinâmico’ dos albatrozes e cagarras, e tanto a corrente como o vento tinham um significativo efeito deriva no movimento das aves, por isso tive a ideia de usar esses pássaros para estimar o vento”, diz.

Mas aves marinhas em torno do Japão não eram suficientes para concluir o trabalho de Yonehara.

“Primeiro, eu me foquei nas cagarras no Japão para estimar os ventos nas costas japonesas. Mas os métodos convencionais como as observações por satélite eram insuficientes para validar os dados levantados com auxílio das aves, por isso nós usamos também dados de GPS obtidos em outros estudos de campo no Havaí e Crozet pra validar nossas estimativas. E isso também demonstrou a maior aplicabilidade dos nossos métodos pra outras colônias de aves marinhas”, afirma Yonehara.

 

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