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Extinção ameaça o tímido pinguim neozelandês

on abril 24 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

Abril, 21, 2016
Marcel Haenen – para  The New York Times
Folha de São Paulo

 

Hoje existem apenas 2.000 pinguins-de-olho-amarelo no mundo, sendo que uma década atrás a população estimada era de 6.000. Foto: Penguin Place

Hoje existem apenas 2.000 pinguins-de-olho-amarelo no mundo, sendo que uma década atrás a população estimada era de 6.000.
Foto: Penguin Place

 

DUNEDIN, Nova Zelândia — Apenas um observador arguto é capaz de enxergar um pinguim-de-olho-amarelo na floresta impenetrável dos morros que cercam as praias da ilha do Sul.

Os pinguins se escondem sob uma cobertura espessa de árvores e arbustos, fugindo para esconderijos assim que um humano se aproxima. Tímidos, fazem seus ninhos na floresta. Com cerca de 65 centímetros de altura, olhos amarelos e uma faixa amarela na cabeça, é uma espécie que corre risco de extinção.

Em média, apenas 18 em cada cem filhotes sobrevivem ao primeiro ano passado no mar. Uma década atrás, a população de pinguins-de-olho-amarelo era estimada em 6.000 indivíduos. Hoje há apenas 2.000.

“Esta ave pode ficar extinta em pouco tempo, a não ser que sejam adotadas medidas urgentes de proteção”, disse Fergus Sutherland, que há 25 anos dirige uma reserva de pinguins, Te Rare, que cobre uma área de 67 hectares nas florestas de Catlins.

O pinguim-de-olho-amarelo começou a enfrentar problemas quando grandes trechos de seu habitat foram destruídos, no século passado. Agricultores derrubaram as florestas para dar lugar a criações de gado e ovelhas. A reserva de Te Rere foi criada em 1989, quando Sutherland conseguiu convencer pecuaristas a não destruir a floresta na extremidade sul da ilha do Sul.

Graças a esforços de reflorestamento, cerca de 120 pinguins conseguiram fazer ninhos na mata baixa. No entanto, em fevereiro de 1995, um incêndio ateado em uma fazenda vizinha chegou à reserva, queimando metade da população de pinguins.

Sutherland regularmente monta armadilhas para capturar furões, arminhos e ratos que atacam os filhotes de pinguins.

Há placas avisando que “pessoas que incomodem os pinguins serão processadas legalmente”, e o público só pode observar os pinguins a partir de cabanas especiais para observação.

Durante a última temporada de construção dos ninhos, que dura cem dias e termina em fevereiro, a bióloga marinha Yolanda van Heezik, da Universidade de Otago (Nova Zelândia), e Jim Watts, um guarda florestal do Departamento de Conservação, monitoraram a condição de sete ninhos de pinguins. “Os casais em fase reprodutiva sempre fazem seus ninhos longe das vistas de outros de sua espécie”, contou Van Heezik.

Watts visita os filhotes cerca de 30 vezes, pesando-os regularmente. Os filhotes que estão abaixo do peso são alimentados com smoothies de salmão. Os pinguins desnutridos são levados ao centro de reabilitação de Penguin Place.

Muitos filhotes morrem devido ao calor, como aconteceu em dezembro, quando a temperatura chegou a 35ºC. E muitos deles já tiveram difteria avícola. A doença provoca úlceras bucais que dificultam a alimentação e respiração.

Os pinguins podem estar bem protegidos em terra no momento, mas passam a maior parte da vida no mar. No ano passado, veterinários tiveram que suturar 50 pinguins-de-olho-amarelo feridos em ataques de tubarões ou bicudas. “As populações de peixes estão em nível baixo, e por isso os pinguins são atacados quando competem pelos mesmos alimentos”, explicou David McFarlane, gerente de campo do grupo conservacionista sem fins lucrativos Yellow-Eyed Penguin Trust.

Há anos os conservacionistas pedem que a pesca seja restrita para ajudar a proteger os pinguins. Mas Sutherland, membro do Fórum de Proteção Marinha Sul-Leste, grupo nomeado pelo governo que recomenda sítios de proteção marinha ao governo, reclamou que “o lobby político do setor pesqueiro é muito mais forte que nós”.

Uma voz no lado oposto da discussão é a de Nelson Cross, que representa os pescadores recreativos no fórum e é contra a adoção de mais restrições à pesca. Cross reconhece que “já houve, infelizmente, casos ocasionais em que um pinguim foi preso em uma rede de arrasto comercial, mas não há evidências de que a pesca recreativa tenha qualquer impacto sobre os pinguins”.

Os conservacionistas esperam que o setor crescente do ecoturismo convença o governo a tomar medidas para preservar a população de pinguins-do-olho-amarelo, que ajuda a atrair turistas.

Durante a temporada de construção dos ninhos, Sutherland anotava cuidadosamente em um caderninho a condição de cada um dos 70 pinguins de Te Rere. Um pinguim adulto, imóvel, olhava fixamente para o mar. Estava ferido, provavelmente por uma mordida de tubarão.

Sutherland pôs o pinguim numa caixa de papelão. Esperava que o animal pudesse ser levado de avião para um veterinário especializado em Palmerston North, na Ilha do Norte. Mas o pinguim morreu algumas horas mais tarde, ainda no banco de trás do carro de Sutherland. Mais uma baixa na população de pinguins.

 

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