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Fauna silvestre pede passage

on julho 31 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO, Uncategorized | by | with No Comments

Maior índice de atropelamentos é registrado na zona sul de Londrina, segundo a Polícia Ambiental.

Maior índice de atropelamentos é registrado na zona sul de Londrina, segundo a Polícia Ambiental.

A cada segundo 15 animais morrem atropelados em rodovias e ferrovias do Brasil; muitas espécies estão ameaçadas de extinção

Se para um ser humano é difícil atravessar uma rodovia com segurança, para os animais silvestres muitas vezes é impossível e as mortes por atropelamento são mais comuns do que a velocidade com que os veículos trafegam permite enxergar. A cada segundo, 15 animais silvestres morrem atropelados em rodovias e ferrovias que cortam o Brasil. Em um dia, são 1,3 milhão de mortes e, no ano, 475 milhões de aves, anfíbios, répteis e mamíferos perdem a vida vítimas desse tipo de acidente com o agravante de que muitas das espécies estão ameaçadas de extinção. Os dados são do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), da Universidade Federal de Lavras (MG).

No Paraná não há um levantamento sobre a mortalidade de fauna selvagem nas malhas rodoviária e ferroviária. No Estado, há apenas estudos pontuais feitos por pesquisadores e biólogos em determinados trechos de rodovias, deixando evidente que a quantidade de mortes é inversamente proporcional ao volume de ações realizadas para contabilizá-las e evitá-las.

Os dados mais precisos e confiáveis à disposição são os contabilizados pelo Sistema Urubu, desenvolvido pelo CBEE e que reúne, sistematiza e disponibiliza informações sobre atropelamentos de animais silvestres. O sistema é alimentado por mais de 17 mil voluntários de todo o País e, desde a sua criação em 2013 até o sábado (30), identificou mais de 150 atropelamentos de animais silvestres em estradas que cortam áreas de preservação ambiental no Paraná.

Por esse recorte, o sistema aponta a Floresta Nacional de Piraí do Sul, nos Campos Gerais, como o local com maior número de ocorrências no Estado e um dos mais significativos no País. Naquela unidade de conservação, foram 122 registros de mortes de animais silvestres no período. Se computados também os atropelamentos registrados fora das unidades de conservação, há um salto grande nas ocorrências. São 637 atropelamentos no Estado, a maioria de mamíferos. Os números colocam o Paraná no oitavo lugar na lista de estados com maior quantidade de mortes de animais silvestres por atropelamento. Entre as espécies mais afetadas, estão o cachorro-do-mato, o tatu-galinha, o gambá-de-orelha-preta, o gambá-de-orelha-branca e o quati, nesta ordem.

A falta de infraestrutura de proteção para evitar ou facilitar a travessia de animais na pista, a disponibilidade de alimentos deixados nas estradas por caminhões com cargas mal embaladas, a baixa visibilidade noturna e o excesso de velocidade aliados à perda de habitat causada pelo desmatamento são alguns dos fatores que fazem os números de atropelamentos da fauna silvestre atingirem níveis elevados no Brasil.

“O atropelamento é considerado o principal efeito antrópico direto na biodiversidade”, afirmou o professor e pesquisador do CBEE, Alex Bager. No centro, destacou ele, é gerada uma grande quantidade de informações para que pessoas e instituições se sensibilizem e adotem medidas com a finalidade de reduzir as causas dos atropelamentos.

No site do CBEE há até um atropelômetro, ferramenta que contabiliza os atropelamentos de animais silvestres em tempo real. De 1º de janeiro até sábado (30), o sistema indicava mais de 273 milhões de ocorrências. Entre as espécies mais afetadas no País estão cachorro-do-mato, capivara, gambá-de-orelha-branca, serpente do gênero helicops (cobra d’água) e gambá-de-orelha-preta.

Colheitas e queimadas afugentam animais para rodovias

Na região de Londrina, segundo a Polícia Ambiental, a maior incidência de atropelamentos acontece na zona sul, na região dos condomínios horizontais, revelando os efeitos acarretados pela urbanização de áreas antes ocupadas por matas. Mas em outras regiões que compreendem a zona de atuação da corporação os atropelamentos também acontecem com certa frequência. “Nessa época, com o início da colheita de cana e das queimadas em algumas regiões, os animais habituados a percorrerem as lavouras acabam indo para as rodovias e aumenta o índice de felinos encontrados mortos. Também aumenta o número de resgates de animais vivos que acabam indo parar em quintais de residências”, disse a relações públicas da Polícia Ambiental, soldado Camila Reina. O período de inverno também favorece os atropelamentos porque anoitece mais cedo, quando o fluxo de veículos nas estradas ainda é grande. Para os animais de hábitos noturnos, a hora de sair do abrigo é quando escurece. “O pessoal ainda está nas estradas e os animais já estão saindo para procurar alimentos. Por isso aumentam os atropelamentos”, explicou a soldado.

De maio a julho do ano passado, a Polícia Ambiental em Londrina contabilizou oito atropelamentos. Neste ano, entre maio e junho – os dados de julho ainda não foram fechados – foram quatro animais atropelados. Cachorro-do-mato, onça-parda, gato-mourisco, furão, capivara, veado, raposa e tatu estão entre as vítimas, mas a Polícia Ambiental tem em seus registros atropelamentos envolvendo também o gato-maracajá e a jaguatirica. Entre as aves, exemplares da coruja-buraqueira e da coruja suindará, também conhecida como coruja-da-igreja, são constantemente encontrados mortos nas estradas.

Gestor ambiental da ONG MAE e conselheiro do Meio Ambiente em Londrina, Gustavo Góes aponta a região do Ribeirão dos Apertados, no trecho da PR-445 próximo a Eletrosul, como um dos locais com maior incidência de atropelamentos de animais silvestres. “Essa região foi apontada pelo Ministério do Meio Ambiente como prioritária e deveria ser uma unidade de conservação. A ONG estuda as áreas e aponta qual tipo de unidade de conservação é mais indicada para ser formada no local”, disse Góes. “Já encontramos antas atropeladas naquela região, um animal ameaçado de extinção e que percorre longas distâncias. É uma perda grande para a biodiversidade e pode causar acidentes seríssimos.” (S.S.)

Fonte: http://www.folhadelondrina.com.br/?id_folha=2-1–2963-20160731

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