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Gazeta do Povo – Londrina/PR – Parque municipal é referência na reabilitação de animais silvestres no Paraná

on março 16 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

A maioria dos bichos é entregue pela Polícia Ambiental após apreensões.

Local abriga aves, répteis e mamíferos.

Gesli Franco

Prefeitura de Apucarana/Divulgação / Cerca de 300 animais vivem no bosque e contam com atendimento de biólogos e veterinários
Cerca de 300 animais vivem no bosque e contam com atendimento de biólogos e veterinários.
Foto: Prefeitura de Apucarana/Divulgação
 
Apesar do nome, o Parque das Aves também abriga répteis e mamíferos (Prefeitura de Apucarana/Divulgação)
Apesar do nome, o Parque das Aves também abriga répteis e mamíferos.
Foto: Prefeitura de Apucarana/Divulgação

Referência no abrigo e na reabilitação de animais silvestres, o Bosque Municipal Parque das Aves, em Apucarana, no Norte do Paraná, atende a toda a região recebendo centenas de espécies, oferecendo cuidados a animais debilitados e, na maioria dos casos, reintroduzindo-os na vida selvagem. Além disso, o local é destino de milhares de interessados no turismo ecológico.

Em uma área de aproximadamente 24 mil metros quadrados vivem cerca de 300 animais. Apesar do nome do parque, o local abriga não somente aves como répteis e mamíferos.
Todos são atendidos diariamente por uma equipe de biólogos, veterinários e tratadores da prefeitura, segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Ewerton Pires. A maioria dos bichos é encaminhada pela Polícia Ambiental após apreensões – em alguns casos, inusitadas. É o caso de um filhote de jiboia interceptado em uma agência dos Correios, em Londrina, no ano passado. Para abrigar o réptil, um cercado especial foi construído e a nova moradora do parque se tornou uma das principais atrações.

O secretário explica que, apesar do número significativo de animais, a equipe tenta acompanhar de perto o desenvolvimento e o dia a dia deles. Foi assim que os tratadores perceberam o comportamento estranho de uma das araras. Sempre afastada das outras, e esticando o pescoço insistentemente, ela passou a se pendurar nos galhos pelo bico. Após exames realizados por um dos veterinários, foi diagnosticado um tumor da garganta da ave.

“Hoje a arara está curada e ocupando o espaço que é dela”, ressalta o secretário.

Animais machucados também são constantemente entregues pela comunidade, conta a bióloga do parque Heloísa Beffa Menotti. Alguns são encontrados nas rodovias, outros, dentro dos quintais. Heloísa cita o caso de um tucano da espécie araçari que, em uma tentativa frustrada de atravessar uma janela, “deu de bico” contra uma vidraça. Muito machucado, foi entregue pela dona da casa aos cuidados dos veterinários.

“Ele era arredio e, no início, foi complicado até tratá-lo. Como ficou sem condições de soltura, permaneceu aqui. Ficou tão manso que hoje vive ao lado de uma fêmea da mesma espécie em um viveiro”, diz Heloísa. Os animais que apresentam boas condições voltam para o habitat natural, em local demarcado pela Polícia Ambiental.

Bióloga leva trabalho para casa, literalmente

O Parque das Aves chega a receber 5 mil visitantes por mês. E quem se aventura pelas trilhas pode ter, muitas vezes, a grata surpresa de encontrar pelo caminho quatis, macacos, carcarás e tantos outros bichos que já se acostumaram com os turistas.

As chamadas ações de enriquecimento ambiental, que consistem em deixar o ambiente apto à sobrevivência, ao bem-estar e à reprodução do animal, são empregadas com todas as espécies, segundo a bióloga Heloísa Beffa Menotti. Ela diz que muitas vezes não consegue deixar as atividades de lado quando sai do parque. E, literalmente, acaba levando trabalho para casa.

Recentemente, um filhote de raposa do campo foi achado pela Polícia Ambiental, sozinho, na beira de uma rodovia, depois da morte da mãe. Com o animal debilitado e necessitando de cuidados permanentes, Heloísa não teve dúvidas. Pegou o bichinho e o levou para casa. Por lá, Che, como foi batizado, permaneceu por três meses, até ser entregue a um criadouro em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. “Ele precisava de alimentação de duas em duas horas, inclusive de madrugada. Eu fazia isso tudo. Até na academia ele me acompanhava dentro de uma caixa. Eu parava o treino e o alimentava.”
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