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Gazeta do Povo – PR é apontado como principal rota do tráfico internacional de animais

on janeiro 31 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Estado funciona como entreposto para por conta da fronteira com o Paraguai

FERNANDO MARTINS

O Paraná é considerado um dos principais entrepostos brasileiros do tráfico internacional de animais. A revelação é da Organização Não-Governamental (ONG) Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), que no fim do ano passado publicou o primeiro levantamento nacional sobre o problema de contrabando da fauna. Segundo a entidade, grande parte das espécies contrabandeadas para outros países entram no estado vindas da Amazônia, regiões Nordeste e Centro-Oeste. Permanecem algum tempo em grandes depósitos de animais, à espera de compradores, e depois são levadas para o exterior, em pequenos carregamentos.

O levantamento da Renctas foi elaborado através do cruzamento de dados coletados nas polícias florestais, Instituto Brasileiro de Meio ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), nos órgãos ambientais estaduais e nas notícias veiculadas na imprensa. De acordo com estimativas da entidade, cerca de 80% dos animais vendidos no Paraná vão para o mercado externo, diz o coordenador geral da Renctas, Dener Giovanini. Ou seja, apenas 20% dos animais vendidos ilegalmente no Paraná são comprados por paranaenses. No restante do país, o mercado interno é maior: só 40% vão para o exterior.

Segundo ele, o estado não se caracteriza por vender as espécies em feiras, como no Rio de Janeiro, mas pela presença de uma série de grandes depósitos ilegais de espécies, muitas vezes capturadas em outras regiões do país. Segundo Giovanini, 90% das aves transportadas pelo estado não são capturadas no Paraná (há, porém, pontos conhecidos de captura de espécies no estado. O traficante normalmente não é descoberto porque costuma transportar os animais em pequenos lotes, para não ter grandes prejuízos no caso de ser flagrado pela fiscalização.

Sem controle

Como a atividade é ilegal, não se sabe quantos exemplares são comercializados no Paraná. No entanto, em todo o país, estima-se que sejam capturados 38 milhões de animais todos os anos. Apenas, 10% (3,8 milhões) sobrevive e são vendidos. O restante morre na captura ou no transporte, diz Giovanini. “Estamos perdendo a nossa biodiversidade.” O negócio rende um bilhão de dólares por ano, somente no país (é considerada a terceira atividade criminosa mais rentável no mundo, atrás apenas do tráfico de drogas e de armas).

A principal razão de o Paraná ter se tornado um entreposto do tráfico internacional é a localização do estado, diz Giovanini. Segundo ele, a extensa fronteira do estado com o Paraguai facilita o contrabando. Em menor grau, alguns animais também saem do Brasil pela Argentina. A partir desses países, são exportados, com documentação falsa, sobretudo para os Estados Unidos e para a Europa, afirma o coordenador da Renctas. A rota também pode ser inversa, diz o tenente Paulo Bieszczad, da Polícia Florestal. Muitos animais saem ilegalmente do Paraná para o Paraguai, são legalizados, e depois voltam ao Brasil.

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