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Gigantes do mar correm risco de sumir por ação humana

on setembro 18 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

A bagunça ecológica causada pelo homem ao exterminar animais marinhos pode acabar sendo a pior de toda a história da Terra, revela um novo estudo. Estudo associa ação humana à extinção preferencial de espécies predadoras, cruciais no equilíbrio do ecossistema

16/09/2016 – 02h00
Reinaldo José Lopes – Para a Folha de São Paulo

 

Baleia-azul, um dos animais marinhos já em risco de extinção Foto: Divulgacão

Baleia-azul, um dos animais marinhos já em risco de extinção
Foto: Divulgação

 

Grande tubarão branco, que habita o Atlântico Norte Foto: Divulgacão

Grande tubarão branco, que habita o Atlântico Norte
Foto: Divulgação

 

Tartaruga-de-couro, que vive nos trópicos, perto da costa Foto: Divulgacão

Tartaruga-de-couro, que vive nos trópicos, perto da costa
Foto: Divulgação

 

Golfinho-de-hector, cetáceo encontrado na Nova Zelândia Foto: Divulgacão

Golfinho-de-hector, cetáceo encontrado na Nova Zelândia
Foto: Divulgação

 

Pesquisadores dos EUA compararam o atual processo de extinção em massa nos oceanos com os grandes episódios de sumiço de espécies do passado.

Eles concluíram que a hecatombe de agora pode destruir tanta biodiversidade quanto a do fim da Era dos Dinossauros – com a diferença de que hoje os principais afetados são os animais maiores, cuja ausência traz repercussões catastróficas para os ecossistemas.

“É claro que sabemos há tempos que animais marinhos de grande porte, como as baleias, estão ameaçados. O que fizemos nesse estudo foi dar um passo atrás, tentar enxergar os padrões gerais do que está acontecendo hoje e compará-los com as grandes extinções do passado”, explica Andrew Bush, da Universidade de Connecticut (EUA). Bush é um dos autores da pesquisa que está na revista “Science”.

“É possível que o episódio de extinções de hoje seja pelo menos tão ruim quanto uma das Big Five (apelido dado às cinco grandes extinções da história do planeta). Pode ser que não desapareça uma porcentagem tão grande de espécies quanto no Permiano ou no Cretáceo (95% e 75% de espécies extintas, respectivamente), mas os efeitos ecológicos podem ser igualmente severos, por causa da natureza seletiva das extinções.”

Um trabalho dessa natureza necessariamente envolve estimativas e amostragens, porque apenas uma minoria dos seres vivos que existiram no passado chegou a virar fóssil, enquanto muitas criaturas do presente ainda são desconhecidas da ciência. Por isso, a equipe se concentrou numa base de dados de 2.497 de gêneros modernos e extintos de vertebrados e moluscos marinhos.

Gêneros são grupos de seres vivos um pouco mais abrangentes do que espécies – o ser humano moderno (Homo sapiens), por exemplo, pertence ao gênero Homo, assim como seus primos extintos, os neandertais (H. neanderthalensis) e os H. erectus.

Alguns gêneros incluem apenas uma espécie, outros incluem várias. Como nem sempre é fácil saber a qual espécie um fóssil pertencia (seria como distinguir leões e tigres com base apenas nos ossos), usar os gêneros como base permite uma comparação melhor entre extinções do passado e do presente.

Depois disso, dois cenários foram testados. Num deles, o mais otimista, só os gêneros que já integravam previamente outra lista de espécies ameaçadas foram apontados como “em risco”, enquanto os demais (a maioria) estariam seguros. No outro, mais pessimista, todos os que estão sob risco hoje vão sumir.

Mesmo no cenário mais otimista, 20% dos vertebrados marinhos desapareceriam, embora os moluscos (mariscos, caramujos e polvos, por exemplo) quase não seriam afetados. Na hipótese mais pessimista, porém, que provavelmente também é a mais realista, cerca de 40% de todos os gêneros somem.

Adeus, tubarão-branco

Tão importante quanto a magnitude da catástrofe, porém, é quem ela está afetando preferencialmente. Por ora, as principais vítimas são os animais de grande porte –tubarões, atuns e peixes-espadas, que estão entre os grandes alvos da pesca predatória.

Dá para expressar isso com precisão matemática, dizem os pesquisadores. A chance de um animal marinho de hoje estar correndo risco de extinção aumenta 13 vezes a cada aumento de dez vezes no seu tamanho (ou seja, peixes que medem 1 metro têm 13 vezes mais probabilidade de estarem ameaçados do que peixes de 10 cm).

Esse padrão é inédito, aliás – nenhuma das extinções do passado foi tão seletiva. Trata-se de uma péssima notícia porque animais de grande porte são engenheiros dos ecossistemas. Sua presença evita que os bichos menores se multipliquem em demasia, gerando um equilíbrio entre uma diversidade maior de espécies pequenas.

Por exemplo, a população de uma arraia normalmente caçada por tubarões de grande porte do Atlântico Norte explodiu para 40 milhões de indivíduos após o sumiço de 90% dos peixões. As arraias comeram tantos mariscos que a pesca desses moluscos na baía de Chesapeake (EUA) entrou em colapso. Se nada for feito, efeitos-dominós do tipo vão se tornar comuns. “E os primeiros afetados em terra firme serão justamente os seres humanos”, diz Bush.

 

CLIQUE AQUI   para gráficos sobre o estudo e mensagem original.

 

 

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