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Jornal Valor Econômico Tráfico de animais movimenta US$ 3 bi por ano

on julho 18 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

<h3>Rodrigo Bittar, De Brasília</h3>

O tráfico ilegal de animais silvestres movimenta cerca de US$ 3 bilhões anuais no Brasil, segundo estimativa da Renctas, ONG brasileira que combate o comércio ilegal de animais. Em todo o mundo, esse valor chega aos US$ 20 bilhões. A ONG e a Embaixada dos Estados Unidos promovem até sexta-feira uma conferência em Brasília para avaliar este problema na América do Sul.

A Renctas vai divulgar em um mês o mais amplo relatório sobre o tema no Brasil. Segundo Dener Giovanini, coordenador-geral da ONG, o tráfico retira do País mais de 12 milhões de animais por ano, desde pequenos insetos a primatas, felinos e répteis. Os Estados do Rio, de São Paulo, da Região Sul e os que têm fronteira seca com outros países na Região Amazônica são os principais pontos de saída desses animais. “O Brasil sofre com o tráfico de animais silvestres desde o Descobrimento e há um problema cultural entre a população, que acredita voltar às raízes indígenas ao manter animais em cativeiro”, diz Giovanini.

O destino dos animais é variado. Os principais compradores – chegam a pagar US$ 60 mil por um exemplar da rara arara-azul-de-lear, sendo que um ovo da espécie é comercializado por US$ 10 mil – são os EUA, Canadá, Japão, Itália, Portugal, Alemanha, Tailândia, China.

A Renctas também identificou o perfil desses compradores. Há colecionadores que mantêm zoológicos particulares, que se interessam pelos animais mais raros e seguem a lógica de “quanto mais próximo da extinção, melhor”. Giovanini diz que esse grupo prefere aves, felinos e primatas escassos na natureza.

Em alguns países, os principais compradores ilegais de animais são as chamadas pet-shops. Nesse caso, continua o coordenador da ONG, os preferidos pelos consumidores são pequenos primatas e cobras. “Uma jibóia vale cerca de US$ 1,5 mil nesse mercado”, contou Giovanini. Essas lojas costumam apresentar documentação forjada, “esquentando” sua mercadoria.

A indústria química-farmacêutica tem preferência pelos animais venenosos, como aranhas, serpentes e alguns tipos de sapos amazônicos. Há ainda aqueles que caçam animais exóticos para utilizá-los em peças de artesanato. A Renctas apurou que um quadro feito com asas de borboletas raras brasileiras, por exemplo, pode ser vendido por US$ 3 mil na China. “As pessoas tendem a acreditar que o tráfico só acontece com animais vivos, mas é muito comum o comércio de peles, plumas e órgãos de várias espécies”, salientou o ambientalista.

Giovanini estima que 90% dos animais capturados ilegalmente morrem antes de chegar ao consumidor final, seja no transporte ou na captura. “Os traficantes de animais usam métodos cruéis para fazer os animais parecerem dóceis”, acusou. Ele cita o caso de micos que são vendidos em feiras livres e são embebedados com cachaça para ficarem calmos. Alguns tipos de araras têm ossos quebrados para não reagir aos afagos de potenciais compradores.

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