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O belo gigante africano esquecido

on outubro 22 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

Girafas são consideradas uma única espécie com até nove subespécies.
Menos de 80 mil girafas estão espalhadas ao longo de um grande arco entre as Áfricas Central e Meridional.
Fonte: Giraffe Conservation Fundation

21/10/2014 – 00:06
Natalie Angier para o The New York Times
A Gazeta do Povo – Londrina

Surpreendentemente pouco estudadas, as girafas são a “megafauna esquecida’’, segundo Julian Fennessy,  diretor-executivo da Fundação de Conservação da Girafa. Foto: Julian Fennessy

Surpreendentemente pouco estudadas, as girafas são a “megafauna esquecida’’, segundo Julian Fennessy, diretor-executivo da Fundação de Conservação da Girafa.
Foto: Julian Fennessy

Delta do Okavango, Botsuana – As girafas podem ser um item básico em zoológicos, nos logotipos de corporações e na indústria dos brinquedos de pelúcia, mas até recentemente quase ninguém as estudava em seu habitat.

As girafas são a “megafauna esquecida”, disse Julian Fennessy, da Fundação para a Conservação da Girafa. “Você ouve tudo sobre elefantes, Jane Goodall e seus chimpanzés, Dian Fossey e os gorilas da montanha, mas há uma enorme escassez de informações sobre girafas.”

Isso está mudando. Os cientistas descobriram recentemente, por exemplo, que as girafas não são socialmente inaptas nem indiferentes às suas crias, como costumavam ser vistas, e que na realidade têm muito em comum com os elefantes. Foi constatado que as girafas fêmeas formam amizades estreitas e duradouras, e as mães que perdem crias mostram sinais de persistente tristeza.

“As girafas têm sido subestimadas”, disse Zoe Muller, bióloga especializada em vida selvagem, da Universidade de Warwick, Inglaterra. Mas com os avanços na tecnologia de pesquisa, “nós pudemos mapear sua estrutura social e relacionamentos de um modo bem mais sofisticado; há muito mais acontecendo do que compreendemos”.

Com a idade, os machos geralmente avançam em termos de hierarquia e acesso às fêmeas férteis e os dominantes ostentam essa senioridade: os ossicones (chifres) gêmeos engrossam e perdem seu charmoso tufo; uma massa óssea ganha proeminência no meio da testa; a musculatura do pescoço se torna visível. Em confrontos, cada macho usa seu pescoço como uma lançadeira para bater a cabeça com força contra o rival, algumas vezes com efeito letal.

A girafa é encontrada em toda a África subsaariana, classificada como uma espécie só, mas com até nove subespécies. Não é tida como em risco de extinção, mas nos últimos 15 anos seu número teve uma queda acentuada de 140 mil para menos de 80 mil indivíduos.

A extraordinária boca da girafa é como um conjunto de mãos humanas: seus lábios grossos, com capacidade de agarrar, e sua extensa língua de 45 centímetros podem abocanhar um galho e extrair as folhas, evitando espinhos e farpas. A cada dia, e com frequência noite adentro, uma girafa consome cerca de 35 kg de folhas, brotos, plantas trepadeiras e ocasionalmente pedaços de carne ressecada lambida de ossos, tudo isso digerido num estômago de ruminante, com quatro câmaras.

Os olhos da girafa estão entre os maiores dos mamíferos terrestres; eles podem enxergar em cores e a uma grande distância à sua frente, e a sua visão periférica tem um ângulo tão amplo que, basicamente, elas podem ver também o que acontece atrás delas.

O sistema cardiovascular da girafa também é interessante. Uma girafa grande pode chegar a seis metros de altura. O desafio múltiplo, no caso, é como bombear o sangue para cima e puxá-lo para baixo, evitando ao mesmo tempo que os finíssimos vasos do cérebro estourem ou que o sangue se acumule nas patas.

Cientistas descobriram que a girafa tem paredes vasculares extremamente grossas, ao passo que fibras rígidas e rugosas de colágeno no pescoço e nas pernas ajudam a manter o sangue em movimento, do mesmo modo como as apertadas vestes antigravidade usadas pelos astronautas e pilotos de caças preservam o fluxo sanguíneo nas mais extremas mudanças gravitacionais. Uma complexa malha de vasos capilares e válvulas armazena e libera sangue no pescoço, permitindo à girafa se curvar para beber água e depois levantar a cabeça rapidamente, sem desmaiar.

Heather More e Shawn O’Connor, da Universidade Simon Fraser, na Colúmbia Britânica (Canadá), mediram a capacidade de reação motora e sensorial da girafa: quanto tempo leva para um impulso nervoso percorrer a distância entre um músculo do tornozelo e a cabeça, e depois retornar. Em um texto na revista “The Journal of Experimental Biology”, os pesquisadores observaram que a taxa de condução nervosa na girafa é semelhante à de qualquer outro mamífero.

Considerando a distância comparativamente maior que o sinal nervoso tem de percorrer, More disse ser possível que a girafa não possa reagir rapidamente a fatos ocorridos lá embaixo.

Mas, para a girafa, as vantagens alimentares provenientes de seu corpo longilíneo superam qualquer diminuição na velocidade do reflexo. Não é preciso correr quando se é um poema silencioso, mascarado por uma árvore.

CLIQUE AQUI para notícia original.

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