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O Dia – Um negócio que é o bicho

on julho 1 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Traficantes de drogas comercializam animais silvestres ilegalmente. Eles fazem parte de um esquema que movimenta R$ 4,6 bilhões por ano só no Brasil

Marcello Gazzaneo

Todos os fins de semana, a tranqüilidade de uma rua de Honório Gurgel, subúrbio carioca, é interrompida pelo barulho de uma feira clandestina. Uma blitz da PM, dia 23, mostrou que, ali, os personagens e suas mercadorias – aves, e tatus – são parte do cenário de um tipo de crime cada vez mais organizado no Brasil e no mund o tráfico de animais silvestres. Em relatório inédito, a que o DIA teve acesso, a organização não-governamental (ONG) Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) revela a ligação do comércio ilegal de bichos com o tráfico de drogas e aponta o contrabando como um dos principais fatores para a ameaça de extinção de várias espécies.

Elaborado após um ano e meio de pesquisas, o relatório da Renctas mostra que há 350 quadrilhas especializadas no comércio ilegal de animais no País. Dessas, 15% são formadas por traficantes de drogas. Esses grupos, de olho num mercado que movimenta, por ano, 20 bilhões de dólares (R$ 46,2 bilhões) – 2 bilhões de dólares (R$ 4,6 bilhões) só no Brasil – e já é a terceira maior fonte de renda ilícita no mundo, utilizam a estrutura e as rotas internacionais do narcotráfico. É por elas que fazem chegar aos Estados Unidos, à Europa e à Ásia animais como a arara-azul-de-lear, avaliada no mercado negro em 60 mil dólares (R$ 138,6 mil).

Quase 20 milhões de espécimes deixam as florestas e reservas ambientais brasileiras para abastecer zoológicos, colecionadores, laboratórios e até pet shops (lojas que vendem animais). O mercado interno é formado, basicamente, por feiras clandestinas – só no Rio, há quase 80 delas. “Identificamos a atuação do tráfico de drogas no comércio ilegal de animais no Rio, na Bahia e no Espírito Santo”, afirmou o ambientalista Dener Giovanini, da Renctas.

Cativeiros de animais são protegidos pelo narcotráfico

Pelo relatório da Renctas, é exatamente esse mercado bilionário que seduz os traficantes. “Eles usam o dinheiro da venda dos animais para comprar drogas e armas”, afirmou um policial civil da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) do Rio. “Muitos cativeiros clandestinos de animais estão em favelas e são protegidos pelos traficantes”, ressaltou o policial, que não quis se identificar.

A ligação entre o tráfico de drogas e o de animais existe há, pelo menos, cinco anos, segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Em 99, a Polícia Federal apreendeu no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Galeão, jibóias que tinham cápsulas com cocaína no estômago. A droga foi achada pelos agentes porque algumas cobras morreram de overdose quando as cápsulas estouraram.(Colaborou Rodrigo Camarão)

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