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O Estado de São Paulo Aves brasileiras são vendidas em Barcelona

on julho 23 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

ROBERTA JANSEN
Araras e papagaios contrabandeados chegam a custar US$ 4 mil numa feira.

RIO – Animais silvestres da fauna brasileira estão sendo vendidos ilegalmente em Las Ramblas, a mais famosa via pública de Barcelona, na Espanha. Araras e papagaios, cuja comercialização é proibida pela Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies da Flora e da Fauna Selvagem, da Organização das Nações Unidas (ONU), e pelas leis brasileiras, chegam a custar US$ 4 mil na feira de pássaros espanhola e são oferecidos abertamente aos transeuntes.
“Este é o curro, ele é muito simpático”, diz uma vendedora, apontando para um papagaio falador. “Custa US$ 500, porque veio da Amazônia.” A vendedora não tem araras expostas, mas garante que as consegue se a compra for garantida. “As araras são muito caras; por isso não vale a pena tê-las aqui”, diz, avisando que o preço é de US$ 4 mil. Numa barraca logo em frente, porém, duas araras são oferecidas por US$ 3 mil. “Elas são brasileiras”, diz o vendedor. Outra tenda oferece dezenas de papagaios, a US$ 600 cada.

Las Ramblas é um dos principais pontos turísticos de Barcelona. Ao longo de seus quase 2 quilômetros de extensão há diversas barracas de venda de suvenires, flores e animais. Segundo a prefeitura da cidade espanhola, pássaros são vendidos ali desde 1964.

Para fazer comércio em Las Ramblas, os vendedores precisam de uma licença municipal. “Temos competência unicamente sobre o ponto de venda”, explica nota da Assessoria de Imprensa da prefeitura.

A Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies da Flora e da Fauna Selvagem, da ONU, tem 150 países signatários, entre eles Brasil e Espanha. A principal meta da convenção é impedir que o comércio internacional de animais leve espécies à extinção.

Proibição – “A maioria dos papagaios e araras tem seu comércio proibido pela convenção”, explica a chefe do Departamento de Vida Silvestre do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), Iolita Bampi.

“Além disso, o comércio de qualquer espécie de arara ou papagaio só é permitido se o animal for proveniente de um criadouro reconhecido pelo Ibama.” Segundo Iolita, atualmente, não há nenhum criadouro no Brasil autorizado a vender araras e papagaios para o exterior. Ela lembra, no entanto, que os pássaros podem estar sendo vendidos com documentação falsificada.

Entre os traficantes, essa prática é apelidada de “lavar” ou “esquentar” o animal. “Eles são retirados das matas brasileiras e levados para países vizinhos, onde recebem documentação como se fossem nativos dali”, diz Dener Giovanini, coordenador-geral da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais (Renctas), entidade que trabalha em parceria com o Ibama e a Polícia Federal.

O vice-diretor da Interpol, Jorge Pontes, explicou que, em muitos dos países limítrofes, essa documentação é obtida com certa facilidade. Com os documentos falsos, o traficante pode levar os animais para o exterior legalmente. Outra forma de retirar animais silvestres do País é driblar os controles nos portos e aeroportos. Segundo a Renctas, os portos da Região Norte e os aeroportos do Rio, São Paulo, Recife e Belém são as principais portas de saída dos bichos.
Uma nova modalidade, segundo Pontes, é levar os ovos dos animais em maletas 007 com fundo falso. “Há casos também de araras e papagaios que são dopados e colocados dentro de tubos de PVC escondidos nas malas”, relata o delegado.
A imagem chocante de um papagaio anestesiado sendo colocado dentro de um tubo é mostrada em um dos vídeos institucionais da Renctas.

“Nove em cada dez animais morrem antes de chegar ao seu destino”, afirma o delegado. “Mesmo assim, eles continuam traficando, o que mostra o quanto o negócio é lucrativo.” Segundo estimativas do Ibama, o tráfico internacional de animais é o terceiro maior negócio ilegal do mundo, perdendo apenas para o de drogas e o de armas, e chega a movimentar US$ 10 bilhões por ano.

Campanha – Cientes de que animais da fauna brasileira são vendidos livremente na Europa e nos Estados Unidos, as autoridades brasileiras vão lançar, em setembro, uma campanha internacional de combate ao tráfico. Coordenada pela Renctas, a campanha contará com a participação das embaixadas brasileiras no exterior.

“Distribuiremos cartazes em inglês e espanhol para serem afixados não só nas embaixadas, mas também nos portos e aeroportos desses países”, disse Giovanini. Os cartazes alertam para o fato de que, ao comprarem um animal da fauna brasileira, podem estar ajudando a extingui-lo. Também serão distribuidas para as embaixadas fitas de vídeo que mostram como os animais são retirados de seu hábitat natural e transportados das formas mais cruéis para o exterior.

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