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O Estado de São Paulo Interpol faz mais por nossos bichos do que Ibama

on outubro 15 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Segundo o coordenador-geral da ONG Renctas, de preservação do meio-ambiente, a polícia internacional tem conseguido mais resultados contra o tráfico de animais silvestres, aqui mesmo no Brasil

O Parque Ecológico do Tietê desenvolve um trabalho semelhante ao que é prestado pelo hospital veterinário do Ibirapuera aos animais apreendidos com traficantes, mas sobrevive em condições bem mais precárias. Além de cuidar de animais silvestres, o parque mantém atividades de lazer abertas ao público.

Este centro foi criado em 1986 e, com a dedicação de seus 14 funcionários, consegue dar atendimento aos animais que para lá são encaminhados. Liliane Milanelo, 27 anos, é a médica veterinária responsável por todos os animais do parque:

“Nosso objetivo é devolver todos os animais à natureza, mas isso nem sempre é possível. Eles chegam em condições físicas precárias e a maioria já está domesticada e não conseguiria sobreviver sozinha em um habitat natural”, diz ela.

O Parque Ecológico do Tietê tem uma área de 14 milhões de metros quadrados, distribuídos em dois centros de lazer, Tamboré e Engenheiro Goulart. Nessas áreas houve um repovoamento da fauna, e animais como quatis, capivaras, veados, cotias e canários ali vivem soltos. Essas espécies podem ser vistas pelo público graças às visitas monitoradas e ao plano de Educação Ambiental desenvolvidos pelo parque.

Punição ecológica

A área verde é imensa, mas o parque tem uma grande necessidade de contratação de biólogos, nutricionistas (para alimentar os animais, os funcionários seguem orientações publicadas em livros) e veterinários, e também é essencial a compra de novos equipamentos veterinários.

Atualmente, o Parque Ecológico do Tietê abriga 1.200 animais, em 30 viveiros (na maioria são aves). “Se não houvesse procura, não haveria tráfico. A falta que faz um animal retirado da natureza é irrecuperável”, desabafa Dra. Liliane.

“Há alguns meses, um homem foi pego pela segurança do parque caçando passarinhos e, ao ser detido, não pôde pagar fiança”, conta a médica veterinária. “O juiz condenou-o a prestar serviços ao animais do Parque Ecológico do Tietê uma vez por semana. Agora, ele sabe o mal que fez aos animais e à natureza capturando aves. Este tipo de punição deveria ser aplicada sempre, pois só assim, participando, as pessoas podem entender o dano causado à fauna”.

O Zoológico de São Paulo também acolhe animais capturados pelas polícias florestal, civil e militar, e ainda aqueles que são jogados por cima dos muros do zôo, por pessoas que temem alguma punição ou não conseguem mais criá-los.

Interpol em ação

A Interpol, polícia internacional, atua em qualquer assunto de caráter internacional ligado aos 178 países a ela associados. Quando os animais são retirados do Brasil e vendidos na Europa e Estados Unidos, passam a ser objetivo de investigação da Interpol. Antes da atuação efetiva da Interpol, conexões internacionais eram desconhecidas pela polícia brasileira.

Hoje em dia, vários traficantes já foram detidos. A Interpol tem agentes em escritórios de representação em todos os Estados brasileiros e em cada capital de seus países associados. A interligação conta com sistema eletrônico de última geração e um satélite exclusivo que permite a comunicação com o mundo todo em tempo real.

O relacionamento da polícia internacional com o Ibama é essencial, pois toda vez que um flagrante é lavrado é necessária a presença de um técnico para autuar a apreensão. Além disso, são promovidas operações em conjunto.

Os animais apreendidos no Brasil são registrados em delegacias comuns e o delegado nomeia depositários – criadouros da região, cientistas ou zoológicos – para que fiquem com eles. Os traficantes flagrados são tratados de acordo com a lei.

Os mais procurados

Segundo um representante da Interpol em Brasília, é difícil fazer um levantamento das espécies mais procuradas no exterior, mas ele pode garantir que há um interesse maior pelas aves. Algumas espécies de aves (arara azul e arara azul de Lear) e algumas espécies de cobras chegam a custar no exterior entre US$ 40 mil e US$ 60 mil a unidade.

Entre as principais cidades européias importadoras e receptoras de animais silvestres brasileiros estã Antuérpia, Bruxelas, Amsterdã, Roma, Milão, Frankfurt, Stuttgart, Viena e Londres. Ele afirma que em ações da Interpol já foram apreendidos animais vertebrados e invertebrados, como sapos, saguis, cobras, aranhas e borboletas.

No Brasil, pode-se encontrar fauna de interesse internacional em quase todos os Estados, mas as regiões mais afetadas pelo tráfico são a divisa da Bahia com Pernambuco (pela existência da arara azul e da arara azul de Lear), Centro-Oeste, Nordeste e Mata Atlântica, considerada mais rica do que a Amazônia. A Interpol já flagrou na floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, ações de caçadores de raposa, macacos e esquilos.

No Canadá, foi criado um catálogo com a relação de todas as espécies da fauna brasileira, com as características de cores, formatos dos bicos e informações necessárias para o reconhecimento. Esse material está sendo distribuído nos aeroportos de São Paulo e Rio de Janeiro Ele ajudará policiais na identificação dos animais ameaçados de extinção que estejam sendo transportados ilegalmente.

Juntamente com organizações não-governamentais, a Interpol tem promovido workshops envolvendo policiais de todas áreas. De acordo com as informações do representante da Interpol, esse tipo de crime vem merecendo trato policial não só por atingir o meio ambiente, mas também porque se tornou um crime organizado.

Parceiros na preservação

 Em parceria integral com a Interpol está a Renctas – Rede Nacional Contra o Tráfico de Animais Silvestres –, organização não-governamental destinada à preservação do meio ambiente. Criada em 1999, esta ONG tem alertado a população para os crimes contra a fauna brasileira, usando a Internet e mais de 400 voluntários.

Segundo o coordenador-geral da ONG, Dener Giovanini, 32 anos, o primeiro objetivo do trabalho é repassar informações recebidas para os órgãos competentes. O segundo passo é oferecer treinamento e dar apoio à fiscalização do meio ambiente.

Cerca de 650 pessoas, entre profissionais liberais, policiais e órgãos ligados à defesa do meio, já participaram dos dois workshops realizados, no Rio e em em Brasília, sede da Renctas.

Um terceiro plano de apoio em defesa à natureza é despertar a sociedade para a educação ambiental por meio da produção de vídeos e cartazes distribuídos pelo País e a formação de um banco de dados específico para a fauna.

“A Interpol tem feito mais pelos animais do que o Ibama. Os governantes deveriam assumir essa responsabilidade com o meio ambiente. O Ibama não fiscaliza os próprios criadouros autorizados por eles, imagina o tráfico”, desabafa Giovanini.

Na opinião do coordenador da ONG, a solução para o combate ao tráfico deveria partir da reformulação do Ibama. Ele acredita que a troca do 38 (revólver usado por fiscais) por um laptop seria a melhor maneira de controlar o crime.

Na Internet

Giovanini pesquisou o tráfico de animais silvestres durante três meses na internet e detectou a comercialização de 200 espécies que, por ano, podem render US$ 40 milhões aos traficantes e um prejuízo inestimável para a natureza.

O coordenador da Renctas alerta para um outro problema decorrente do contrabando de animais, que pouco é comentado e divulgad “As matas brasileiras são verdadeiros reservatórios de microorganismos desconhecidos”.

Sem saber, aponta Giovanini, as pessoas que compram animais silvestres podem estar espalhando esses vírus e bactérias nos espaços urbanos. “O tráfico faz a exploração e o empobrecimento da população. Se isso continuar, daqui a dois ou três anos não teremos mais algumas espécies raras”.

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