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O Estado de São Paulo – Relatório traz rotas e métodos do tráfico de animais

on novembro 12 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Entregue hoje às autoridades ambientais, levantamento da Renctas mostra que são capturados anualmente 38 milhões de animais silvestres, comércio ilegal que movimenta R$ 2,5 bilhões

São Paulo – Um levantamento da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), entregue hoje ao ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e ao presidente do Ibama, Hamilton Casara, em Brasília, revela que são capturados anualmente no Brasil 38 milhões de animais silvestres, número muito acima da estimativa oficial de 2 milhões. A informação faz parte do 1o Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre, trabalho que envolveu uma equipe de 16 pessoas, durante um ano e meio, e mostrou que esse comércio ilegal movimenta no país US$ 1 bilhão por ano (cerca de R$ 2,5 bilhões).

O trabalho, coordenado pela bióloga Flávia Murad, traz as principais rotas e os métodos utilizados pelos traficantes, os principais pontos de coleta e de venda, além dos motivos e as espécies mais traficadas. “Pela primeira vez temos um documento concreto para começar a resolver um problema que existe há 500 anos no Brasil”, disse Dener Giovanini, coordenador geral da Renctas.

Segundo Giovanini, 60% dos animais capturados são comercializados no mercado interno e 40% vão para o exterior. Pelo levantamento da Renctas, as espécies traficadas vão para quatro tipos de destinatários: colecionadores particulares, indústrias químicas e farmacêuticas (biopirataria), artesanato e pet shops. “É difícil dizer qual é a mais danosa, pois se os pet shops representam os maiores volumes, os colecionadores compram espécies que estão acabando”, explica.

Quanto mais rara a espécie, maiores os valores de comercialização. “Um filhote de jibóia é comercializado por valores entre US$ 800 e US$ 1 mil nos Estados Unidos”, diz o coordenador da Renctas. Para a biopirataria, são destinados principalmente animais venenosos, como aranhas, cobras, escorpiões e sapos amazônicos, enquanto o artesanato utiliza partes de animais, como penas, ossos, garras, dentes e peles. Nos pet shops, são vendidos araras, papagaios, tucanos, pássaros de canto e peixes ornamentais, que chegam a custar US$ 1.500. “É o terceiro comércio ilegal do mundo – atrás somente das drogas e das armas -, com o agravante que, de cada dez animais, nove morrem durante a captura e transporte”.

As principais rotas de tráfico partem das regiões Norte (Amazonas e Pará), Nordeste (Maranhão, Piauí, Pernambuco e Bahia) e Centro-Oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). De lá, os animais são escoados para o Sudeste (São Paulo e Rio de Janeiro) e Sul (Paraná e Rio Grande do Sul), onde são vendidos em feiras livres ou exportados através dos principais portos e aeroportos. Os destinos internacionais, segundo Giovanini, são Estados Unidos, Europa (Portugal, Espanha, Alemanha, Holanda, Suíça, Itália e França) e Ásia (Japão e Singapura). Existe ainda uma rota importante de retirada de animais silvestres brasileiros através das fronteiras dos estados da Amazônia com países como Guiana, Venezuela, Colômbia, Suriname e Guiana Francesa, onde recebem documentação falsa para seguirem o caminho do tráfico.

Patrocinado pela BR Distribuidora, o relatório da Renctas deverá ajudar na atuação do Ibama, das polícias florestais e Polícia Federal. Além disso, o ministro Sarney Filho anunciou o envio de carta aos ministros de meio ambiente de todos os países pedindo a colaboração na atuação contra o tráfico de animais brasileiros e se comprometendo a realizar, através do Ibama, também um trabalho especial no controle de entrada de animais exóticos no país.

Maura Campanili

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