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O Estado de São Paulo – SP – Cientistas lançam desafio à Fifa: salvar o tatu-bola da extinção

on abril 25 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

Em artigo, pesquisadores sugerem que 1 mil hectares sejam declarados com área protegida na caatinga para cada gol marcado na Copa do Brasil.

 

Herton Escobar

 
O tatu-bola, Tolypeutes tricinctus. 
Foto: J.A. Siqueira
Figura do trabalho publicado na revista Biotropica, mostrando a área de ocorrência da espécie. 
Foto: Cortesia de Enrico Bernard/UFPE
Neste momento, imagino que estão sendo (ou já foram) produzidos, em alguma fábrica da China, alguns milhões de bonecos do Fuleco, o simpático tatu-bola que foi escolhido como mascote da Copa do Mundo 2014 no Brasil. Infelizmente, o número de tatu-bolas de verdade que caminham hoje pelas florestas secas da caatinga brasileira é bem menor do que isso. A espécie, conhecida cientificamente como Tolypeutes tricinctus, está ameaçada de extinção (consta como “vulnerável” no Livro Vermelho do ICMBio), assim como o ambiente natural do qual ela depende para sobreviver.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores do Nordeste resolveu fazer um desafio à Fifa e ao governo brasileiro, bem mais modesto do que a construção de estádios e outras obras do tip destinar 1 mil hectares de caatinga como área protegida para cada gol que for marcado na Copa do Mundo no Brasil. Considerando que cerca de 150 gols são marcados em média por torneio, isso implicaria na criação de 1.500 km2 de áreas protegidas no bioma. E se você está achando muito, saiba que isso representaria míseros 0,002 % da área total de ocorrência da espécie (estimada em 732 mil km2), delimitada na figura abaixo. (Conta minha.)

Não é pedir demais, né? Pra quem está gastando (no caso do Brasil) ou ganhando (no caso da Fifa) bilhões de dólares com o futebol e a venda de souvenirs, não custa muito dar esse cachê para o coitado do tatu-bola.

A proposta dos pesquisadores está descrita em um artigo publicado na revista científica Biotropica. O autor principal é o biólogo Enrico Bernard, da Universidade Federal de Pernambuco, Laboratório de Ciência Aplicada à Conservação da Biodiversidade. Ao receber o artigo, fiz uma rápida entrevista com ele por email:

Qual é a mensagem principal do artigo?

A escolha do tatu como mascote da Copa do Brasil é uma oportunidade ímpar para que FIFA e governo brasileiro estabeleçam um novo padrão de legado ambiental para as Copas.

Você acha que a Fifa poderá dar ouvidos a ela?

Espero que sim, afinal a escolha de uma mascote simboliza um comprometimento de quem o escolheu com uma causa. Aos escolherem o tatu-bola e ao batizarem-no com um nome cuja origem deixa claro a fusão de futebol + ecologia, a FIFA sinalizou que pretendia abordar este tipo de questão nesta Copa. 

O tatu-bola foi uma boa escolha para mascote da Copa? Porquê? De que formas ele é representativo do Brasil e da biodiversidade brasileira?

Sob o ponto de vista de marketing a escolha do tatu foi apropriada: É um animal tipicamente brasileiro e que assume uma forma peculiar de bola, que obviamente remete ao futebol. Entretanto, o mal status de conservação da espécie e de seu habitat colocam tanto a FIFA quanto o governo brasileiro em uma situação delicada quanto à escolha. Eles precisarão agir efetivamente.

Por fim, eu pergunto: Quem tem mais chances de sair ganhando nessa Copa, a seleção brasileira ou o tatu-bola?
Essa vocês respondem.
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