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O Liberal – Tráfico de animais silvestres tem base importante no Pará

on novembro 18 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Brasília (Da Sucursal) – O Pará é um dos principais pólos do tráfico ilegal de animais silvestres no Brasil, atividade que anualmente movimenta US$ 1 bilhão no País. Em dezenove pontos do Estado os bichos são capturados e em outros doze municípios foi constatada a existência de venda ilegal desses animais. Os dados são do primeiro Relatório Nacional sobre o Comércio Ilegal de Fauna Selvagem, elaborado pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) e divulgado esta semana em Brasília. O estudo aponta que, anualmente, mais de 38 milhões de animais selvagens são retirados de seu habitat no País.

O levantamento, entregue esta semana ao ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e ao presidente do Ibama, Hamilton Casara, em Brasília, revela que o comércio ilegal de animais é bem superior à estimativa oficial (2 milhões de animais capturados anualmente) e informa sobre as principais rotas e os métodos utilizados pelos traficantes, além dos principais pontos de coleta e de venda.

Segundo a pesquisa, os países em desenvolvimento são os principais fornecedores de animais selvagens. No Brasil, as principais rotas de tráfico partem das regiões Norte (Amazonas e Pará), Nordeste (Maranhão, Piauí, Pernambuco e Bahia) e Centro-Oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). De lá, os animais vão para o Sudeste (São Paulo e Rio de Janeiro) e Sul (Paraná e Rio Grande do Sul), onde são vendidos em feiras livres ou exportados pelos principais portos e aeroportos.

Os principais destinos são Estados Unidos, Europa (Portugal, Espanha, Alemanha, Holanda, Suíça, Itália e França) e Ásia (Japão e Singapura), mas os animais também saem do Brasil pelas fronteiras de Estados da Amazônia: Guiana, Venezuela, Colômbia, Suriname e Guiana Francesa. Ali, a prática é dar-lhes documentação falsa para seguirem para outros países. No mercado mundial, o tráfico movimenta cerca de US$ 15 bilhões por ano.

Segundo o coordenador da Renctas, Dener Giovanini, 60% dos animais capturados são comercializados no mercado interno e 40% vão para o exterior. As espécies traficadas vão para quatro tipos de destinatários: colecionadores particulares, indústrias químicas e farmacêuticas, artesãos e pet shops. Os colecionadores pagam muito. Quanto mais raros os animais, mais caro custam: as ararinhas azuis de lear chegam a valer US$ 60 mil, a cobra coral alcança US$ 31 mil, a aranha marrom US$ 24.570, o escorpião amarelo US$ 14.890 e um filhote de jibóia oscila entre US$ 800 e US$ 1 mil.

Indústrias – As indústrias química e farmacêutica adquirem principalmente animais venenosos, como aranhas, cobras, escorpiões e sapos. Já os artesãos interessam-se em comprar plumas, ovos, garras, dentes e couros. Nos pet shops – maiores compradores da fauna silvestre – são vendidos bichos considerados exóticos. Caso de araras, papagaios, tucanos, pássaros canoros e peixes ornamentais. O problema é que, de cada dez animais, nove morrem durante a captura ou o transporte. Isso porque os maus-tratos e a falta de cuidados são tratamentos comuns dados aos bichos. Alguns deles são feridos propositadamente, a fim de simular mansidão. As araras, por exemplo, costumam ter os ossos do peito quebrados, para dar aparência de dóceis.

As aves são as espécies preferidas pelo tráfico, chegando a 82%. Somente este mercado movimenta a cada ano cerca de US$ 44 milhões. Quem faz a captura são garimpeiros, índios, pequenos agricultores. Os animais são transportados para as cidades por caminhoneiros, motoristas de ônibus e barqueiros, até chegarem aos traficantes, que se encarregam de colocar os animais no mercado internacional. Esses traficantes lançam mão de várias modalidades para fazer com que os animais cheguem ao seu destino em países estrangeiros. Por vezes eles amarram os animais ao corpo ou usam malas especialmente adaptadas.

A Renctas identificou 19 pontos de captura de animais no Pará. Entre eles Soure, Oriximiná, Bragança, Óbidos, Monte Alegre, Soure, Ananindeua, Castanhal, Paragominas e Marabá, além de outras pequenas localidades. No Estado, 60% dos animais saem ilegalmente através de embarcações, 20% de avião e 20% por rodovias. As principais rotas terrestres são a Transamazônica, a Santarém-Cuiabá e a BR-235. Foram identificados como saída dos animais traficados os aeroportos de Belém, Santana do Araguaia, Santarém, Oriximiná, Tucuruí, Marabá, Altamira, Paragominas e Castanhal. Em doze cidades, a pesquisa da Renctas identificou pontos de venda ilegal da fauna. Entre elas Santarém, Marabá, Altamira, Ananindeua, Belém, Castanhal, Redenção e Tucuruí.

Contrabando pode acabar com muitas espécies

O tráfico de animais pode causar problemas sanitários para os receptores, uma vez que a maioria não é vacinada. Mas o maior problema é mesmo a extinção das espécies, uma vez que a natureza não consegue repor a quantidade de animais que é retirada. “O tráfico de animais selvagens é um atentado à vida coletiva”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho.

Giovanini informa que o tráfico da fauna silvestre é o terceiro comércio ilegal do mundo. Fica atrás apenas das drogas e das armas. Das aproximadamente 400 quadrilhas de traficantes de animais, pelo menos 40% têm ligações com o narcotráfico. Também utiliza a Internet: foram identificados 4.892 anúncios de compra, venda e troca ilegais de animais silvestres na web em 1999. O comércio ilegal também se beneficia da falta de estrutura e de recursos (financeiros e humanos) dos órgãos públicos, a quem cabe a fiscalização. Para completar o quadro negativo, os crimes contra a fauna são considerados “menores” por alguns policiais e juízes. Em contrapartida, o tráfico movimenta bilhões e dispõe de uma rede mundial de colaboradores.

O tráfico de animais é punido com prisão de seis meses a 1 ano, além de multas de até R$ 5,5 mil por animal apreendido. Quem quiser denunciar venda e captura de animais pode ligar para a linha verde do Ibama (0800-61-80-80) ou usar a página da Renctas na Internet (www.renctas.org.br).

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