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O Povo – Em defesa dos recursos naturais

on maio 7 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

EDITORIAL

A preocupação com a soberania nacional não é um tema superado, como muitos analistas mal-intencionados procuram incutir na população depois do advento da globalização

[07 Maio 18h08min 2005]

É digno de muita reflexão o levantamento apresentado pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), em parceria com o Ibope. A pesquisa revela que, para 75% dos brasileiros, o País corre o risco de ser invadido por países estrangeiros atraídos pelos recursos naturais de seu território.

O objetivo da pesquisa, segundo os seus organizadores, era levantar opiniões relacionadas ao tráfico de animais silvestres e outras questões relacionadas ao meio ambiente. O resultado da consulta vem, de maneira incontestável, confirmar os temores da população com o descaso dispensado aos assuntos ligados à preservação ambiental no Brasil.

Com relação às espécies vegetais, sabe-se, por exemplo, que produtos típicos da Amazônia, tais como o açaí, o cupuaçu e outras frutas e vegetais da rica flora da região tiveram suas patentes registradas descaradamente por laboratórios internacionais.

Com relação ao cupuaçu, foi possível retomar a patente para o Brasil, mas há ainda muitos outros produtos amazônicos cujos registros ainda estão em poder de empresas multinacionais. No levantamento foram relacionados 13 aeroportos brasileiros, de capitais e outras cidades populosas, que vêm servindo de passagem ao tráfico de animais silvestres brasileiros para países da Europa e os Estados Unidos.

Entre esses terminais está o Aeroporto Pinto Martins, de Fortaleza. Foram entrevistadas pelo Ibope 2.002 pessoas maiores de 16 anos, entre os dias 8 e 13 de abril último. Cento e 40 municípios de todas as regiões brasileiras fizeram parte da seleção para a elaboração da pesquisa.

A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, sendo que o nível de confiança estimado na consulta é de 95%. O temor por uma intervenção internacional nas florestas brasileiras, segundo a pesquisa, é mais elevado entre os jovens, entre aqueles que concluíram o ensino médio e têm renda familiar que varia de cinco a 10 salários mínimos.

O levantamento feito pelo Renctas e Ibope veio demonstrar que a preocupação com a soberania nacional não é um tema superado, ao contrário de muitos analistas mal-intencionados procuram incutir na população depois do advento da chamada globalização.

Pelo que se observa é entre as grandes potências que pregam o internacionalismo das riquezas naturais dos outros países, é claro, onde se detecta maior protecionismo e vigilância dos seus recursos naturais. Daí a necessidade de os países em desenvolvimento, como o Brasil, procurarem defender a todo custo a grande diversidade de flora e fauna.

Na relação de animais mais visados pelo tráfico incluem-se espécies de diversos tamanhos e hábitats, tais como o tamanduá-mirim, a preguiça, a jibóia, o papagaio-verdadeiro, além de uma grande quantidade de pássaros e tartarugas. O mesmo alerta deve ser feito também com relação aos fósseis, alvo de contrabando para o Exterior. A região do Cariri, no Ceará, é um exemplo desse descalabro.

O governo Lula, comprometido na campanha presidencial com a defesa do meio ambiente, foi visto com bastante esperança pelos preservacionistas. Mas, infelizmente, as ações levadas a efeito até o momento pela atual administração federal têm sido tímidas, não obstante os esforços da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. É preciso uma ação mais enérgica. O País não pode perder mais tempo na defesa dos seus recursos naturais.

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