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Portal Globo.com – G1 – Análises genéticas revelam origens dos leões modernos

on abril 6 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

Equipe de cientistas conclui que ancestral mais recente dos felinos atuais viveu há cerca de 124 mil anos.

Da BBC

 
Leões se encaram em santuário localizado no estado de Gujarat, na Índia (Fot Ajit Solanki/AP)
Leões se encaram em santuário localizado no estado de Gujarat, na Índia.
Foto: Ajit Solanki/AP
A origem e a história dos leões modernos foi revelada por uma equipe internacional de cientistas.

Uma análise genética de leões vivos e espécies conservadas em museus confirmou que o ancestral mais recente dos leões modernos viveu há cerca de 124 mil anos.

Os leões modernos evoluíram em dois grupos: um vive nas partes leste e sul da África e o outro inclui leões das regiões central e oeste da África e da Índia.

O segundo grupo está ameaçado e isso significa que metade da diversidade genética dos leões modernos corre o risco de extinção. Os detalhes das descobertas foram publicados em um artigo na revista especializada “BMC Evolutionary Biology”.

Dificuldades

Descobrir a história do leão foi difícil. Animais que vivem em áreas tropicais deixam menos restos fossilizados. Os leões também foram perseguidos durante a história recente, populações inteiras foram exterminadas devido a atividades humanas.

Para superar estes problemas, a equipe internacional de cientistas estudou amostras de DNA antigas, de leões conservados em coleções particulares e museus em todo o mundo.

Liderada por Ross Barnett, da Universidade de Durham, da Grã-Bretanha, a equipe sequenciou o DNA mitocondrial dos leões conservados em museus, incluindo de algumas subespécies como o leão-do-atlas, do norte da África, o leão iraniano e leões das regiões central e oeste da África.

Os cientistas compararam estas sequências genéticas com outras, retiradas de leões que vivem na Ásia e em outras partes da África. Então, os pesquisadores descobriram como as diferentes subespécies de leão evoluíram.

O estudo revelou que a única espécie de leão que existe atualmente, Panthera leo, apareceu pela primeira vez na região leste-sul da África.

Evolução

Há cerca de 124 mil anos, subespécies diferentes começaram a evoluir. Por volta daquela época, as florestas tropicais se expandiram na região equatorial da África e a região do Saara se transformou em uma savana.

Leões que viviam ao sul e leste do continente se separaram e começaram a se afastar daqueles que viviam no oeste e no norte. As diferenças genéticas entre estes dois grupos de leões ainda existem nos dias de hoje.

Há cerca de 51 mil anos o continente secou e o Saara se expandiu, cortando as ligações entre os leões do oeste com aqueles do norte. Ao mesmo tempo, leões no oeste expandiram seu alcance até a área central da África, que se transformou em uma região mais habitável.
Desde então, os grandes rios da África, incluindo o Nilo e o Níger, ajudaram a manter estes leões separados.

Outro detalhe revelado pelo estudo do DNA antigo é que os leões modernos começaram o êxodo para fora da África há apenas 21 mil anos e, eventualmente, chegariam até à Índia.

Muito tempo depois, há cerca de apenas 5 mil anos, outro grupo de leões deixou o continente chegando a uma região do Oriente Médio onde atualmente fica o Irã. Estes leões estão extintos.

Conservação

A descoberta da equipe de cientistas pode ser importante para a conservação dos leões modernos.

Menos de 400 leões asiáticos (P. leo persica) sobrevivem atualmente na península Kathiawar da Índia, a subespécie está listada como ameaçada pela União Internacional de Conservação da Natureza.

“Populações de leões na África Ocidental e África Central, que caíram drasticamente nas últimas décadas, são, na verdade, bem mais próximas do leão indiano do que os leões, digamos, da Somália ou Botsuana”, disse Ross Barnett à BBC.

Apesar das grandes distâncias geográficas entre eles, estes leões parecem mais próximos dos leões iranianos e do leão-do-atlas, do norte da África.

“Fiquei mais surpreso pela relação incrivelmente próxima entre o leão-do-atlas extinto do norte da África e o leão asiático da Índia, que ainda existe”, acrescentou o cientista.

O leão-do-atlas continua sendo um mistério. Acredita-se que ele diferia dos leões atuais no formato da cabeça e do focinho. Alguns relatos afirmam que ele era maior e a cor dos olhos era diferente, mas não há confirmação.

Não se sabe com certeza se algum exemplar deste leão ainda existe e conservacionistas já falaram sobre a possibilidade de ressuscitar a espécie.

Mas, se o leão-do-atlas está realmente extinto, então este novo estudo sugere que os leões indianos, que são mais próximos desta espécie, poderiam ser reintroduzidos no habitat do leão-do-atlas, como uma forma de restaurar as populações de leões do norte da África.

“Isto tem implicações para qualquer tentativa futura de reintroduzir leões no norte da África”, disse Barnett.

Acredita-se que um terço dos leões africanos tenha desaparecido nos últimos 20 anos.

Barnett e sua equipe afirmam que a preocupação maior é com os leões da África Ocidental e Central, que podem estar próximos da extinção com cerca de 400 ou 800 e 900 leões vivendo em cada região, respectivamente.

“Se você pensa em diversidade de leões como dois ramos distintos, então as regiões onde os leões estão indo bem, no leste e sul da África, refletem apenas metade da diversidade total”, afirmou o cientista.

“A outra metade é representada pela diversidade na Índia, África Ocidental e África Central. Se as populações da África Ocidental e Central acabarem, então todo aquele ramo vai sobreviver apenas com a minúscula população de leões indianos”, acrescentou.
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