Related »

Portal Globo.com – G1 – Dois animais silvestres morrem por mês em estrada no Córrego do Veado, SP

on janeiro 13 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

Em Epitácio, reserva florestal é cortada pela vicinal Prefeito Élio Gomes.
Espécies em extinção, como jaguatirica, são atropeladas no local.

Vinícius Pacheco – Do G1 Presidente Prudente

Jaguatirica é uma das espécies que já foram atropeladas no local; registro é de junho de 2013 (Fot Djalma Weffort/Apoena)
Jaguatirica é uma das espécies que já foram atropeladas no local (junho/2013). Foto:Djalma Weffort/Apoena
Veado mateiro está entre as espécies nativas atropeladas; último caso foi neste mês (Fot Genildo de Oliveira/Apoena)
Veado mateiro está entre as espécies nativas atropeladas (janeiro/2014).
Foto: Genildo de Oliveira/Apoena

De acordo com levantamento da organização não governamental (ONG) Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar ‘Apoena’,  morrem dois animais silvestres atropelados por mês na estrada vicinal Prefeito Élio Gomes, em Presidente Epitácio, que corta a Reserva Florestal do Córrego do Veado.

Segundo o presidente da entidade, o ambientalista Djalma Weffort, o número pode parecer pequeno, mas é relevante, pois se tratam de espécies nativas e, algumas, em extinção.

Ainda de acordo com a Apoena, já foram registradas mortes de cervo-do-pantanal, criticamente ameaçado no Estado de São Paulo, cachorro-do-mato, tamanduá-bandeira, tamanduá-mirim, macaco-bugio, mão-pelada (guaxinim), tatu, lebrão, jibóia e jaguatirica. “A tendência é de que estes números cresçam, já que as boas condições da pista fizeram com que os condutores dirigissem em velocidades mais altas”, declara Weffort.

O ambientalista informa que existe um conjunto de fatores que colaboram para que este número se torne cada vez maior. São eles: o maior número de animais que o local passou a abrigar, pelo desenvolvimento do trabalho de reflorestamento; o aumento da frota de carros que passa pela vicinal; e a falta de sinalização adequada e de fiscalização.

Weffort também explica que este reflorestamento, que ainda está em fase de aplicação nos 915 hectares da reserva, é prejudicado. “Esta fauna ajuda na dispersão de sementes pelo solo, ação fundamental nesta fase. Sem contar o impacto negativo na reprodução das espécies”, relata.

Além de melhor sinalização, uma das sugestões do ambientalista é a instalação de radares eletrônicos, o que deve provocar uma diminuição da velocidade por parte dos motoristas e, consequentemente, a redução no número de atropelamentos.

A Reserva Florestal do Córrego do Veado existe desde 1999, e surgiu após a instalação da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Mota, em Primavera, distrito de Rosana. As terras foram concedidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e, desde então, a Apoena realiza o trabalho de conservação do espaço. A área é remanescente da Floresta da Lagoa São Paulo.

A via interliga Presidente Epitácio ao distrito de Campinal e foi recapeada no ano de 2013, o que pode ter colaborado com a imprudência dos motoristas, segundo Weffort. A responsabilidade por ela é da Prefeitura Municipal, que informou ao G1 que conhece a situação no local e já pensa em diretrizes que deverão ser estabelecidas durante reuniões do projeto Cidade Verde e aplicadas posteriormente.

“O local também deve ser assumido por uma concessionária e o edital também já está publicado. Dentro deste contexto, serão propostas medidas na reserva florestal”, informa.
Pin It

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

« »

Scroll to top