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Rádio Caçula AM – Três Lagoas/MS – Apesar da ameaça de extinção, tatu-canastra é encontrado nas florestas de eucalipto

on abril 10 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

Animais ameaçados de extinção são observados em florestas plantadas no Mato Grosso do Sul.

Marco Campos

Foto:José Antônio da Silva, morador da fazenda Bela Vista

Animais silvestres ameaçados de extinção, já listados no Livro Vermelho do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ano a ano voltam a ser localizados nas florestas de eucaliptos plantadas no Mato Grosso do Sul, entre elas, na região de Três Lagoas.

Os animais que ocupam as matas nativas complementam suas atividades, como alimentação e refúgio nas florestas plantadas. O fato tem sido comemorado por especialistas, que consideram o fenômeno prova de que, enquanto as florestas plantadas com eucaliptos crescem, a fauna regional se aproveita desses locais.

A vegetação do Mato Grosso do Sul, embora tenha vários tipos de fisionomias vegetais, é composta predominantemente por cerrado, bioma rico em número de espécies, devido às suas características de clima e vegetação. Historicamente, a região era dominada por pastos degradados, mas a substituição por florestas plantadas, principalmente no leste do Estado, associada a reservas e matas nativas, têm auxiliado para a conservação da biodiversidade regional.

De acordo com Klaus Duarte Barretto, diretor da Casa da Floresta Assessoria Ambiental, em Mato Grosso do Sul, onde se concentram as fazendas das empresas de celulose, existem exemplares de 75% do total de espécies de mamíferos de médio e grande porte encontrado no Estado.

“Realizamos levantamentos para verificar o equilíbrio da biodiversidade da região com regularidade e nos últimos anos pudemos observar que algumas espécies como a onça-pintada e o tatu-canastra voltaram a ser vistas com maior regularidade”, afirma.

Recentemente, Leandro Maia, supervisor de Silvicultura da Eldorado Brasil, recebeu a foto acima de um morador da que estava trabalhando na Fazenda Bela Vista Otobonni, que fica no município de Inocência (MS), fotografou um tatu-canastra (foto acima), enquanto fazia monitoramento de área.

“Nem sempre temos um celular ou uma câmera em mãos para fazer imagens, mas é comum nos depararmos com animais circulando pelas florestas em crescimento.
 
Neste caso, José Antônio da Silva, morador da fazenda, foi que me enviou a foto”, explica o supervisor. Segundo o engenheiro florestal Barretto, no último levantamento de mamíferos da Casa Floresta foram identificadas 27 espécies diferentes na lista de animais localizados nas fazendas da Eldorado.

Tatu-canastra

Facilmente reconhecido pelo seu tamanho corporal, o tatu-canastra (nome científico: Priodontes maximus), pode atingir até 60 kg.
 
Segundo o gerente de projetos e especialistas em mastofauna (estudo de mamíferos) da Casa da Floresta Assessoria Ambiental, Elson Fernandes de Lima, é o maior tatu dentre todas as espécies atualmente existentes em todo o mundo. “Ele normalmente é visto em toda a América do Sul, porém em baixas densidades populacionais. Devido à caça predatória e a expansão da agropecuária, a espécie ficou ameaçada de extinção”, explica Lima.
A espécie é adaptada para buscar seu alimento preferencial: possui unhas compridas e resistentes que permitem explorar cupinzeiros e formigueiros em busca de seu alimento. “Pouco se sabe sobre a ecologia dessa espécie, além de que seu hábito é noturno e furtivo, ou seja, evita fortemente a presença humana.
 
Uma curiosidade é que o animal pode ficar por vários dias dentro de sua toca. Por isso, estudos de biodiversidade, como inventários e monitoramentos, são altamente relevantes para indicar tanto os locais de ocorrência da espécie quanto indicar pesquisas mais aprofundadas que contribuam para o conhecimento e a conservação da espécie”, afirma.
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