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Revista Eco21 – O tráfico de animais em filme

on maio 6 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Dener Giovanini Ambientalista e co-roteirista do Documentário O Bicho Dá. O Bicho Toma

Documentar é uma atividade inata ao ser humano. É quase um instinto. Mesmo sem perceber, dedicamos boa parte do nosso tempo a garantir a perpetuação das nossas memórias. Fotos com carinho, bilhetinhos, anotações do cotidiano e até receitas médicas antigas. Não há quem não as tenha. Essas “chaves” da memória nos ajudam a relembrar quem fomos, por onde andamos e o que fizemos.

Documentar para registrar. Documentar para não esquecer. Documentar é arte. Documentar é necessário. Mais necessário ainda é documentar para nos lembrarmos dos erros que cometemos. Também serve para estudarmos a nossa evolução. Para comparar nossas atitudes do passado e do presente.

Mas documentar também tem uma finalidade ainda maior: registrar uma verdade, revelar uma ação, mostrar um fato. O fato, em nosso caso, é o tráfico de animais silvestres. A verdade, é que estamos dançando irresponsavelmente entre as prateleiras que guardam os cristais da vida. E a ação… bem, ela se formará nos olhos daqueles que assistirem ao documentário “O Bicho Dá. O Bicho Toma”.

Gestada durante quatro anos, a idéia de produzir esse filme foi uma vencedora. Ela (a idéia) resistiu a todos os percalços de uma gravidez de alto risco. Em alguns momentos correu até o risco de ser abortada. Inicialmente sozinha em seu casulo mental, ganhou idéias gêmeas, que mesmo fertilizadas em outras mentes, estavam ali para gestar uma forma única.

Passada a longa jornada da evolução fetal, a idéia finalmente nasceu. Nasceu sob as bênçãos de duas dedicadas mães: Tânia Leite e Beatriz Thielmann. Detentoras ambas de epítetos nada condizentes com suas funções maternais: produtora–executiva, a primeira e diretora, a segunda. Mas, mesmo as mães normais também têm que carregar o peso de ser uma, desculpe-me a palavra, “genitora”.

E essa idéia, hoje já crescida e transformada num documentário, já veio ao mundo com uma enorme responsabilidade. Ela tem de ser uma testemunha fiel. Captar, através dos seus olhos, a relação do homem com a natureza. Contar, através da sua boca, as “verdades” múltiplas de um país–gigante. Estender suas mãos para escrever, no papel da vida, uma história real.

E o sonho de todos nós, que geramos essa criança-documentário, é matá-lo um dia. É de tudo fazer para que seu tempo acabe logo. Pois a força da vida somente nascerá quando o testemunho desse documentário se transformar apenas em uma vaga lembrança. Um pequeno e singelo registro de um tempo que não existe mais.

“O Bicho dá. O Bicho toma” dirigido por Beatriz Thilmmam e produzido pela Guapuruvu Filmes em parceria com a ONG Renctas, teve apoio da Eletrobrás, BNDES, Telemar, BASA e Infraero. O documentário chama a atenção ao registrar momentos de intimidade dos traficantes, suas famílias e sua relação com os animais.
O filme pretende abrir um espaço de debate sobre o tráfico, essa antiga forma de destruição da fauna, afirma Tânia Leite, Produtora-Executiva do filme.

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