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Revista IstoÉ – Tráfico animal

on abril 18 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Tráfico animal

Ines Garçoni Paranaguá (PR)

Conscientização – Para ganhar o mundo, os traficantes embarcam, normalmente, nos aeroportos do Rio de Janeiro e São Paulo rumo à Europa, Ásia e Estados Unidos. Sabendo disso, o Ibama lançou um plano de combate ao tráfico, em 15 de março, que reunirá a PF, a Interpol, os Correios, o Ministério Público Federal e ONGs ecológicas. Mas o coordenador da Renctas, Dener Giovanini, acha que o governo está longe de resolver o problema e alerta para uma questão pouco divulgada: “Quem compra ilegalmente não sabe que doenças está levando para casa junto com o bicho. O resultado é a difusão das moléstias no mundo.”

A fiscalização governamental é insuficiente, mas muitas espécies brasileiras sobrevivem pela ação de centenas de ONGs. É o caso do papagaio-de-cara-roxa, cuja preservação dos últimos exemplares conta com a colaboração da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS), entidade que tem sede em Curitiba e desenvolve o Projeto Papagaio. Em Paranaguá e nas ilhas Rasa e das Peças, no litoral paranaense, a SPVS monitora os filhotes para controlar a população. “A idéia é saber tudo sobre ele para refinar a estratégia de conservação”, diz Tiaraju Fialho, biólogo da SPVS. “Encaminhamos denúncias ao Ibama, mas a melhor saída é conscientizar as pessoas”, diz. Sem saber os males que causam mantendo animais silvestres em cativeiro, muitos moradores de Paranaguá possuem papagaios-de-cara-roxa em casa. A cabeleireira Hilda da Rosa cria “Mateus” há cinco anos e diz que “não lembra” como a ave chegou às suas mãos: “Acho que meu marido ganhou de presente de alguém”, diz. Ela teme que o animal seja apreendido. Giovanini, da Renctas, acredita que é hábito do brasileiro criar animais silvestres em casa. “As pessoas são desinformadas e acham normal ter um papagaio, por exemplo”, diz.

“Vamos trabalhar com as comunidades que coletam os animais, através de campanhas e programas de geração de renda”, prometeu o presidente do Ibama, Hamilton Casara. Enquanto isso, ONGs assumem essas tarefas, promovendo campanhas de educação ambiental. No Pantanal, o Projeto Arara-azul colaborou decisivamente para diminuir o tráfico. “A captura em grande escala acabou. Fizemos a população entender que deixar a arara-azul no seu canto é melhor para todo mundo. Ela embeleza a região e atrai turistas”, diz a bióloga Neiva Guedes, criadora do projeto. A meta da SPVS no Paraná é atingir o mesmo objetivo, ministrando cursos nas escolas municipais. Crianças de primeira à quarta séries estão aprendendo que capturar o papagaio-de-cara-roxa na mata não é bonito. “Os alunos até falam de parentes e conhecidos que têm papagaios. Elas achavam que é um animal doméstico”, conta a professora Fabíola Soares, da Escola Gabriel de Lara.

Pobreza – Toda conscientização é bem-vinda. Mas para o diretor da ONG carioca Instituto Ecológico Aqualung, Marcelo Szpilman, o tráfico é alimentado não só pela ignorância, mas, principalmente, pela pobreza. “Não se pode exigir que o cidadão miserável entenda o mal que comete vendendo estes bichos.

Ele vai argumentar, com razão, que tem um filho com fome”, diz. “Só se conseguirá bons resultados oferecendo perspectivas de vida melhor para a população”, completa.

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