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Revista Trilhas – Tráfico de animais

on junho 4 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

O contrabando de animais representa um dos negócios ilícitos de maior lucratividade praticados no mundo, ficando apenas atrás do tráfico de drogas e do contrabando de armas. Informações contidas no Relatório da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) mostram que o Brasil participa com 10% dos US$ 20 bilhões movimentados anualmente com o tráfico mundial. A Renctas é um projeto desenvolvido conjuntamente entre o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ong’s (organizações não-governamentais). Segundo o coordenador da Renctas, Dener Giovanini, o país chega a perder, anualmente, um total de 12 milhões de animais, incluindo-se araras-azuis, tucanos, macacos, papagaios, cobras e outros.“No cenário mundial do comércio ilegal de fauna silvestre, o Brasil está entre as nações que mais exportam”, explica Giovanini.

Tráfico de animais
A base de sustentação do contrabando internacional de animais oriundos da fauna brasileira é o próprio comércio nacional. Sem a movimentação do tráfico interno, o volume de espécies brasileiras comercializadas em outros países certamente seria significativamente menor.

Somente no Estado do Espírito Santo, a Polícia Ambiental e o Ibama – órgãos responsáveis pela fiscalização e apreensão de animais silvestres – apreenderam este ano 6.841 animais, em sua maioria aves. Conforme informações do tenente Fiorim, da Polícia Ambiental, a ação policial contra o tráfico funciona através de blitze (pontos móveis de fiscalização) ou diligências para atender denúncias anônimas. “A população tem procurado nos ajudar, fornecendo-nos informações importantes acerca de atividades consideradas ilegais. Chegamos a receber mensalmente cerca de 300 ligações”, disse Fiorim.

O comércio clandestino de aves, mamíferos, répteis e outras espécies pôde ser comprovado, no último dia 8, quando a Polícia Ambiental prendeu um comerciante que colocara à venda sete animais silvestres – dois trinca-ferros, dois canários-da-terra, dois coleiros e um azulão – em seu estabelecimento comercial, na localidade de Bela Vista, em Cariacica. O cidadão foi detido e encaminhado para a Delegacia de Crimes Ambientais, sendo multado em R$ 3.500,00. (Dados obtidos através de Boletim de Ocorrência da PM.)

A rota

A maioria dos animais silvestres brasileiros comercializados ilegalmente provém das regiões Norte e Nordeste do país. De lá, são escoados para as regiões Sul e Sudeste, geralmente através do Espírito Santo, que funciona como um corredor do tráfico. As rodovias federais BR-101 e BR-262 são as mais utilizadas pelas quadrilhas para o transporte. Esses animais são destinados, geralmente, aos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, onde são vendidos em feiras ilegais e exportados através dos principais portos ou aeroportos dessas regiões.

O gerente da Divisão Técnica do Ibama, João Batista Rasseli, afirma que os países da Europa, Ásia e América do Norte são os principais importadores de nossa fauna. “Temos informações de que as espécies de animais brasileiras chegam ao exterior para engordar coleções particulares, serem vendidas em pet shop’s ou para compor o plantel de zoológicos, universidades, centros de pesquisa e multinacionais da indústria química e farmacêutica”.

Um hobby caro
O patrimônio faunístico brasileiro permanece sob violenta pressão. O tráfico poderá, em curto prazo, proporcionar o enriquecimento de alguns contraventores, mas certamente algumas valiosas espécies estarão fadadas ao definitivo desaparecimento. Aves exóticas, macacos, peixes e até animais ferozes, dentre muitos, pagam com a vida o simples prazer, que algumas pessoas têm, de possuir um animal silvestre em casa. “No comércio internacional de animais silvestres, a raridade da espécie eleva o seu valor. A arara-azul-de-lear, por exemplo, está em extinçã existem apenas 150 exemplares na natureza. Por isso mesmo, os colecionadores pagam em torno de US$ 60 mil por unidade. O ovo também vale muit US$ 60 mil. A arara-azul grande, natural do Pantanal, não fica muito atrás: US$ 30 mil cada uma. Os estrangeiros oferecem por um papagaio-de-cara-roxa, originário do Sul do país, até US$15 mil”, comenta o coordenador da Renctas, Dener Giovanini.
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