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Sauins-de-coleira são resgatados na avenida André Araújo após perderem-se de bando

on junho 30 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

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Sauim-de-Manaus é resgatado na Zona Centro-Sul da capital (Foto: Clóvis Miranda)

Espécie ameaçada de extinção e predominante apenas na Região Metropolitana de Manaus,

foram resgatados, ontem, ao perambularem por uma das principais avenidas da capital.

Um animal silvestre fora de seu habitat natural causa espanto e em muitos casos a população não sabe o que fazer quando se depara com um bicho em situação de risco. Normalmente, eles são vítimas do crescimento desordenado da cidade, que reduz os fragmentos florestais urbanos e corredores por onde os animais se deslocam.

Ontem, dois sauins-de-coleira, espécie ameaçada de extinção, foram resgatados por uma equipe de tratadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) dentro de uma empresa na avenida André Araújo. De acordo com o médico veterinário do órgão, Anselmo D’Affonseca, os animais podem ter se dispersados de um grupo que vive na mata do Inpa, e que estaria atravessando a avenida André Araújo para um outro fragmento florestal, em busca de alimentos.

“Aparentemente eles são do mesmo grupo que vive no Inpa. É possível que seja um subgrupo, pois a medida que o bando vai aumentando, eles vão procurando outros espaços, é natural”, explicou o veterinário. Depois de terem sido resgatados, os animais foram levados para o pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Marcelo Gordo, referência em sauim-de-coleira. “Ele irá coletar o sangue, fazer o DNA e colocar microchips nestes sauins para fazer o acompanhamento”, diz D’Affonseca. Os pesquisadores também tentarão reintroduzir os primatas no grupo.

D’Affonseca explica ainda que a intervenção humana deve ser evitada. “Se o cidadão oferecer comida, é arriscado voltarem mais vezes”. O certo é acionar os órgãos de resgate e monitora-los até que os profissionais cheguem. Apesar de terem ajudado nesta situação, o Inpa não é o órgão responsável pelo resgate de animais. Para estes casos, o indicado é acionar o Batalhão Ambiental da Polícia Militar, Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Refúgio Sauim-de-Coleira ou Corpo de Bombeiros

Gestor do Refúgio Sauim-de-Coleira, Daniel Grijó conta que atualmente apenas um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Ceta) está em funcionamento, pois o do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está em reforma.

O CETA do Refúgio Sauim-de-Coleira recebeu, só este ano, 505 animais silvestres. Aproximadamente 60% deles são reintroduzidos à natureza. “Nós avaliamos os animais, identificamos a espécie e fazemos uma entrevista com as pessoas que o encontraram para montar o histórico e saber se é possível encontrar o grupo que este animal pertencia”.

Ele conta que, em caso de filhotes, a reintrodução é quase impossível. “Após passarem por tratamento e reabilitação, nós tentamos fazer a readaptação, um treinamento para o animal voltar a viver na natureza, mas com os filhotes é mais difícil, pois jovens aprendem a fazer tudo com as mães”.

Daniel também explica que no caso dos sauins, que vivem em grupo, é difícil reintroduzir quando não sabem de que bando o animal veio. “Nós tentamos identificar o bando. Colocamos o animal próximo e ficamos aguardando o grupo passar. Mas se este animal não fizer parte do grupo, ele pode causar conflito, ser rejeitado, sair machucado ou morto. Por isso é importante nosso monitoramento”.

Responsável pelo setor de resgates de animais silvestres do Ipaam, Marcelo Garcia explica que o órgão resgata animais silvestres que estão em situação de risco, geralmente em áreas inadequadas. “Também fazemos resgate de animais silvestres que vivem em cativeros ilegais”.

Neste ano, o Ipaam fez o resgate de 209 animais silvestres. A maioria são bichos-preguiças, jibóias, jacarés e iguanas, de acordo com Garcia. “Quando o animal não está debilitado, a gente localiza uma área verde mais próxima e os libera. Mas quando precisam de tratamento médico veterinário, eles são levados ao CETA do Refúgio Sauim-de-Coleira”.

Números de contato rápido

O número para acionar o resgate do Ipaam é o 21236774/6739. Para solicitar resgate do Refúgio Sauim-de-Coleira, que atende de segunda à sexta-feira, basta ligar no 3618-9345. O Batalhão Ambiental da Polícia Militar também efetua resgates por meio do 98842-1547. O Corpo de Bombeiros também faz resgates de animais silvestres pelo 193.

Zoológico de Sorocaba (SP) recebe três ‘macaquinhos’

Ontem, três primatas da espécie sauim-de-coleira embarcaram para o zoológico de Socorocaba, parceiro do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação do Sauim-de-coleira. A analista ambiental do Ibama, Natália Lima, explica que os animais passaram um tempo de recuperação no CETA da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas), localizado no Refúgio Sauim-de-Coleira. “Como são jovens e foram resgatados longe do banco, eles não tem condições de voltar para a natureza. Alguns zoológicos têm feito parceria com o PAN e realizado um trabalho dentro dessa estratégia de conservação da expécie”, explicou.

Os animais que vão para cativeiro geralmente entram para o programa de reprodução da espécie. “Eles se reproduzem e formam um bando. A primeira hipótese, claro, é de soltura. Mas quando não sabemos a procedência do animal e não conseguimos localizar o bando, é mais seguro que ele vá para o cativeiro e crie seu próprio bando”.

A bióloga também comentou que alguns zoológicos do Brasil, principalmente de São Paulo, têm recebido os sauins-de-coleira e feito um bom trabalho no programa de preservação, mesmo que o animal seja endêmico de Manaus e de algumas regiões de Rio Preto da Eva e Itacoatiara.

Fonte: http://www.acritica.com/channels/manaus/news/dois-sauins-de-coleira-foram-resgatados-em-empresa-na-avenida-andre-araujo-apos-perderem-se-de-bando

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