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Sem áreas cadastradas no AM, animais silvestres vão para locais do Sul e Sudeste

on junho 5 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

Esta Maitaca de cabeça azul (pionus menstruus) foi levada para um zoo de São Paulo Foto: Márcio Silva

Esta Maitaca de cabeça azul (pionus menstruus) foi levada para um zoo de São Paulo Foto: Márcio Silva

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A escassez de mantenedores registrados no Amazonas, boa parte dos animais é destinada para criadouros e zoológicos de fora do Estado

Uma das principais contribuições para a lotação do Cetas do Ibama-AM, além da fechamento do Cetas Reserva Sauim Castanheira, da prefeitura, é a dificuldade para a destinação dos animais. Diante da quase inexistência de áreas de soltura de animais silvestres (Asas) cadastradas no Estado, a inexistência de centros de reabilitação para fins de reintrodução da fauna – exceto projetos experimentais voltados para o gavião-real e o peixe-boi – e a escassez de mantenedores registrados no Amazonas, boa parte dos animais é destinada para criadouros e zoológicos de fora do Estado.

Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais são os principais destinos da fauna amazônica atualmente, segundo o analista ambiental do Núcleo de Fauna do Ibama-AM, Robson Czaban. “Praticamente toda semana enviamos animais para mantenedores e zoológicos do Brasil inteiro”, contou ele, que em uma semana enviou animais para Brasília e para Juquiá, no interior de São Paulo.

De acordo o relatório do Cetas do Ibama-AM 2016, “a soltura é sempre a primeira opção de destinação, porém, por razões técnicas e operacionais, nem sempre ela é a mais indicada ou mesmo possível de ser feita”. Ainda segundo o relatório, “nem sempre a soltura segue todos os passos necessários. Ações como o monitoramento pós-soltura não são realizadas, por absoluta limitação de tempo e de recursos humanos e orçamentários”, diz o relatório, que é assinado pela analista ambiental e coordenadora do Cetas do Ibama-AM, Natália Souza Lima.

Destinos

Em 2016, dos 178 animais recebidos pelo Cetas do Ibama em Manaus, 24% tiveram como destino a soltura – 42 espécimes. Mantenedores e guardiões estão entre os destinos de 18% dos animais que passaram pelo Cetas do Ibama no ano passado: 32 exemplares foram destinados a cativeiros, que também incluem os zoológicos de Manaus – do Tropical Hotel e Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) – e de outros estados brasileiros, segundo relatório anual do Cetas do Ibama-AM de 2016. Cerca de  15% (27) morreram; cinco (3%) fugiram e dois (1%) foram encaminhados para áreas de soltura. A maioria (39%) é remanescente, ou seja, já estava lá e permaneceu.

Critérios para soltura

De acordo com Robson Czaban, muitos critérios são levados em conta na hora de decidir pela devolução do animal à natureza. “São muitas variáveis: se o animal é predador e não tiver condições de caçar, vai morrer. É o caso da onça capturada filhote, que não aprendeu com a mãe. A mesma coisa o macaco. Mas se é um animal pego adulto, como um gavião que já sabe caçar, às vezes é questão de tempo de ele recuperar a capacidade de voo. Quelônios, répteis, cobras e jacarés são mais simples, porque eles já nascem sabendo o que têm que fazer. No caso deles é verificar se o animal está fisicamente bem e de que ambiente ele é: se rio, lago, água preta, água clara, igapó e devolver”.

Outra preocupação na hora da soltura é não causar desequilíbrios ambientais, um dos maiores riscos dos “mantenedores clandestinos”, alerta Czaban. “Essas pessoas que recebem um silvestre, não comunicam o órgão ambiental e cuidam como acham que devem, sem conhecimento técnico adequado, além de poderem levar o animal a óbito por erro de manejo, ainda podem provocar um desequilíbrio ambiental ao soltar o animal em áreas onde ele não pode ser solto. Ou podem estar condenando ele à morte”, explicou.

Segundo ele, na região amazônica, os grandes rios funcionam como separadores de áreas de ocorrências de espécies. “A área onde estamos fica acima do rio Negro e do Amazonas. Tem bicho aqui que, se você atravessar a ponte, no Iranduba e Careiro não tem. E ali está entre o Negro e o Solimões, e do outro lado é outra área de ocorrência. Então podemos receber um animal de uma dessas áreas e precisamos saber de onde ele veio para não introduzir uma espécie que não é da região, sob pena de estar criando uma praga, como aconteceu com os canários venezuelanos apreendidos aqui e devolvidos à autoridade venezuelana”, comenta, ao contar que os animais foram soltos na fronteira, em vez de no local de origem, a 500 km dali, adaptaram-se e expulsaram as aves nativas da região de Santa Helena e Pacaraima, tornando-se a ave urbana mais comum daquela região e causando um desequilíbrio ambiental.

‘Exportados’

A grande quantidade de animais e a diversidade de espécies que chegam ao Cetas do Ibama, aliada à incapacidade do Amazonas em abrigar as espécimes resgatadas aqui, faz com que seja frequente a procura, por mantenedores e zoológicos de outros estados, de animais em condições de serem transferidos, conta Czaban. “A gente faz contato com mantenedores do Brasil inteiro. Frequentemente mandamos listas do que a gente tem disponível aqui e vários deles manifestam interesse”, disse o analista ambiental, que é o responsável por todo o trâmite burocrático de envio dos animais, do preparo deles para viajar até o embarque no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.

Enquanto produzíamos esta reportagem, em duas semanas foram dois envios de animais silvestres do Cetas do Ibama-AM para zoológicos do Sudeste: um carregamento com araras e outro com primatas e um felino.

Encalhados

Apesar do interesse de zoos e mantenedores de outros estados na fauna amazônica, algumas espécies ficam “encalhadas” no Cetas do Ibama-AM por serem populares em todo o País. É o caso do macaco-prego, que ocupa boa parte dos 14 recintos do local, revela Czaban. “Com relação à destinação, alguns bichos são muito complicados porque ninguém quer, como o macaco-prego. É um animal que tem no Brasil inteiro. Qualquer zoológico do Brasil tem, então ninguém quer. Os zoológicos querem bichos raros. O sauim-de-coleira, por exemplo, que só tem aqui em Manaus, é um bicho fácil de destinar, todo mundo quer. Agora os bichos comuns a todas as regiões são difíceis, caso também da arara Canindé e do papagaio-da-várzea. Agora se aparece um papagaio Diadema, que é exclusivo da Amazônia, fácil acha destinação, porque são raros. Então o que a gente faz é tentar negociar: se ele quer um sauim, leva três pregos também, um combo”.

178 – animais foram recebidos pelo Cetas do Ibama em 2016, e 24% deles tiveram como destino a soltura; 18% foram para cativeiros; 15% morreram; 3% fugiram e 39% é remanescente.

Parcerias institucionais da fauna no Estado

Além das pessoas que, voluntariamente, abrem suas casas para receber animais silvestres em tratamento ou à espera de destinação, o Ibama conta com o apoio de outros parceiros mantenedores que são instituições de pesquisa. É o caso do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do Centro de Pesquisa e Proteção de Mamíferos Quelônios Aquáticos (CPPMQA/Eletrobras). Outro parceiro importante é a Vara Especializada em Meio Ambiente e Questões Agrárias (Vemaqa) que, por meio de termos de reparação de danos ambientais em processos administrativos, determina medidas compensatórias que vão de obras de infraestrutura à doação de medicamentos e alimentação, informou a analista ambiental do Ibama, Cristina Isis Buck Silva.

Fonte: http://www.acritica.com/channels/governo/news/sem-areas-cadastradas-no-am-animais-silvestres-vao-para-locais-do-sul-e-sudeste

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