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‘Superação’ dos animais resgatados inspira engenheira a não desistir de ser voluntária

on junho 5 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

Onça parda Josué ‘sobrou’ após o fim de um projeto de reintrodução no Tarumã (Foto: Márcio Silva)

Onça parda Josué ‘sobrou’ após o fim de um projeto de reintrodução no Tarumã (Foto: Márcio Silva)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Centenas de animais passaram pela casa de Lenita Alves de Toledo e muitos se tornaram residentes. Espécies chegaram a se reproduzir em cativeiro em plena área urbana

Ao longo de 35 anos, centenas de animais passaram pela casa da engenheira ambiental, Lenita Alves de Toledo, mas muitos foram levados para lá e se tornaram residentes, além da quatá Priscila, a pioneira. Algumas espécies chegaram até mesmo a se reproduzir em cativeiro, em plena área urbana, como é o caso das antas que vivem na Reserva Cariuá.

Dandara é uma delas e, por ter passado a vida toda ali, um dos poucos animais que não tem um histórico de trauma. Ela nasceu em 2000, na casa de Lenita, filha de um macho que já morreu e de Lulu, uma anta que a engenheira recebeu do Cigs após o resgate ainda filhote, em 1996, e permanece com ela.

“Ela é um cachorrinho, super dócil”, diz Lenita, enquanto dá um “tapinha” no animal e o repreende por interromper a entrevista, empurrando Lenita com a cabeça. “Ela tá querendo chamar a atenção e pedindo ovo cru, que ela adora”, explica. “Mas você não pode ficar se enchendo de ovo, minha querida”, continua, agora falando com o animal. Além do ovo cru, a dieta é à base de casca de soja, frutas e ração de cavalo.

Projeto abandonado
Entramos em outro recinto, que aparenta estar vazio, e Lenita alerta: “Cuidado que ele é bravo” – antes de chamar “-Josué!”. É como ela batizou uma onça parda que também chegou de passagem e acabou ficando.

Levado até ela pelo Ibama em 1998, com apenas 1 ano, o plano era que o animal ficasse na casa de Lenita temporariamente, para que fosse reintroduzido na Área de Proteção Ambiental (APA) Tarumã, na Zona Oeste, como parte de um programa desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

“Eram dois filhotes, ele e uma fêmea, que morreu no cativeiro. Ele foi mantido isolado por muito tempo, sem contato humano, para não abrandar os instintos. Mas chegou num ponto que o projeto, óbvio, dançou, né? No Tarumã… em expansão, muita gente, como vai inserir uma onça? Acabou o projeto, sobrou ele”.

Bem longe dali, fica outra onça, a pintada. Resgatada há mais de 20 anos, ela teve as presas arrancadas e não pode mais ser reintroduzida na natureza, conta Lenita. “Um predador sem presa não sobrevive na natureza”, explica. Agora com o instinto já abrandado, – ela já permite “carinhos” do tratador – o animal é alimentado com frangos.

Traumas

Nos recintos das aves também não faltam histórias de superação entre os animais. Araras baleadas, gaviões atingidos por linhas de cerol, papagaios com asas cortadas e pernas quebradas, animais cegos, mutilados e deformados por maus tratos agora convivem com outros de suas espécies em recintos construídos para eles. “É incrível a resposta que temos deles quando sentem que estão sendo bem cuidados. Muitos conseguem, com o tempo, superar traumas dos maus tratos. Mas alguns ficam arredios a vida toda”, disse.

E essa não é a única preocupação de um mantenedor, revela Lenita. As dificuldades são muitas, diz ela: falta apoio, estrutura e interesse. “A vontade de desistir eu tenho tido sempre porque a gente se sente meio só, não tem apoio e nem políticas públicas voltadas para a preservação da fauna. Sinto como se estivesse dando murro em ponta de faca. A lei agora é matar e matar. Mas se eu desistir… como ficam eles?”

Em cativeiro

Para Lenita, as antas são uma satisfação à parte  pelo fato de ter conseguido salvá-las e até mesmo reproduzir a espécie em cativeiro – o que ainda não era proibido. Atualmente apenas zoológicos podem reproduzir animais em cativeiro, mantenedores e guardiões, não, segundo o gerente de Fauna do Ipaam, Marcelo Carvalho.

Fonte: http://www.acritica.com/channels/governo/news/superacao-dos-animais-resgatados-inspira-engenheira-a-nao-desistir-de-ser-voluntaria

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