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Superlotação faz abrigos pararem de receber animais silvestres em SP

on outubro 11 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

11/10/2015 – 02h00
Folha de São Paulo – Juliana Coissi, de São Sebastião/SP

 

Onça parda teve patas lesionadas.  Sem os R$ 50 mil mensais, a unidade, que já chegou a ter 600 animais, hoje tem 80 e vive de doações. Foto: Ernesto Rodrigues/Folha Press

Onça parda teve patas lesionadas.
Sem os R$ 50 mil mensais, a unidade, que já chegou a ter 600 animais, hoje tem 80 e vive de doações.
Foto: Ernesto Rodrigues/Folha Press

 

No alto de um morro em São Sebastião, no litoral norte paulista, um trecho de floresta em um sítio reúne sobreviventes do bicho-homem.

A lobo-guará Lupa, 2, cambaleia por causa das cinco fraturas sofridas quando era filhote. A onça-parda Neo, 7, teve a pata lesionada. Ambos foram atropelados.

A tamanduá-bandeira Narizinho, 1, escapou de um incêndio, e murucututus (tipo de coruja) dão voos curtos porque tiveram parte das asas amputadas por pipas.

O refúgio em São Sebastião é um dos 13 Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres) de São Paulo, que funcionam como um misto de pronto-socorro e abrigo para pássaros, mamíferos e demais bichos da fauna silvestre até que eles possam ser soltos ou levados a um local apropriado.

Mas, sem espaço nem verba (alguns são mantidos por ONGs), muitos já não recebem animais apreendidos em cativeiros ilegais ou feridos.

A situação é pior no sul, no norte e no oeste do Estado, onde não há Cetas.

A Polícia Militar Ambiental, uma das principais responsáveis por recolher os animais, diz que às vezes demora a encontrar um lugar.

Um dos mais críticos é o Cetas de São Sebastião, da ONG Fundação Animalia, única referência no litoral norte.

Além dos bichos feridos, a maioria veio de apreensões. Scilla e Caribdi, 8, Alfa e Dente, 13, são filhotes de uma onça-parda morta a tiros, criados ilegalmente em sítios.

A macaco-prego Geisy, 10, não caminha mais que meio metro para cada lado – provavelmente era o comprimento da corrente à qual passou a maior parte da vida presa.

O centro não recebe novos bichos desde outubro de 2014, após o fim de repasses de um convênio com a Petrobras –contrapartida ambiental por uma obra. Sem os R$ 50 mil mensais, a unidade, que já chegou a ter 600 animais, hoje tem 80 e vive de doações.

“Só ficou a onça manca, a jaguatirica cega, aqueles coitados que não temos para onde mandar”, disse o biólogo André Rossi, 58, da Animalia.

Efeito cascata

A maior parte dos animais foi levada para o Cetas em Lorena, único do Estado mantido pelo Ibama (órgão federal), que também ficou sobrecarregado. A unidade abriga hoje 4.000 bichos, o dobro do ano passado. Socorreu ainda o Rio de Janeiro, já que o Cetas de Seropédica fechou em janeiro – o Ibama diz que não abrirá outro no Rio.

Na capital, o Cetas do Parque Tietê teve de rejeitar novos animais após receber centenas de pássaros de uma só vez, recolhidos pela polícia.

A maioria dos centros só recebe bichos pequenos e alguns têm restrições. Os do Ibirapuera e Parque Anhanguera só recolhem bichos da fauna da capital, por exemplo.

Governos reconhece que faltam Cetas

O Ibama e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, órgãos federal e estadual responsáveis pelo cuidado da fauna silvestre, reconhecem que faltam centros de triagem para abrigar animais, principalmente de grande porte.

Segundo o governo estadual, como muitos bichos chegam domesticados e tiveram alimentação inadequada ao longo da vida, caso de araras e papagaios, a reabilitação e uma possível soltura podem ficar comprometidas.

Outro empecilho é que não há áreas de soltura suficientes. Animais capturados no Nordeste, por exemplo, não podem ser liberados em São Paulo e a repatriação depende de transporte e de centros de triagem para recebê-los.

Quando o animal não pode voltar para a natureza, depende de cativeiros como os dos Cetas. Até os zoológicos estão lotados.

Em nota, a secretaria diz que pretende ampliar o número de centros de triagem, “mas esbarramos na dificuldade que é o custo de manutenção”. Um Cetas consome até R$ 2 milhões ao ano.

No país todo, há 24 Cetas do Ibama. Em nota, o órgão admite que o ideal seria que esse número fosse maior, considerando-se o tamanho do Brasil.

Afirma, porém, que a gestão cabe aos governos estaduais, que devem buscar implantar novas unidades.

O Ibama afirma que, “tecnicamente, há interesse na construção de Cetas” mantidos pelo órgão em locais mais carentes, mas que “a decisão é da presidência do [Ibama]”.

O órgão federal diz que seus recursos são suficientes apenas para manter suas unidades e que não pode passar recursos para ONGs que desejem manter Cetas.

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