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Tráfico de aves corresponde a 80% das espécies de animais contrabandeados no Brasil

on novembro 20 | em Fauna na Mídia | by | with No Comments

09 de Novembro de 2015

JOANA QUEIROZ

As aves são a maioria entre as espécies retiradas das florestas para abastecer o tráfico internacional de animais silvestres

 

O tráfico de animais silvestres movimenta em torno R$ 3 bilhões no Brasil, atrás apenas do tráfico de armas e de drogas, e as aves estão entre os animais mais cobiçados pelas redes de contrabando (Divulgação)

O tráfico de animais silvestres movimenta em torno R$ 3 bilhões no Brasil, atrás apenas do tráfico de armas e de drogas, e as aves estão entre os animais mais cobiçados pelas redes de contrabando (Divulgação)

As aves são o principal alvo do tráfico de animais silvestres no Brasil e correspondem a 80% das espécies contrabandeadas no “mercado negro”, que movimenta em torno R$ 3 bilhões, atrás apenas do tráfico de armas e de drogas, revelou o delegado da Polícia Federal especialista em combates a crimes ambientais, Franco Perazzoni. De acordo com ele, as aves têm a preferência dos traficantes e 90% deles são passeriformes, ou seja, os pássaros, muito procurados por sua beleza e pelo canto, o que coloca na “lista negra” espécies como o curió, canário da terra, coleiros e trinca-ferro. Os psitacídeos (maioria papagaios, seguido de jandaias, periquitos e araras) representam 6% das aves apreendidas e as demais ordens somam 4% das apreensões. O pássaro-preto, o papagaio verdadeiro e o próprio curió, inclusive, estão na lista das espécies mais apreendidas pela Polícia Federal e pelos órgãos ambientais no País, informou Perazzoni. Dependendo da espécie da ave o valor comercializado no mercado negro pode variar de R$ 10 – pago aos caçadores – a US$ 30 mil – valor pelo qual o animal acaba revendido, muitas vezes no exterior. Esse é o valor pago por aves utilizadas em competições de canto, exemplificou o delegado. Outro destaque do comércio clandestino de animais silvestres é a arara-azul-de-lear, ave típica do Nordeste, em extinção, que pode chega a valer US$150 mil no mercado internacional. De acordo com a Organização Não Governamental (ONG) Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), o mercado consumidor desses animais é, principalmente o exterior, com ênfase para países europeus e asiáticos. Mas parte dessas espécies são comercializadas dentro do Brasil, seja para criação ilegal, consumo ou exploração da pele ou das penas.

Primatas e mamíferos

De acordo com o delegado Fanco Perazzoni, se os pássaros estão no topo da lista das espécies traficadas, os primatas são maioria entre as espécies apreendidas pela polícia e pelos órgãos ambientais, em todo o Brasil. Os mais comuns são: mico-estrela; macaco-prego, preguiça-de-três-dedos. Além deles, outros animais apreendidos com frequência são tamanduá-mirim, cascavel, jacaré, iguana e o cardeal, um peixe. A busca por mamíferos atende, principalmente, o mercado de peles e couros, além das pesquisas científicas, que também utilizam aranhas e escorpiões, explicou Perazzon. As borboletas e os peixes ornamentais são outros alvos frequentes do tráfico.

Pobreza é uma base do negócio

A cadeia de contrabando internacional de animais silvestres no Amazonas tem a pobreza das populações tradicionais como uma de suas bases. A avaliação é do delegado da Polícia Federal Franco Perazzoni, especialista nesse tipo de crime. Isso porque, segundo ele, o tráfico organizado é composto por diferentes níveis hierárquicos e, na base, estão os “capturadores” de animais, normalmente ribeirinhos ou indígenas. “Nessas comunidades há um elevado grau de pobreza que, em ocas de estiagem, leva essa população a recorrer a outras formas de renda, como a venda de espécies da sua região”, explicou. Além dos “capturadores”, o esquema de contrabando envolve desde transportadores, que são os donos de embarcações, veículos, tripulantes de aeronaves e criadouros autorizados (usados para legalizar os animais com documentos fraudulentos) até servidores públicos corruptos, lembrou Perazzoni.

Mal alimentado pelo consumo

“O tráfico existe porque tem demanda”. A frase é do superintendente substituto do Instituto brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) no Amazonas, Geandro Pantoja. De acordo com ele, o contrabando de animais silvestres no Amazonas é estimulado pelo mercado consumidor, que não está restrito a outros Estados ou países. Aqui mesmo, no Amazonas, é grande a procura de moradores (principalmente das cidades maiores) e até restaurantes por espécies protegidas de quelônios, como tracajás e tartarugas, e peixes, como o pirarucu e a piracatinga. “Temos interceptado rotas com destino à Colômbia e à Europa, mas é preciso também que o cidadão daqui colabore”, disse. Segundo ele, o tráfico de animais silvestres ainda é recorrente no Amazonas. “As espécies mais visadas são os quelônios, com maior intensidade nos municípios de Manacapuru e Manaus. Mas existem também as rotas internacionais de contrabando de borboletas, pássaros e peixes ornamentais”, lembrou.

Répteis

Os répteis também são alvo dos traficantes de animais silvestres. Para se ter uma ideia do valor atribuído às espécies no mercado negro, um grama de veneno de alguns tipos de cobra pode custar até cinco vezes mais que um grama de ouro, crime que se encaixa na biopirataria. Valiosos Segundo a Polícia Federal, os répteis também são procurados para criação doméstica, mercado alimentício e ainda pelo mercado de fabricação de calçados, bolsas, malas, pulseiras e outros artigos em couro.

http://acritica.uol.com.br/amazonia/Manaus-Amazonas-Amazonia-Animais-silvestres-Brasil-correspondem-contrabandeadas_0_1464453541.html

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